Goleiro 'mais gato do Brasil' quase largou a carreira porque era baixinho e fracote

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Itamar Aguiar/Raw Image/Gazeta Press
Alisson Becker Coletiva Internacional 25/11/2014
Alisson é titular do Inter aos 22 anos

Quem vê o jovem Alisson Ramses Becker, de apenas 22 anos, pegando tudo no gol do Internacional mal sabe que por muito pouco o titular da equipe colorada não abandonou o sonho de ser jogador de futebol ainda na adolescência.

Parece difícil de acreditar, mas o hoje dono de um corpanzil de 1,93m era baixo e magro demais nos tempos da base, e, por isso, tinha poucas chances de jogar. Desanimado, viu sua família cogitar a volta aos estudos, já que dificilmente ele seria atleta profissional.

Mas um homem acreditava nele.

Trata-se de Daniel Pavan, preparador de goleiros do Inter. Ele conheceu Alisson aos 14 anos, quando o arqueiro foi levado por Muriel, seu irmão mais velho e também goleiro do clube, para a base colorada. De cara, viu talento no novo pupilo, mas também percebeu que ele precisaria de mais tempo para ganhar corpo.

"Ele sempre foi muito técnico, mas tinha a maturação mais lenta que a dos colegas. Ele era baixinho e fraquinho comparado com os outros jogadores, que eram mais altos e fortes, pois tinham a formação corporal mais avançada. Mas a gente tinha estudos e avaliações médicas que mostravam que ele ia crescer e atingir a altura que tem hoje, nem precisou de tratamento", conta Pavan, em entrevista ao ESPN.com.br.

Durante o tempo em que Alisson era era "baixinho e fracote", porém, ele tinha poucas oportunidades de jogar, já que ficava como segundo ou terceiro goleiro. Com isso, foi desanimando, e viu seus pais baterem um papo sério com Pavan.

"Ele ficava muito desanimado, porque era sempre preterido. Um dia, os pais dele foram conversar comigo e perguntaram se ele deveria parar de jogar e se dedicar aos estudos, porque ele poderia não ter futuro no futebol como goleiro", lembra.

"Mas eu falei que não era pra ele desistir, pois tinha futuro promissor, que aquilo era só questão de momento e que os frutos viriam lá na frente. Os resultados desta escolha estamos colhendo hoje agora", comemora o preparador.

Depois dos 15 anos, Alisson finalmente começou a crescer e ganhar massa muscular. Passou a brilhar e virou o principal destaque entre os arqueiros da base do Inter, chamando a atenção em todos os torneios. Não demorou para chegar às seleções brasileiras sub-17 e sub-20. Daí em diante, foi só sucesso até chegar à titularidade no Beira-Rio.

Itamar Aguiar/Raw Image/Gazeta Press
Alisson Becker Treino Internacional 13/11/2014
Alisson: galã do Beira-Rio

Além do bom desempenho em campo, inclusive, o arqueiro faz muito sucesso com as mulheres. Com fama de galã, ele arranca suspiros das torcedoras coloradas, que fazem filas para tirar selfies com o bonitão. Recentemente, um programa de rádio de Porto Alegre anunciou Alisson como convidado da noite, sob a descrição de "goleiro mais bonito do Brasil".

"Isso é verdade. Desde cedo ele sempre foi um cara que fez sucesso com a mulherada (risos)", diverte-se Pavan, que completa, feliz da vida: "E isso está aumentando cada vez mais pelo sucesso dele dentro de campo".

Entre irmãos

Alisson e Muriel vivem uma situação curiosa no Inter. Irmãos, os dois já foram titulares da equipe colorada, mas atualmente o mais novo vem jogando. Segundo Pavan, porém, isso só serve para deixá-los cada vez mais unidos.

"É uma situação difícil, mas eles são muito amigos e se dão bem. Um ajuda e torce pelo outro, mesmo brigando pelo mesmo espaço. Eles fazem questão de chegar juntos todos os dias aos treinos, tomam café da manhã juntos e concentram no mesmo quarto, não desgrudam um minuto. É bonito de ver", relata.

A história de como Alisson tornou-se titular também é pouco usual. Sua primeira chance foi com Dunga, ainda em 2013, mas ele não se firmou logo de cara.

Vinícius Costa/Preview.com/Gazeta Press
Alisson Becker Muriel Becker Treino Internacional 10/09/2013
Alisson (dir) e Muriel treinam juntos no Inter

"O Muriel estava bem, era titular, mas sofreu uma lesão leve. Até ele voltar, o Alisson jogou sob comando do Dunga e foi bem, mas depois voltou para a reserva", recorda o preparador.

Na reserva, o "goleiro gato" seguiu esperando sua chance, que veio após infortúnios de Dida e, novamente, do irmão mais velho. Abel Braga bancou Alisson, que se firmou como titular e seguiu como favorito mesmo depois que o uruguaio Diego Aguirre assumiu.

"No Brasileirão do ano passado, o Dida foi expulso em um jogo, o Muriel assumiu e começou a jogar muito bem. Só que aí ele se machucou de novo, o Alisson entrou contra o Fluminense, foi bem e não saiu mais. E o Abelão que bancou, porque também tinha o Agenor, mas ele preferiu o Alisson", revela Pavan.

Deu certo. Com Alisson no gol, o Inter foi campeão do Gauchão e está nas quartas de final da Libertadores. As atuações do arqueiro vem sendo muito elogiadas, e quem o conhece de perto garante: em breve ele estará na seleção brasileira.

"Sei que o Dunga que está olhando para ele com atenção, até porque foi o primeiro técnico dele no Inter. Tenho proximidade com o pessoal da comissão técnica da seleção e sei que eles estão de olho", garantiu Pavan.

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