Sucesso mineiro em campo aconteceu com explosão na dívida com governo

Marcus Alves, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Cruzeiro e Atlético-MG tiveram de frear suas contas para 2015
Cruzeiro e Atlético-MG tiveram de frear suas contas para 2015

Não saiu barato a construção da hegemonia mineira no futebol brasileiro na última temporada. Segundo relatório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional obtido pelo ESPN.com.br, Cruzeiro e Atlético-MG foram os grandes que mais elevaram suas dívidas com a União no período que compreende fevereiro de 2014 e de 2015.

A situação celeste é a que chama mais a atenção.

Nenhum time da Série A viu o seu débito subir tanto quanto o dos atuais bicampeões brasileiros. No período, o seu valor passou de R$ 7,879 milhões para R$ 19,801 milhões, em um aumento de 151%.

O endividamento da equipe foi um dos motivos de atrito entre seu presidente Gilvan de Pinho Tavares e o diretor executivo Alexandre Mattos, hoje no Palmeiras. O mandatário defendia o recuo nos gastos enquanto o cartola pregava a ida ao mercado por mais contratações.

Com a saída do banco BMG de seu uniforme, a diretoria cruzeirense concentrou seus esforços na entrada da Caixa Econômica Federal como patrocinador máster e enfrentou dificuldades exatamente por conta da ausência de todas as certidões negativas de débito, decorrente das dívidas acumuladas nos últimos anos. O clube completou três meses com o espaço mais nobre de seu uniforme em aberto.

Mesmo com a receita recorde de camisas, Gilvan de Pinho admite a situação ruim.

"É claro que incomoda", afirma.

O Atlético-MG, que faturou a Copa do Brasil no ano passado, surge logo atrás do rival Cruzeiro no levantamento da Fazenda Nacional. Entre 2014 e 2015, a sua dívida saltou de R$ 146,571 milhões para R$ 284,237 milhões, em crescimento de 94%.

A situação agora regularizada foi responsável por diversos bloqueios e penhoras sofridas pelo time alvinegro no período.

Em evento realizado na última quinta-feira no Palácio do Planalto, em Brasília, a presidenta Dilma Rousseff, do PT, assinou a medida provisória que será enviada ao Congresso Nacional e trata da renegociação das dívidas dos clubes de futebol com a União, estimadas entre R$ 3,5 bilhões e R$ 3,8 bilhões.

No futebol brasileiro, em 2013, entre os 12 maiores times do país - nem todos apresentaram balanço de 2014 -, somente Corinthians e São Paulo não foram deficitários, enquanto Internacional, Fluminense, Vasco, Flamengo, Atlético-MG, Palmeiras, Cruzeiro, Santos, Grêmio e Botafogo apresentaram prejuízos.

Uma das exigências do 'socorro' federal prevê que as agremiações, anualmente, não gastem mais do que 70% da sua receita bruta com o departamento de futebol.

Se essa regra fosse aplicada imediatamente, sete dos 12 maiores clubes já poderiam ser rebaixados, sanção cabível aos que não seguirem as novas normas descritas na medida provisória.

Veja trecho do pronunciamento de Dilma após assinar MP para negociar dividas dos clubes
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