Memória do Esporte Olímpico anuncia os documentários contemplados no 4º concurso do projeto

ESPN.com.br
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Memória do Esporte olímpico

Quatro vencedores são de São Paulo, dois do Rio de Janeiro, um de Minas Gerais e um de Pernambuco. Os filmes serão exibidos nos canais ESPN e em outras janelas até a Olímpiada de 2016, no Rio de Janeiro. Com o objetivo de preservar a história de atletas e técnicos que representaram o Brasil nos Jogos Olímpicos, o projeto já viabilizou um acervo com 31 curtas-metragens e dois médias.

Nos dias 25 e 26 de março, diretores e produtores dos 24 projetos selecionados para o pitching (defesa oral) do concurso IV do Memória do Esporte Olímpico Brasileiro se apresentaram diante da comissão técnica. Desse total, foram selecionados os oito vencedores que receberão até R$ 230 mil cada um para a realização de documentários sobre atletas nacionais e modalidades com representantes brasileiros na história dos Jogos Olímpicos - no total, serão investidos mais de R$ 1,8 milhão.

Haverá ainda um nono documentário, realizado por um cineasta convidado -pelo Instituto de Políticas Relacionais (IPR), responsável pelo projeto. O Memória do Esporte tem patrocínio da Petrobras, ESPN e EBrasil Energia e apoio da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV), Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV/Minc) e Cinemateca Brasileira. Entre os projetos contemplados, quatro são de São Paulo, dois do Rio de Janeiro, um de Minas Gerais e um de Pernambuco.

A comissão de seleção é formada pela cineasta Lina Chamie; pelo cineasta e representante da SAV/Minc, Heber Moura Trigueiro; pela produtora e representante da Petrobras, Elisa Tolomelli; pelo roteirista Newton Cannito e pelo jornalista, representante da ESPN e um dos criadores do Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, José Trajano.

Natação
Sob a responsabilidade da Rec Produtores - de filmes como Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda; e O Homem das Multidões (2013), de Marcelo Gomes e Cao Guimarães - o documentário pernambucano O Nado de Joanna vai abordar a carreira da nadadora recifense Joanna Maranhão. Dona do quinto lugar nos 400 metros nado medley na Olimpíada de Atenas, em 2004, (melhor colocação conquistada até hoje no nado feminino brasileiro), ela esteve no centro de uma polêmica em fevereiro de 2008, ao acusar um ex-treinador de tê-la molestado sexualmente na infância.

O resultado foi a Lei Joanna Maranhão, aprovada quatro anos depois, alterando o prazo de prescrição para crimes dessa natureza, que passou a ser contado a partir da data em que a vítima completa 18 anos. "Independentemente de ela ser pernambucana, é um personagem riquíssimo, cuja vida extrapola o mundo esportivo", diz Lucas Fitipaldi, diretor do documentário. "Joanna anunciou que ia se aposentar em 2014, mas mudou de ideia e voltou a treinar, com chances de disputar sua terceira Olimpíada".

O ano IV do projeto vai viabilizar ainda outro documentário sobre um herói nacional das piscinas. Seguindo a Linha - A História de Ricardo Prado será dirigido por André Bomfim para a paulistana RM Produções. O próprio protagonista relembra sua trajetória como atleta, treinando desde os 5 anos e participando dos Jogos Olímpicos pela primeira vez em Moscou, aos 15 anos, em 1980. O curta-metragem passa ainda pela Olimpíada de Los Angeles, em 1984, onde a inédita medalha de prata na prova dos 400 metros nado medley teve sabor de derrota - havia uma grande expectativa de que ele terminasse em primeiro. "Não faremos um filme apenas sobre a natação, mas também sobre infância, dor e amadurecimento", conta Bomfim.

Vela
Os irmãos Torben e Lars Schmidt Grael, símbolos da vela no país, são homenageados com o projeto Irmãos Grael, com produção da carioca Conde de Irajá e direção de Marina Fonte Pessanha. "Sou de Niterói, cidade onde eles são heróis e que está se transformando num polo de iatismo", diz a diretora. "Isso se deve, em parte, ao Projeto Grael, voltado a crianças e adolescentes. É impossível crescer lá sem admirá-los".

O filme pretende abordar a longa relação da família com o mar - o avô deles, Preben Schmidt, ensinou filhos e netos a velejar -, bem como a história das cinco medalhas olímpicas conquistadas por Torben e das duas de Lars. O acidente que mutilou a perna de Lars, em setembro de 1998, e a luta do atleta para voltar a velejar também constam do roteiro.

