Mais rico, Flamengo paga dívidas, mas não se livra de empréstimos bancários

ESPN.com.br
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Flamengo mostrou evolução financeira nos últimos anos, mas ainda sofre
Flamengo mostrou evolução financeira nos últimos anos, mas ainda sofre

Mesmo tendo o maior lucro da história do futebol brasileiro em 2014 (superávit de R$ 64,311 milhões), o Flamengo ainda não consegue se livrar dos altos empréstimos bancários para sobreviver. Segundo o balanço financeiro divulgado na última semana, o clube tem uma dívida com empréstimos de R$ 140.617.018,00 no ano passado, valor que só aumenta a cada temporada desde 2010.

O Banco BMG, tradicional financiador dos clubes brasileiros, é responsável por boa parte quantia usada como capital de giro, que somou R$ 38.145.531,00, ou 27% do total de 2014. Os outros empréstimos foram feitos junto aos bancos BICbanco, Modal, Caixa e Fundo Polo Capital, além de Consórcio Maracanã, Ferj e CBF, includindo antecipações de cotas de direitos de TV. Em 2013, o valor total desses empréstimos era menor, de R$ 112.258.928,00, contra R$ 89.022.617,00 em 2012, R$ 60.854.831,00 em 2011 e R$ 50.981.518,00 em 2010.

A situação já gerou críticas da oposição à administração do presidente Eduardo Bandeira de Mello, com a acusação de que ele teria trocado a dívida pública por uma dívida privada. A atua gestão alega que os empréstimos bancários são necessários para manter em dia o pagamento das parcelas de impostos firmados para conseguir as certidões negativas de débito (CNDs), o que possibilita, entre outra coisas, os incentivos aos esportes olímpicos e a celebração do contrato com a Caixa Econômica Federal.

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Balanço financeiro do Flamengo mostra os empréstimos feitos pelo clube em 2014
Balanço financeiro do Flamengo mostra os empréstimos feitos pelo clube em 2014

Procurado pela reportagem do ESPN.com.br durante a semana, o vice-presidente de finanças Rubro-Negro, Rodrigo Tostes, não atendeu as ligações para falar sobre o tema. Neste sábado à tarde, o dirigente respondeu as perguntas e explicou que o aumento dos empréstimos é necessário para pagar as dívidas deixadas por gestões passadas.

"Diminuir os empréstimos é objetivo do clube, sim, mas a lógica é tirar da frente as dívidas caras de um Flamengo que não pagava as suas contas. Não trabalhamos para matar a dívida, mas, sim, para deixá-la barata e em um patamar de um terço da receita anual. Será possível fazer isso em mais três anos", afirmou Rodrigo Tostes, que acrescentou.

"Aumentamos a receita em quase 90& em dois anos. Mantivemos a despesa no mesmo nível que assumimos. O dinehiro foi usado para pagar a dívida de R$ 750 milhões quando assumimos, que hoje está em torno de R$ 520 milhões. Outro fator para a redução da dívida foi que com a volta da credibilidade por pagar as contas em dia, vem sendo possível pegar empréstimos a taxas menores do que tínhamos". 

No fim do ano passado, Tostes divulgou um vídeo nas redes sociais na internet e rebateu as críticas sobre o assunto.

"Quem deve dívida pública é o setor público. O Flamengo não troca dívida pública por dívida privada. O que o Flamengo está fazendo é pagar os impostos que não foram recolhidos. E por isso, sim, está indo aos bancos porque hoje tem crédito para pedir empréstimos e pagar o que foi deixado para pagar. São R$ 750 milhões e já pagamos R$ 200 milhões. Vamos pagar todos esses impostos. E são esses impostos que estão possibilitando ao Flamengo a pegar os benefícios com relação a piscinas, reformas na Gávea e todos os incentivos. É isso que vai fazer do Flamengo mais forte. Não acreditem em mentiras", explicou o vice de finaças do Fla.

Apesar da evolução financeira nos últimos anos, o planejamento do Flamengo é ter uma situação mais tranquila somente a partir de 2018, quando se livra do pagamentos desses empréstimos, realidade que faz parte da vida da maioria dos clubes do Brasil. No balanço de 2014, o time da Gávea teve uma receita líquida de R$ 334.308.220,00 e despesas de R$ 104.559.837,00.

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