Intromissão em reforços, reclamações, falta de resultados: o fim da quarta 'Era Luxa' no Fla

Pedro Henrique Torre, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Gazeta Press
Vanderlei Luxemburgo disse que o Flamengo não vai ficar na zona da 'confusão'
Vanderlei Luxemburgo desagradou a diretoria rubro-negra em vários episódios

A demissão de Vanderlei Luxemburgo do Flamengo não ocorreu em simplesmente uma reunião. Foi maturada em meio a declarações, posturas, reclamações internas, desempenho decrescente do time em 2015 e contou com um agente catalisador: a insistência do técnico em se manter a par de contratações e ter interferência direta no que estava em andamento.

Recentemente uma informação chegou aos ouvidos da diretoria por intermediários: o técnico teria ultrapassado uma última linha de hierarquia e entrado em contato diretamente com empresários de jogadores em plena negociação. Luxa ficou por um fio e, com o péssimo início de Brasileiro, a demissão foi consumada.

Desde que fora contratado, em agosto de 2014, ele recebeu o aviso de que seu trabalho seria restrito ao campo. Deixá-lo fora do andamento de negociações era uma atitude da diretoria que, em palavras de quem acompanha o dia a dia do clube, "o deixava louco". No início do retorno ao clube não se aventurou em outras funções. Após tirar o time de situação difícil, no entanto, a postura mudou. E incomodou.

Tanto que o então vice-presidente de marketing e um dos nomes fortes da gestão, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, defendeu internamente que Luxa não continuasse em 2015, embora tivesse acordo verbal. O argumento era de que traria problemas futuros com a postura de reclamações e transferência de culpas por insucessos. O técnico soube deste movimento e, diante da indecisão em assinar o contrato, declarou em coletiva no fim de 2014 que permaneceria para este ano. O pronunciamento antecipado não agradou.

Eram melindres considerados irrelevantes caso o time continuasse a render como na reta final da última temporada. O técnico pediu reforços como Pará, Bressan e Marcelo Cirino. Conseguiu. Em campo, no entanto, a equipe não correspondia. Longe disso. No Carioca, o time foi claudicante, sem organização tática e pouco assustou nos clássicos. Deixou de vencer a Taça Guanabara por não conseguir marcar um gol no Nova Iguaçu. Doeu no bolso, uma vez que o campeão receberia R$ 1 milhão, e afetou a imagem do técnico, cada vez mais arranhada.



O flerte público com o São Paulo em constantes aparições em programas de tv, quando disse que ouviria a proposta do Tricolor Paulista, onde teria o desejo de trabalhar, e a eliminação no Carioca diante do Vasco puseram o comandante em xeque. À época, Luxemburgo ainda tinha forte apoio do vice de futebol, Alexandre Wrobel, aliado desde a gestão de Patricia Amorim, em 2011, mas foi cobrado. Não só pelo desempenho em campo, mas pelo trabalho de sua comissão técnica diante do alto índice de desfalques por lesões. Pressionado, o técnico apontou para Atibaia, no interior de São Paulo, como salvação para acertar os ponteiros para o Brasileiro. Foi atendido. E, de novo, fracassou.

O péssimo início de Campeonato Brasileiro, seguido de cobranças públicas por reforços, levantou vozes que criticaram Luxemburgo duramente após a eliminação na Copa do Brasil de 2014, diante do Atlético-MG, com goleada de 4 a 1. Irritada com o desempenho e as informações sobre o contato direto com empresários, os dirigentes maturaram a demissão aós a derrota para o Avaí por 2 a 1, no domingo à noite, mas deixaram para sacramentá-la na tradicional reunião do Conselho Diretor do clube às segundas à noite, na Gávea. Pouco antes, o técnico voltara com a delegação de Florianópolis.

Ao desembarcar no Rio de Janeiro, Vanderlei Luxemburgo já sabia da reunião do Conselho Diretor e, posteriormente, foi informado sobre a demissão, que custará um salário, cerca de R$ 450 mil, ao Flamengo. Preferiu, então, não se pronunciar e agendou uma coletiva de imprensa para a manhã desta terça-feira, no mesmo hotel que serve como concentração para o time no Rio de Janeiro. Antonio Mello, preparador físico, e Deivid, auxiliar, também foram dispensados. Dez meses depois, Luxemburgo deixa o Flamengo em sua quarta passagem onde o encontrou em 2014: na zona de rebaixamento.

Substituto ainda indefinido

Com a saída de Luxemburgo consumada, a diretoria do Flamengo deu início a discussões sobre o sucessor do técnico. Por enquanto, o auxiliar Jayme de Almeida comandará o time contra o Náutico, quarta-feira, pela Copa do Brasil, no Maracanã. Embora tenha sido efetivado em 2013, a diretoria não vê com bons olhos repetir a dose com Jayme, que acabou demitido em 2014.

Sugestões chegaram à mesa da diretoria, como a do técnico Cristóvão Borges, demitido do Fluminense no início do ano. A escassez de nomes no mercado preocupa e levou à ideia de tentar um estrangeiro, mas não houve entusiasmo. O panorama, por enquanto, é de indecisão.

Em relação aos reforços, o clima é de otimismo para a chegada de Guerrero, atualmente no Corinthians. Após a confirmação de que o peruano não ficará no clube paulista após o fim do contrato, em julho, fez a conversa com os cariocas avançar. A expectativa é de que o negócio seja concretizado.

Elias, pretendido, já declarou que pretende permanecer no Corinthians. Já Petros se torna cada vez mais improvável, já que o Flamengo considera alta a pedida de R$ 6 milhões por 50% dos direitos do meia.

Mauro Cezar anuncia demissão de Vanderlei Luxemburgo do Flamengo
Comentários

Intromissão em reforços, reclamações, falta de resultados: o fim da quarta 'Era Luxa' no Fla

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.