Denúncias de desvio de dinheiro fazem futsal virar caso de polícia

Camila Mattoso e Lucas Borges, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br
Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Parque São Jorge voltará a receber uma semifinal entre Corinthians e Orlândia
Ginásio do time de futsal do Corinthians, no Parque São Jorge

A cúpula da Confederação Brasileira de Futsal - CBFS - será investigada nos próximos dias por um caso de desvio de dinheiro através de empresa fantasma. A reportagem do ESPN.com.br teve acesso a documentos que na próxima segunda-feira serão entregues juntamente com uma queixa crime à Polícia Civil, à Polícia Federal e ao Ministério Público.

O então vice presidente de competições da entidade e hoje presidente da Confederação, Renan Menezes, e Louise Bedê, atual vice de administração, receberam durante 2013 parcelas de R$ 10 mil por meio da ARFE, firma de "produção e logística de eventos" de propriedade de Armando Gondin, genro de Aécio de Borba, ex-mandatário da CBFS.

As parcelas de "gratificação pecuniária prevista no estatuto da CBFS" (segundo consta no recibo assinado por Renan Menezes) seriam mensais segundo a acusação e, como demonstram os documentos obtidos pelo ESPN.com.br, chegaram também à conta corrente da esposa de Renan, Edineide Menezes, que nunca foi funcionária da CBFS.

Reprodução
Comprovante de pagamento a Renan Menezes pela empresa Arfe
Comprovante de pagamento a Renan Menezes pela Arfe
Reprodução
Comprovante de pagamento a Edileide Menezes, esposa de Renan Menezes, pela empresa Arfe
Comprovante de pagamento a Edileide Menezes, esposa de Renan Menezes
Divulgação
Documentos comprovam pagamento  a membros da Confederação Brasileira de Futsal através da empresa ARFE
Documento comprova pagamento a Louise Bedê

Aécio Borba renunciou ao cargo em junho deste ano, depois de ter as contas da Confederação rejeitadas e ser acusado de nepotismo.

Auditoria realizada no primeiro semestre de 2014 apontou que cerca de R$ 3 milhões foram gastos em 2013 pela CBFS com serviços não identificados. E que a ARFE ainda emprestou R$ 2,5 milhões à parceira, em março de 2014.

Vale ressaltar que a receita da CBFS em 2013 chegou a cerca de R$ 32 milhões por meio de contratos de patrocínio com empresas públicas como Banco do Brasil e Correios. O Banco do Brasil não renovou o vínculo com a seleção de futsal, mas os Correios mantêm em sua página na internet informações sobre a parceria.

Viviane Sobral/CBFS
Da esquerda para a direita, Renan Menezes, Aécio da Borba e na ponta direita, Louise Bedê, dirigentes da CBFS
Esq à dir: Renan Menezes, Aécio da Borba, Vicente Piazza, ex-vice-presidência geral da CBFS e Louise Bedê

Ouvido pela reportagem, Renan Menezes alegou a respeito dos repasses de R$ 10 mil: "Devem ter sido pagamentos referentes ao período que integrei o comitê da liga nacional, ficou definido que tanto o comitê como a direção que integrava a liga recebiam pagamento. Não houve ilegalidade, essas denúncias são denúncias levianas da oposição."

Já sobre a informação de que sua esposa recebeu dinheiro da Confederação em 2013, o presidente da CBFS explicou: "Pode ter ocorrido de eu ter dado o numero da conta da minha esposa, mas não tem nenhum documento assinado por ela, se tivesse, tudo bem."

O motivo de pagamentos serem feito pela ARFE Renan não soube esclarecer. Ele afirma ter rompido vínculo com a empresa ainda antes de assumir a presidência. "Quem tem que dizer é o ex-presidente ou a própria empresa, mas toda movimentação financeira [da Confederação] era feita pela ARFE. O que posso dizer é que desliguei qualquer vínculo com a empresa, toda ligação familiar foi desligada."

O ESPN.com.br tentou contato com Aécio de Borba até o momento da publicação desta matéria, mas não foi atendido.

Em participação no programa 'Bola da Vez' da ESPN Brasil, no começo de abril, o jogador Falcão protestou contra a entidade então comandada por Aécio de Borba desde 1979, ano da fundação da CBFS: "No ano passado entraram R$ 30 milhões e não vimos benefício nenhum para a Liga Futsal e os atletas. Tem jogador que emitiu nota e até agora não viu o dinheiro. Os patrocinadores, então, não querem nem ouvir falar de futsal."

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