Há oito anos na Holanda, zagueiro vira artilheiro e ainda sonha com seleção brasileira

Leonardo Ferreira, para o ESPN.com.br
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Zagueiro Eric Botteghin em ação pelo Groningen, da Holanda
Zagueiro Eric Botteghin em ação pelo Groningen, da Holanda

Não raro vemos exemplos de jogadores brasileiros que, antes de se profissionalizarem no país, 'batem as asas' e se mudam para o continente europeu. O paulista Eric Botteghin é mais um dos talentos nacionais que se destacam longe dos olhos do Brasil. Zagueiro de 1,93m, ele está há oito anos na Holanda e é um dos mais importantes jogadores do Groningen.

A oportunidade de jogar na Europa surgiu quando o atleta tinha apenas 19 anos, após um torneio sub-19 com o Internacional, seu time à época. O Zwolle, da primeira divisão holandesa, se interessou pelo jovem defensor. Para Botteghin, aquela seria a grande chance de trilhar sua carreira na Europa.

"Nós fomos campeões, eu fui super bem e um olheiro deles, que tinha contato com meu empresário, falou com ele. Então resolvi aceitar a proposta", contou em entrevista ao ESPN.com.br. A decisão, no entanto, não foi fácil de ser tomada.

"Lembro que tive que decidir em poucos dias. Foi bem difícil. Já tinha saído de casa para Porto Alegre, mas agora era outro esquema. Estava mudando de continente. Pensei um pouco antes de aceitar mesmo, até por não conhecer quase nada do Zwolle, mas como teria minha chance de dar o primeiro passo de ir para o profissional, vi com bons olhos e então aceitei a proposta", disse.

"Preferi aceitar a proposta do Zwolle, porque o AZ me disse que receberia chances no time sub-20 antes. A proposta do Zwolle era para eu já integrar o time profissional, o que me agradou muito", afirmou.Além do time de Overijssel, Botteghin revela que recebeu uma sondagem do AZ. Apesar de mais conhecido, a equipe de Alkmaar lhe daria chances apenas, num primeiro momento, nas equipes de base, o que o zagueiro não via com bons olhos.

Ao chegar na Holanda, o zagueiro viu no estilo de jogo uma forma de se adaptar rapidamente. O atleta, no entanto, revela quais foram as principais dificuldades no começo de seu caminho no Velho Continente.

"Adaptação é sempre difícil. País novo, cultura nova, outra língua. Cheguei em janeiro, um baita de um frio, mas graças a Deus me adaptei bem. Foi rápido, muito pelo jeito de pensar. O estilo de jogo é diferente, mas deu para se adaptar rapidamente", contou.

Apesar de completamente adaptado, Botteghin diz ter saudades de sua terra natal. Nas férias de verão e na parada do Natal para o Ano Novo, que conta com o recesso do Campeonato Holandês, o zagueiro volta para o Brasil. Com a comida, no entanto, ele afirma 'se virar bem' e comemora a presença de alguns restaurantes brasileiros.

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Botteghin também atuou pelo NAC Breda
Botteghin também atuou pelo NAC Breda

"Por mais que goste daqui, sempre sinto falta da família e dos amigos. Comida a gente já se vira, encontra lojas e restaurantes brasileiros em Amsterdã, mesmo aqui em Groningen ou em outras cidades. Consigo encontrar até picanha por aqui (risos)."

Apesar de ser defensor, o camisa 3 do time holandês é bastante efetivo no campo de ataque. Para se ter uma ideia, ele é o terceiro maior artilheiro do time na temporada, com três gols, a frente de quase todos os atacantes do time. A única exceção é Michael De Leeuw, que já marcou 13 vezes - o outro jogador com mais gols é o meia Tjarron Chery, com dez. O jogador de 27 anos, no entanto, afirma nunca ter jogado como atacante profissionalmente.

"Cheguei a jogar de atacante quando era pequeno, mas faz tempo que não jogo. Um fator legal que uso é o aproveitamento nos escanteios e nas faltas com cabeceios. Estou muito feliz com os três gols até agora e espero fazer até mais, quem sabe", celebrou.

Além da eficiência no ataque e na defesa, Botteghin triunfa em outro aspecto: a assiduidade. Ele jogou todos os 28 jogos do Groningen na temporada. Informação que surpreende até mesmo ao próprio zagueiro.

"Nunca tinha acontecido isso comigo. Desde a temporada passada, não tive nenhuma suspensão. Acho que se deve mais à experiência, estou numa idade que já joguei bastante, consigo ler mais fácil as situações de jogo, penso melhor antes de tomar atitudes. É quase impossível você não tomar cartão na minha posição. Agora estou pendurado com quatro cartões (na Holanda, a suspensão é com cinco amarelos), mas faz um tempão que não recebo", disse.

Depois de perder nomes como Thiago Motta e Diego Costa para Itália e Espanha, respectivamente, Eric Botteghin pode ser o próximo. Com passaporte italiano e muito tempo de estrada no futebol holandês, o zagueiro não descarta integrar essas seleções em caso de convite. O jogador, no entanto, é enfático ao mencionar qual país gostaria de representar no futuro.

"Se eu recebesse o convite de jogar pela seleção holandesa, aceitaria porque fui criado aqui, tenho muito carinho pelo país. Mas claro que escolheria mesmo a seleção brasileira, porque é meu país e sempre sonhei em ser convocado", finalizou.

Contra o PSV, no dia 15, Botteghin marcou seu terceiro gol na temporada. Assista!
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