Estrelas de 'evento do ano', mulheres recebem menos da metade que homens no UFC

Thiago Cara, do ESPN.com.br
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UFC - Mulheres - Capa
Mulheres do UFC: em alta no prestígio, mas em baixa nas finanças

Depois de um ano de 2014 abaixo das expectativas, o UFC apostou suas fichas no evento que acontece neste sábado, em Los Angeles. A programação inicial tinha duas disputas de título e diversos atletas de peso, até que alguns imprevistos obrigassem a organização a mexer no card. No fim, quatro mulheres protagonizarão as duas principais lutas do "show do ano".

O caso do UFC 184 pode ser interpretado como um sinal do prestígio que as lutadoras do sexo feminino gozam na maior organização de lutas da atualidade, mas, financeiramente, a realidade não é bem essa. O ESPN.com.br se debruçou sobre os salários que os lutadores recebem e constatou que as mulheres ainda estão bem abaixo da média dos homens.

Para o levantamento, foram considerados todos os atletas que aparecem na lista de lutadores do site oficial do UFC, desprezando os que já se aposentaram do MMA e os que ainda não estrearam no evento. Nessas condições, são 547 profissionais, sendo 496 homens e 51 mulheres, que tiveram usado como base o pagamento por sua última aparição na organização.

A média geral de salários pagos pelo UFC é de 27,8 mil dólares (quase R$ 80 mil) por combate. Os lutadores do sexo masculino aparecem acima dessa linha, recebendo, em média, 29,4 mil dólares (R$ 83,8 mil) a cada vez que entram no octógono. As mulheres não conseguem ganhar nem metade disso, com remuneração média de US$ 11,6 mil (R$ 33 mil).

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UFC - Mulheres - gráfico1
Média de salários do UFC é de US$ 27,8 mil. Homem aparecem acima; mulheres, abaixo

Ronda Rousey, por exemplo, é a estrela principal do UFC 184 e, discutivelmente, de toda a organização no momento. Ainda assim, seu salário, ou seja, a quantia que ganha para entrar no octógono e lutar, independentemente de seu resultado ou desempenho, é apenas o 48º maior entre os atletas do UFC: 60 mil dólares, ou R$ 171 mil, por luta.

No ranking de salários, a atual campeã dos galos aparece abaixo, por exemplo, de atletas como Cung Le, que é mais famoso pela carreira como ator do que como lutador e recebe US$ 150 mil (R$ 427 mil) por combate. O maior salário do UFC, os US$ 600 mil (R$ 1,7 mi) do brasileiro Anderson Silva, é dez vezes maior do que o de Ronda Rousey.

Entre os donos de cinturão das dez categorias do UFC, Ronda também só ganha mais do que dois campeões: TJ Dillashaw, recém-coroado entre os galos (US$ 50 mil), e Carla Esparza, justamente a outra mulher no topo de uma categoria feminina (US$ 25 mil). Todos os outros recebem, no mínimo, US$ 100 mil.

Salário mínimo

A recente criação do peso palha, em que Esparza é a campeã, poderia ser uma das justificativas para tamanha discrepância entre as médias salariais, já que grande parte das lutadoras da categoria só lutou uma vez e está no patamar mínimo pago pelo UFC a seus atletas atualmente - o valor de oito mil dólares, ou R$ 22,8 mil.

Na comparação com os moscas, contudo, a teoria cai por terra. A categoria, masculina, também não foi criado há tanto tempo, mas a média salarial dos atletas já é superior à dos dois pesos femininos do UFC. Os homens que pesam até 57kg recebem US$ 17 mil, enquanto as mulheres do palha ganham US$ 9,6 mil, e as do galo, US$ 13,3 mil.

Na proporção de lutadores que ganham apenas o "salário mínimo" do UFC, a diferença também assusta. Dos 496 homens da organização, 32% ou 159 recebem oito mil dólares para lutar. Já entre as 51 mulheres, 64% ou 33 têm essa remuneração.

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Mais da metade das lutadoras mulheres do UFC recebem apenas o 'salário mínimo'

O UFC não está sozinho

A realidade vivida por lutadoras no maior evento de MMA da atualidade não é exclusividade. Nos Estados Unidos, país-sede da Zuffa, empresa que comanda o UFC, o salário de uma pessoa do sexo feminino também vale menos que o de uma do sexo masculino, como mostra o gráfico abaixo, com dados do Fórum Econômico Mundial. No Brasil, a lógica é a mesma.

Ainda assim, comparado com os dois países, o UFC é quem tem salários mais desproporcionais. O ganho de uma lutadora representa apenas 39% do que recebe um lutador homem, enquanto no Brasil, o 76º em um ranking mundial de 142 países, essa relação é de 58%.

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Comparação de quanto vale o salário de uma mulher em relação ao de um homem 

Em uma espécie de "contrapartida", no UFC, os lutadores têm, ao menos, a possibilidade de multiplicar seus ganhos com vitórias (em que o valor do salário é dobrado), bom desempenho (o UFC distribui bônus de 50 mil dólares para os destaques de cada noite) ou mesmo com participação em publicidade, no caso de atletas mais conhecidos.

A regra, porém, vale tanto para os homens, quanto para as mulheres. Uma condição de igualdade que só mascara o quão desiguais ainda são os dois sexos no mundo das lutas.

Veja o card completo do UFC 184, com quatro mulheres nas lutas principais:

Ronda Rousey (EUA) x Cat Zingano (EUA) - Pelo título do peso galo feminino
Raquel Pennington (EUA) x Holly Holm (EUA) - Peso galo feminino
Jake Ellenberger (EUA) x Josh Koscheck (EUA) - Peso meio-médio
Alan Jouban (EUA) x Richard Walsh (AUS) - Peso meio-médio
Tony Ferguson (EUA) x Gleison Tibau (BRA) - Peso leve

Mark Muñoz (EUA) x Roan Carneiro (BRA) - Peso médio
Roman Salazar (EUA) x Norifumi Yamamoto (JAP) - Peso galo
Dhiego Lima (BRA) x Tim Means (EUA) - Peso meio-médio
Derrick Lewis (EUA) x Ruan Potts (AFS) - Peso pesado
James Krause (EUA) x Valmir Lazaro (BRA) - Peso leve
Masio Fullen (MEX) x Alexander Torres (COL) - Peso pena

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