Banco do Brasil suspende patrocínio da CBV após relatório da CGU confirmar denúncias do 'Dossiê Vôlei' da ESPN

ESPN.com.br
DOSSIÊ VÔLEI

A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) começa a sentir os efeitos do relatório da CGU (Controladoria Geral da União), que confirmou e ampliou denúncias do 'Dossiê Vôlei' da ESPN. Na tarde desta quinta-feira, o Banco do Brasil, patrocinador da entidade esportiva, emitiu uma nota oficial na qual anuncia a suspensão dos pagamentos dos contratos com a CBV.

Além disso, o Banco do Brasil condiciona a volta do pagamento do patrocínio ao cumprimento das recomendações feitas pela CGU.

Nesta quinta-feira, jornalista Lúcio de Castro, responsável pelas denúncias de irregularidades da CBV, veiculou com exclusividade o relatório final da CGU. O documento não só confirma, como também amplia as denúncias.

De acordo com a CGU, há casos de favorecimentos e licitações viciadas. Além disso, o relatório relaciona que o "gerenciamento impróprio" das verbas teve efeito direto no bolso dos atletas. Tudo evidenciado com documentos e números.

O relatório repercutiu entre atletas de seleção brasileira. "Nós não vamos nos calar!", disse o levantador Bruninho, por meio de seu Twitter oficial. "O pior é fingirem que esta tudo bem! Ou que nada aconteceu!", afirmou Murilo, também no microblog.

Leia, abaixo, na íntegra, a nota oficial do Banco do Brasil.

"O Banco do Brasil informa que suspendeu os pagamentos à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) referentes aos contratos de patrocínio e condiciona a retomada dos pagamentos - e a continuidade do patrocínio - à adoção imediata pela CBV de todas as medidas corretivas apontadas pela Controladoria Geral da União (CGU), além de outras identificadas pelo Banco como necessárias.

Parte das medidas apontadas pela CGU foram previamente identificadas pelo BB e constam de aditivo contratual que foi negociado com a CBV, porém sem resposta final por parte da Confederação.

O Banco do Brasil reitera que não irá compactuar com qualquer prática ilegal, ou que seja prejudicial ao esporte e à comunidade do vôlei, e entende ser necessário que a CBV adote novas práticas de gestão que tragam mais disciplina e transparência à aplicação dos recursos."

Às 17h30, a CBV emitiu nota oficial. Leia, abaixo, na íntegra:

"A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) recebeu na tarde de 04/12/2014 o relatório nº 201407834 de auditoria da Controladoria Geral da União, depois da série de denúncias da ESPN sobre a gestão do ex-presidente Ary Graça Filho.

Mesmo antes do relatório final, a nova gestão tomou providências visando implantar uma governança responsável e, acima de tudo, ética. Entre as medidas sugeridas pela CGU no relatório final já havia contratado auditoria para analisar os exercícios anteriores, cancelando contratos que possuíam vícios éticos, abrindo as contas e disponibilizando documentos para as entidades de fiscalização, sem restrição nenhuma. Desde abril de 2014 publica mensalmente balancetes em seu sítio eletrônico, tem um modelo de governança desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas, já reestruturou o quadro administrativo, criou medidas de aprimoramento na seleção de fornecedores e implantou uma auditoria interna permanente.

A reportagem publicada pela ESPN restringe-se a duas citações sobre a responsabilidade da atual gestão. A primeira sobre pagamentos em 2014 para a empresa SMP Sports Marketing, totalizando 188.000,00 reais. A empresa de propriedade de Marcos Pina recebeu pelos serviços prestados pelo citado de novembro de 2013 a fevereiro de 2014, quando foi superintendente da CBV e recebia via pessoa jurídica o valor mensal de 47.000,00 reais. Nenhum outro pagamento após o seu desligamento foi efetuado.

Sobre a segunda citação, a CBV expressa veementemente que o diretor de eventos Marcelo Wangler recebe apenas uma remuneração mensal, paga através da pessoa jurídica MWangler Produções e Eventos Ltda.

De posse do relatório final da auditoria da CGU a CBV tomou as medidas que estão ao seu alcance legal, contratando o escritório jurídico Thompson Motta Advogados Associados para acionar judicialmente buscando o ressarcimento dos valores gastos com contratos ou serviços suspeitos.

A determinação do presidente da CBV, Walter Pitombo Larangeiras, é para o cumprimento integral das medidas sugeridas pela Controladoria Geral da União. O esforço agora é para implementar aquelas que são essenciais para a melhoria do voleibol brasileiro, a exemplo da criação do Conselho de Apoio à CBV, formado por atletas, técnicos e a comunidade do voleibol."

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