Após acertar contrato em pizzaria, carrasco do Palmeiras lembra 7 a 2 e garante: 'Cabia mais'

Francisco De Laurentiis, do ESPN.com.br, e Vladimir Bianchini, da Rádio ESPN
GERALDO BUBNIAK/Gazeta Press
Nadson Comemora Penaltis Jacuipense Parana Clube Copa do Brasil 23/04/2015
Carrasco do Palmeiras em 2003, atacante Nádson hoje joga pelo Jacuipense, da Bahia

23 de abril de 2003 é um dos dias mais trágicos da história do Palmeiras. Muito graças ao atacante Nádson Rodrigues de Souza, que fez quatro gols naquele famoso 7 a 2 do Vitória em cima do time alviverde nas oitavas de final da Copa do Brasil.

Ainda na ativa aos 33 anos, o hoje jogador do Jacuipense, da Bahia, recorda com carinho daquele dia. Ele tem um DVD com imagens da partida e, sempre que precisa de uma motivação extra, assiste aos melhores momentos da goleada para recordar seus grandes momentos.

E 12 anos depois, aos analisar o duelo no velho Palestra Itália, ele assegura: o vexame palmeirense naquele dia poderia ter sido muito maior.

"A gente entrou em campo achando que um empate seria bom, jamais imaginamos que poderíamos fazer 7. Mas naquele dia jogamos demais, e, de nove chutes, sete entraram. Tive grandes momentos na carreira, já fiz três gols num Ba-Vi, mas nada se comparou àquele jogo com o Palmeiras", recorda Nádson, em entrevista à Rádio ESPN.

"Mas nós relaxamos depois do 7, foi automático. Até porque, quando você está vencendo por um monte, o adversário fica nervoso e sai confusão. Você quer dar show, pedalada, e acaba apanhando. Eu mesmo tomei umas três porradas, o Gustavo foi expulso até. A gente cadenciou garantir o resultado, mas, se tivesse apertado, cabia mais, com certeza", provoca.

Aquele jogo no Parque Antáctica também ficou marcado pela furada de 'São' Marcos, que, irritado com a apatia palmeirense, foi dar um bico na bola e acabou deixando passar. Nádson aproveitou a falha e marcou mais um na partida.

"Nunca pensei que o Marcos ia furar naquela jogada, tanto é que eu desisti da jogada após o passe do Alan Dellon. Só percebi quer ele tinha errado a bola quando o pé dele ainda passou rente ao meu rosto e quase me acertou. Então ela sobrou limpa para mim e o Adãozinho não conseguiu me acompanhar. Esse gol ficará marcado por resto da vida", lembra.

"Eu sou fã do Marcos, é um dos melhores goleiros de todos os tempos. Fazer gol nele foi um privilégio. Tenho quase certeza que sou o único jogador a meter quatro gols nele em uma única partida. Isso não tem preço, é muito gratificante", acrescenta.

Relembre a goleada histórica do Vitória sobre o Palmeiras por 7 a 2 em 2003

Depois daquele jogo, Nádson ganhou fama nacional. Vivendo grande fase e liderando até mesmo o prêmio "Bola de Prata" do Campeonato Brasileiro, ele foi convocado para defender a seleção brasileira na Copa Ouro de 2003, e fez parte do elenco vice-campeão do torneio disputado nos Estados Unidos e no México.

Foi então que ele recebeu uma proposta do Suwon Bluewings, da Coreia do Sul, e resolveu aceitar. O dinheiro foi bom, admite, mas hoje o centroavante se arrepende.

"Estava em grande fase, era artilheiro de tudo, tinha feito mais de 30 gols em seis meses. Eu era o talismã do Papai Joel, quando o bicho pegava ele me colocava em campo e eu sempre guardava o meu. Quando saí, estava liderando a 'Bola de Prata', perdi para o Luis Fabiano mesmo tendo média melhor, porque não fiz o mínimo de 10 jogos. Se tivesse esperado até o final do ano, teria ido para algum grande", comenta.

