Ex-Barça, rival corintiano comanda máquina de gols e diz que Guaraní não faz tiki-taka

Antônio Strini, do ESPN.com.br
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Fernando Jubero Guarani Paraguai 2015 getty
Fernando Jubero, técnico do paraguaio Guaraní, rival do Corinthians nas oitavas

Há três anos, Fernando Jubero chegou ao Paraguai como um desconhecido. Em 2015, porém, o técnico nascido em Barcelona é sinônimo de arrojo dentro de um futebol conhecido por ser aguerrido, físico e competitivo.

Aos 41 anos, ele está à frente do Club Guaraní, um dos mais antigos do país (fundado em 1911) e que vivia à sombra de Cerro Porteño, Libertad, Nacional e Olimpia. No entanto, desde que o treinador espanhol assumiu o Cacique, o patamar subiu. Assim como o número de gols do time aurinegro no campeonato nacional.

Em 2014 inteiro, o Guaraní marcou 105 gols nos 44 jogos da primeira divisão, algo nunca antes visto na história do futebol paraguaio. E o conceito é simples, vindo da raiz de Fernando Jubero: a posse de bola, a ofensividade, o estilo Barça.

Afinal, ele teve passagem como "espião" do Barcelona B e de outras equipes da base catalã antes de aceitar o convite do Guaraní para ser diretor esportivo em 2012 e, no ano seguinte, se tornar técnico do elenco principal.

Até agora, Jubero levou o Guaraní a dois vice-campeonatos paraguaios (2013 e 2014) e encerrou um jejum do clube de 18 anos sem avançar às oitavas da Libertadores.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, porém, o catalão nega que tente implantar o famoso "tiki-taka" do Barcelona no tradicional clube paraguaio.

"Tiki-taka é um pouco demais para nós, é algo muito específico. O que nos gosta é ter a posse de bola. Tiki-taka é um sentido de jogo", afirmou.

Nas oitavas de final, o Guaraní terá pela frente o Corinthians, a quem ele considera favorito a ganhar a Libertadores. A ida acontece na próxima quarta-feira, em Assunção, e a volta será em 13 de maio no estádio alvinegro.

E o surpreendente Guaraní, tem chance diante do rival brasileiro? "Jogaremos com muita humildade, vamos brigar, temos a responsabilidade de ser o único paraguaio nas oitavas. Mas no campo vamos mostrar que futebol é futebol", garantiu o míster.

Leia abaixo a entrevista completa com Francisco Jubero

ESPN.com.br - Você chegou ao Guaraní em 2012. Como foi o convite e por que o aceitou?
Fernando Jubero - Cheguei em 2012 como diretor esportivo no clube. A ideia, minha função principal, era fazer um projeto para o clube formar jogadores da base para subir ao time principal. Em 2013, o técnico que tínhamos (Diego Alonso) recebeu uma oferta de outro clube, foi embora, e a diretoria me pediu para assumir de forma interina por quatro jogos, pois já estava no final do campeonato. A partir daí os bons resultados vieram, e surgiu a possibilidade de continuar como técnico.

Com sua chegada, a equipe se fixou como uma das mais perigosas do Paraguai. O que mudou para conseguir isso?
Sobretudo tentamos trabalhar com uma equipe ofensiva, que tivesse a posse de bola, com a maior fortaleza no jogo ofensivo. Conseguimos no ano passado 105 gols em 44 jogos, recorde histórico do futebol paraguaio. É um time que busca sempre o gol, e conseguimos esse objetivo. E temos uma continuidade do projeto, com jogadores jovens e outros de mais experiência, e temos um bom entendimento do elenco.

Você tem inspiração no Barcelona para armar sua equipe? É um seguidor do tiki-taka?
Sempre tem coisas que tentamos incorporar, como as saídas de jogo. Mas aqui é um time paraguaio, com as características do futebol paraguaio, com muita fortaleza mental, agressivo. Tiki-taka é um pouco demais para nós, é algo muito específico. O que nos gosta é ter a posse de bola. Tiki-taka é um sentido de jogo.

Você ve seu time nas oitavas de final da Libertadores como uma surpresa?
Não conseguíamos chegar nas oitavas havia 18 anos, e na última participação na Copa o Guaraní não marcou nem um ponto. Era um objetivo.

O Corinthians é favorito para o confronto contra o Guaraní?
Sabemos que jogamos contra um grande rival, um favorito a ganhar a Libertadores, mas jogaremos com muita humildade, vamos brigar, temos a responsabilidade de ser o único paraguaio nas oitavas. Mas no campo vamos mostrar que futebol é futebol.

Depois de ficar fora da Copa de 2014, acredita que o Paraguai pode fazer uma boa Copa América?
Sim, está tentando garantir um novo trabalho. Agora está chegando um novo técnvo (Ramón Díaz, ex-River Plate), que está buscando soluções, e a ideia do Paraguai é sempre essa: formar time competitivo para fazer uma Copa América. Tem bons jogadores paraguaios e que podem ir bem.

Você tem um projeto de longo prazo com o Guaraní. Quais os objetivos para os próximos anos?
Primeiramente é consolidá-lo no torneio local, estamos sempre bem perto de conseguir um título. Vamos passo a passo, e depois pensamos no campo internacional. O clube disputou as últimas Libertadores, mas queremos ser mais presentes.

Em seu elenco está um dos principais nomes da Libertadores, Federico Santander. Ele é realmente o grande jogador de sua equipe?
Ele está passando por um momento muito bom, Santander é jovem, 23 anos, tem muitas condições: jogador potente, rápido, fez cinco gols na Libertadores. Está crescendo seu jogo.

Ele já recebeu ofertas para sair?
Sim, até agora tem algumas ofertas, mas nada concreto. Tento sempre focar o presente: Santander é um jogador do Guaraní, e seu futuro passa por ir bem com o Guaraní.

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