'Paredão' de Pernambuco 'sofre' com mulher repórter que o corneta e corrige português

Francisco De Laurentiis, do ESPN.com.br, e Vladimir Bianchini, da Rádio ESPN

Nesta série especial, o ESPN.com.br e a Rádio ESPN contam histórias alternativas de todos os campeonatos estaduais do Brasil, do Oiapoque ao Chuí, de Mâncio Lima a João Pessoa.

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ALDO CARNEIRO COSTA/Gazeta Press
Alemão Santa Cruz Sport Campeonato Pernambucano 31/01/2015
Alemão reclama durante jogo do Santa Cruz: zagueiro está na final do Pernambucano

Em Pernambuco, quem dita a lei na grande área é o zagueiro Rafael Berger, de 28 anos, do Santa Cruz. Só que esse "paredão" de 1,90m é conhecido por outro nome: Alemão.

Ele mesmo, que foi campeão paulista pelo surpreendente Ituano em 2014, está em mais uma final de Estadual, já que o clube tricolor enfrenta o Salgueiro para decidir quem será o campeão do Pernambucano deste ano - o jogo de ida, no interior, foi 0 a 0, na última quarta-feira.

O sucesso do Santa é em grande parte devido às boas atuações do xerife, titular da defesa que vazada apenas 11 vezes em 13 jogos no ano.

Além disso, Alemão contribuiu marcando três gols, um deles na vitória por 2 a 1 no clássico contra o Náutico, pela segunda fase do Estadual.

Mas, mesmo vivendo grande fase, nem sempre o defensor consegue passar no crivo de sua crítica mais ferrenha: a repórter Syusk Amorim, da TV Globo, sua própria esposa, que "corneta" suas atuações e corrige até o português do marido nas entrevistas.

"Rapaz, minha esposa briga comigo direto, porque jogador não tem jeito, sempre fala uma palavra errada, esquece um 's' aqui , dá uma quebrada, né (risos)? Imagina, ela fica doida e me corrige sempre!", conta o zagueiro, aos risos, em entrevista à Rádio ESPN.

"Quando eu jogo mal ela me corneta também, mas peço pra que ela faça isso em casa, pra não espalhar muito pro Brasil e não me complicar (risos)", gargalha o atleta.

Apesar do jeito durão em campo, Alemão é descrito por sua mulher como um "palhaço", por estar sempre fazendo piadas. Ele brinca que ainda quer imitar o goleiro Iker Casillas e dar um beijo na esposa ao vivo, assim como o arqueiro da seleção espanhola fez com a repórter Sara Carbonero logo após a conquista da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010.

"Minha mulher nunca me deu um beijo no ar ao vivo que nem a esposa do Casillas, mas esse ano ela ainda não teve oportunidade. Em 2009, eu estava jogando no Campinense, ela precisou fazer uma reportagem lá e o entrevistado fui eu. Ela entrou no campo e ficou sem graça, nós não sabíamos que um ia falar com o outro, porque isso nunca tinha acontecido. Mas foi uma entrevista bacana (risos)", recorda.

Arquivo Pessoal
Alemão Zagueiro Esposa
Alemão e a esposa: casal apaixonado

"Na hora fiquei com vontade de dar um beijo nela, mas tive que segurar até chegar em casa (risos)", acrescenta.

Alemão e Syusk são casados há seis anos e têm um filho, Rafael Júnior, de três, que sempre é visto nos braços do beque nos jogos no Arruda. Segundo a mãe, ele é "palhaço igual ao pai".

Tempos de solteiro

Apesar da "marcação cerrada" da esposa, o jogador do Santa Cruz prefere nem lembrar os tempos de solteiro, quando não tinha com quem dividir a responsabilidade de cozinhar.

Dos tempos de Itaperuna, time carioca pelo qual jogou no início da carreira, o defensor guardou tristes lembranças culinárias e o sabor de lasanha queimada na língua.

"Os jogadores que tinham que cozinhar, porque nem sempre tinha funcionários. Eu fazia o básico: só arroz com feijão. Juntávamos os jogadores e cada um fazia uma coisa, mas saía cada gororoba! Naquela época nem tinha Masterchef pra gente aprender, porque se tivesse seria mais fácil, né?", diverte-se.

"Uns colegas até assistiam aos programas da Palmirinha Onofre, ou ligavam pra mulher ou pra mãe e tentava fazer alguma coisa diferente. Eu não inventava muito, não gosto de cozinhar. Se tentava fazer uma lasanha, saía errado. Não acertava o ponto, depois se queimava eu tinha que comer mesmo assim (risos)", sorri.

Divulgação
Alemão Zagueiro Santa Cruz
Alemão e o filho em campo

Depois do Itaperuna, Alemão rodou por vários times, entre eles o Náutico, até chegar ao Ituano, em 2014, no qual formou uma defesa intransponível ao lado do zagueiro Anderson Salles, hoje no Vasco, e do goleiro Vagner, do Avaí.

Daquela campanha, o zagueiro se lembra bem da semifinal, quando o time rubro-negro eliminou o Palmeiras no Pacaembu lotado, em pleno ano de centenário alviverde.

"Naquela semi, houve um episódio curioso entre eu e o Esquerdinha [meia do Ituano], quase uma premonição. A gente tinha perdido na primeira fase para o Palmeiras por 1 a 0, com um gol no final. No dia da semi, no Pacaembu, logo depois de cantar o hino eu virei pra ele e falei: 'Hoje é o dia que nós vamos calar a torcida do Palmeiras e vamos sair classificados'. Ele falou: 'Fé em Deus que vamos conseguir'. Não deu outra: ganhamos e fomos para a decisão contra o Santos", revela o defensor.

Agora, Alemão terá a chance de calar a torcida do Salgueiro, adversário do Santa Cruz na decisão do Pernambucano. A partida de volta está marcada para o próximo domingo, às 16h (horário de Brasília) no Arruda completamente lotado. Será a chance da "Cobra Coral" conquistar seu quarto título estadual nos últimos cinco anos, e do zagueiro colocar mais uma medalha de campeão na coleção particular.

ALDO CARNEIRO COSTA/Gazeta Press
Alemão Comemora Gol Santa Cruz Central Campeonato Pernambucano 18/04/2015
Zagueiro marcou três gols até agora na temporada
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