Vôlei
O Discreto Charme de uma Campeã, da Polana Filmes, de São Paulo, enfoca a carreira da levantadora paulistana Hélia Souza, mais conhecida pelo apelido de Fofão. Ela vestiu o uniforme da seleção brasileira em cinco Olímpiadas consecutivas, entre 1992 e 2008, conquistando duas medalhas de bronze (em Atlanta, 1996; e Sydney, 2000) e uma de ouro (Pequim, 2008).

"Vejo esse filme como um monumento para uma carreira tão especial", conta o diretor Fabio Meira, que já havia tratado do vôlei feminino na primeira edição do Memória do Esporte, em 2011. "Entrevistei a Fofão para Pátria, sobre a rivalidade entre Brasil e Cuba nas quadras em Atlanta, mas tive de cortar na montagem. Naquela Olimpíada ela estava apenas começando, mas fiquei com a impressão de que tudo sobre ela é menos falado do que deveria ser. Agora, a gente vai em busca do porquê".

Atletismo e ginástica artística
Menos famosa do que Joanna Maranhão, Ricardo Prado, Fofão ou os irmãos Grael, Irenice Maria Rodrigues pode ser redescoberta graças ao projeto Procura-se Irenice, proposto pela produtora paulistana Memória Viva. Thiago Mendonça vai dirigir esse documentário a respeito dessa atleta negra nascida em Itabira (MG), que, em 1967, quebrou o recorde sul-americano feminino dos 400 metros e o dos 800 metros.

Naquele mesmo ano, em plena ditadura militar, ela participou de um movimento grevista contra os desmandos do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Em 1968, durante os Jogos Olímpicos do México, Irenice foi desligada da delegação brasileira sob acusação de indisciplina e agressão, após ter brigado com outra atleta.

"Sua trajetória foi praticamente ‘apagada' pelo regime", diz Mendonça. "As fichas dela nos clubes pelos quais competiu trazem apenas a data de nascimento. Irenice é uma personagem que nos dá a chance de discutir as estruturas de poder, tanto no esporte quanto na ditadura militar".

Discutir outros temas é também a proposta de Carla Gallo, que vai dirigir Meninas, Arte, Memória Olímpica para a produtora paulistana Lua Azul. Ao abordar a trajetória de 12 mulheres que representaram a ginástica artística brasileira em oito Olimpíadas, ela pretende trazer um olhar infantil sobre o esporte, já que essa modalidade exige a prática desde a infância.

"Achei esse tratamento oportuno, porque a ideia me veio a partir do fascínio que eu sentia, quando criança, ao assistir ginástica artística pela TV", conta a diretora. "É o que de mais concreto me ocorre quando penso nas minhas próprias memórias sobre os Jogos Olímpicos".

Jogos Paralímpicos
Dois projetos sobre atletas paraolímpicos foram selecionados pelo Memória do Esporte: o mineiro Rosinha - A Força de uma Guerreira e o fluminense Clodoaldo - O Tubarão das Piscinas. O primeiro retrata a alagoana Roseane Ferreira dos Santos, a Rosinha, que teve uma das pernas amputadas em 1990, aos 18 anos, após ser atropelada por um caminhão.

Uma década depois, ela conquistava o ouro em duas modalidades (arremesso de peso e lançamento de disco) nos Jogos Paralímpicos de Sydney. "Além de ser um exemplo de vida e de superação, ela tem uma grande força no discurso e naturalidade diante da câmera", diz o diretor, Carlos Segundo.

A história de superação do nadador Clodoaldo Silva é acompanhada de perto desde o início por Gustavo Carvalho, produtor e autor do argumento de Clodoaldo - O Tubarão das Piscinas. Ele é filho da deputada estadual e cadeirante Tânia Rodrigues, fundadora da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), que chegou a emprestar recursos e a sediar o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) - do qual seu pai foi o primeiro presidente.

Amigo de longa data do nadador, Carvalho planeja há quatro anos um documentário sobre ele. Com problemas de mobilidade nas pernas desde o nascimento, Clodoaldo já conquistou 13 medalhas, sendo seis de ouro. "É difícil achar a história de um esportista com carga dramática tão forte, seja ele ou não um paralímpico", conta a diretora Susanna Lira. "O Clodoaldo virou uma referência para todo o esporte brasileiro", completa Carvalho.

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