Do Corinthians ao Jacuipense

Em 2005, Nádson deixou a Coreia para jogar no Corinthians, por empréstimo. Chegou com pompa ao time da MSI, mas não conseguiu se firmar. Só fez um gol, em uma partida contra o Lanús, pela Copa Sul-Americana, e acabou voltando para o futebol asiático. Passou ainda pelo Vegalta Sendai, do Japão, antes de retornar de vez ao Brasil.

Teve uma segunda passagem pelo Vitória, sem o mesmo sucesso da primeira vez, e jogou também por Bahia, Sport e América-RN antes de chegar ao clube ao qual ia se "amarrar" pelos próximos anos: o Jacuipense, time de Riachão do Jacuípe, na Bahia.

"Estava de férias jogando meu baralho tranquilo quando recebi uma ligação do presidente pedindo pra ajudar o time. Gostei muito e acabei ficando, estou aqui há quatro anos. Acertei minha chegada numa pizzaria de Salvador com meu empresário", conta, antes de explicar suas funções como manager da equipe.

SEBASTIAO DE SOUZA/AFP/Getty Images
Nadson Comemora Gol Corinthians Lanus Copa Sul-Americana 11/10/2006
Nádson passou pelo Corinthians

"Tenho um contrato de longa duração e já fui emprestado algumas vezes, mas sempre volto pra cá. Aqui, além de gols, faço coisas de diretoria, ajudo nas contratações, dou conselhos aos mais novos... Acabo fazendo de tudo um pouco, sou praticamente um supervisor", ressalta o veterano.

Pelo Jacuipense, Nádson reencontrou o bom futebol. Na Copa do Brasil deste ano, ele foi o herói da classificação da equipe baiana para a segunda fase da competição, fazendo o gol da vitória por 1 a 0 em Curitiba e ainda convertendo o última cobrança da série de pênaltis.

Curiosamente, em um dia muito especial para o atacante.

"Curiosamente, eu brilhei duas vezes no dia 23 de abril. A primeira foi no 7 a 2 contra o Palmeiras, e a segunda contra o Paraná, pela Copa do Brasil. Entramos para a história aqui em Riachão do Jacuípe, a cidade está em festa, porque um time do interior da Bahia nunca tinha passado de fase na competição", celebra.

Na última quinta, porém, o clube baiano foi eliminado pelo Náutico.

Escalado por aplicativo

Em 2013, o Jacuipense chamou a atenção por adotar um sistema inovador no futebol brasileiro. Através de um aplicativo para computadores, tablets e smartphones, os torcedores é que escolhiam os atletas que iam entrar em campo, e não o técnico. Nádson foi um dos atletas que fez parte do curioso experimento.

W. CORREIA NETO/Gazeta Press
Nadson Comemora Gol Sport Cabense Campeonato Pernambucano 06/02/2010
Atacante também jogou no Sport

"Era um pouco estranho, mas deu certo, tanto é que fizemos uma boa campanha. Em termos de marketing, foi excelente, e o torcedor gostou muito. Mas o treinador teve muita dor de cabeça para escalar a equipe", brinca.

Nádson, que estava no clube desde 2011, admite que ficou um pouco receoso quando o aplicativo passou a ser utilizado, mas gaba-se por ter sido sempre um dos favoritos da torcida.

"Quando o aplicativo chegou, falei: 'Tudo bem, presidente, só não posso ficar de fora do time titular (risos)'. Ainda bem que a torcida atendeu a esse pedido. Eu estava fazendo muitos gols e fui sempre escalado pelo treinador e pela torcida, não tinha como me tirar (risos)", diverte-se.

Após levar o Jacuipense à elite do Campeonato Baiano e ser o herói na Copa do Brasil, o centroavante diz que ainda tem muita lenha para queimar. A aposentadoria inicialmente tem data marcada, mas que pode mudar, de acordo com as propostas.

"Tenho o sonho de ainda voltar a disputar uma Série A ou B de Brasileiro. Tinha prometido para a minha família no ano passado que ia parar de jogar, mas como estava bem, fui me empolgando, fui ficando, fui ficando... Daí não consigo mais para de jogar (risos)! Ainda consigo atuar mais uns três anos. Estou muito bem fisicamente e tecnicamente, correndo como um menino de 18 anos", garante.

Comentários

Após acertar contrato em pizzaria, carrasco do Palmeiras lembra 7 a 2 e garante: 'Cabia mais'

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.