Artilheiro do Paulistão foi dispensado por SP e Corinthians e quase parou na cadeia na Europa

Francisco De Laurentiis, do ESPN.com.br, e Vladimir Bianchini, da Rádio ESPN
Rafael Longuine, o artilheiro do paulistão que já foi recusado em grandes clubes do Brasil

Na briga pela artilharia do Paulistão, o nome que aparece com mais força até o momento é o do badalado Alexandre Pato. No entanto, um paranaense de 24 anos está entre os que querem colocar água no chope do centroavante do São Paulo.

Trata-se de Rafael Vinícius Carvalho Longuine, também conhecido como Rafinha, meia-atacante do Grêmio Osasco Audax, que anotou sete gols e é o máximo goleador do Estadual até agora. Longe de ter a fama de Pato, ele vem causando boa impressão na equipe do técnico Fernando Diniz, já que atua em várias posições na linha de frente e também chuta com precisão usando as duas pernas.

Os gols de Longuine saíram contra Palmeiras, Portuguesa, Marília, São Bernardo e Red Bull Brasil (3). As boas atuações do atacante já vêm chamando a atenção dos grandes do Estado, que estão de olho em seu contrato, que vai só até o final do Campeonato Paulista.

"É uma felicidade muito grande o momento que vivo na carreira, é especial, mas sei que tenho que trabalhar muito no dia e melhorar e conquistar mais coisas e gols. Procuro ouvir muito pouco sobre especulação, até comentei com meu empresário para não me passar nada para eu manter focado. Claro que estou feliz, mas ainda tem muita coisa pra fazer neste campeonato", disse o matador, em entrevista à Rádio ESPN.

Nascido em Paranavaí-PR, Longuine saiu de casa aos 13 anos para jogar no RS Carpegiani, time de futebol do técnico Paulo César Carpegiani em Porto Alegre. Fez a base lá e depois saiu para a sorte pelo Brasil. Fez testes em grandes clubes, mas não foi aprovado em nenhum.

"Tentei no Corinthians, São Paulo, Fluminense, Grêmio... Fui reprovado em todos. Claro que ficava chateado em cada recusa, mas nunca desisti de buscar meu espaço", revelou.

Quem lhe deu seu primeiro "sim" foi o Juventude, clube pelo qual iniciou a carreira, em 2009. Depois, rodou por XV de Jaú, Comercial-SP, Inter de Bebedouro e Rio Branco-SP antes de chegar ao Grêmio Osasco Audax, no início de 2015, e se firmar como goleador.

Durante suas andanças, Rafael também passou pelo LASK Linz, da Áustria, entre 2011 e 2012. No futebol europeu, viveu uma série de situações curiosas.

Quase cadeia e apuros na sauna mista

Ao ir do Comercial para o LASK, Longuine teve o famoso baque na adaptação aos costumes europeus. Saiu do famoso calor de Ribeirão Preto para a gelada Linz, cidade de 200 mil habitantes no norte da Áustria. No entanto, encarou os problemas de frente, já que sonhava desde criança com uma chance no futebol do exterior. No entanto, a juventude e a falta de conhecimento dos hábitos do novo país por pouco não lhe colocarem em uma enrascada logo em sua chegada ao Velho Continente.

Reveja um dos gols de Longuine no Paulistão:

Veja os gols do empate entre Osasco Audax e Portuguesa por 1 a 1

O atacante saiu do hotel onde morava junto com o também atacante Silvinho, aquele que jogou no São Paulo, em busca de um lugar para jantar. Queriam pegar o metrô, mas não sabiam como pagar pela passagem. Como não falavam inglês, ficaram sem informação, mas resolveram arriscar mesmo assim. Se arrependimento matasse...

"Era só colocar uma moeda, mas não sabíamos. Não tinha lugar para comprar bilhete igual no Brasil. Daí fomos usar o jeitinho brasileiro, né? Foram passando as estações do metrô e de repente olhamos para o lado e tomamos um susto: era o pessoal da fiscalização. Pensamos: 'Ferrou! E agora?", lembrou o jogador do Audax.

RENATO SILVESTRE/Gazeta Press
Rafael Longuine Gremio Osasco Audax Sao Bernardo Campeonato Paulista 27/02/2015
Longuine (esq) em ação pelo Audax

Os jogadores foram retirados do metrô e, dois minutos depois, a polícia chegou. Os oficiais pediram os documentos dos atletas, mas Longuine havia deixado os seus no hotel. A situação estava fugindo do controle.

"Sorte nossa que tinha um argentino com a gente que falava inglês, senão... Eu pensei: 'Meu Deus do céu, no que eu fui me meter? Onde eu vou parar?'. Estava apavorado. Mas o argentino explicou tudo direitinho pra eles. A polícia ligou no hotel para checar se estávamos hospedados lá, ligaram no clube para saber se éramos jogadores, teve tudo isso. Fomos liberados para comer e depois nos acompanharam até o hotel. A gente tomou multa e no dia seguinte teve que ir à delegacia para pagar", relatou o meia-atacante.

Foi também na Áustria que o artilheiro do Paulistão passou apuros, mas desta vez em uma situação engraçada. Na primeira vez em que foi fazer sauna para aliviar o frio de Linz, foi surpreendido pelas mulheres nuas que dividiam o espaço com os homens. Costumes comuns no país, mas desconhecidos por Longuine, que foi pego no contrapé.

"Eles têm o costume de entrar homens e mulheres pelados juntos na sauna, mas nós, brasileiro, estramos de sunga. O pessoal ria da nossa cara, mas não é costume nosso entrar pelado. E tinha várias mulheres nuas junto com os homens, a gente estranhou. O tradutor disse que era normal todo mundo entrar pelado, mas eu falei que não ia! Complicado isso aí, não dá certo um negócio desses (risos)", divertiu-se.

Para seguir na artilharia do Estadual, Rafael Longuine volta a campo neste domingo, quando o clube da Grande São Paulo enfrenta o Ituano, fora de casa, às 18h30.

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