Na terra do Drácula, brasileiro viu até 'Chuck Norris' armado no vestiário. E deu risada...

Francisco De Laurentiis, do ESPN.com.br, e Vladimir Bianchini, da Rádio ESPN
Reprodução/Facebook
Roberto Dias
Zagueiro Roberto Dias, o contador de histórias

No mundo da bola, poucos contam histórias tão bem quanto o zagueiro Roberto Dias Correia Filho, do América-RN. Uma de suas favoritas aconteceu no ano passado, durante sua passagem pelo Astra Giurgiu, da Romênia - "terra do Drácula", como descreve o próprio jogador, em referência ao mais famoso dos vampiros.

"Foi turbulento... Engraçado, mas turbulento...", inicia o beque, em entrevista à Rádio ESPN.

Segundo Dias, quase ninguém na equipe falava inglês, nem mesmo o presidente. Havia também um racha no elenco da equipe entre jogadores brancos e negros, que já vinham se estranhando. Tudo piorou com três meses de salários atrasados e a eliminação na Liga Europa para o Maccabi Haifa, que acabou culminando em um atrito explosivo.

"Começou o treino, tudo normal. Aí o Bukari, um senegalês que era negro, e o Syam, um francês branco, trombaram e começaram a brigar, mas parou aí. Voltamos pro treino da tarde, e o treinador, sei lá com que intenção, dividiu os times em brancos contra negros. Tava na cara que não ia dar certo. E não deu outra...", relatou.

Logo no primeiro lance do "rachão", Syam e Bukari se pegaram, e uma enorme batalha começou entre os jogadores. Roberto Dias, que não falava uma palavra de romeno, nem de francês, ficou sem entender nada.

"Começou todo mundo a brigar, era branco contra nego trocando soco, chute... E eu lá, de braço cruzado, sem entender nada (risos)! Aí o pessoal brigou por um tempo, esfriaram a cabeça e foi todo mundo para o vestiário. Parecia que tinha acabado tudo bem, que só estavam precisando 'lavar a roupa suja'...", contou.

Mas não tinha acabado...

"No outro dia, estávamos nos vestindo para o treino no vestiário, e chega o Syam, o francês, com uma arma na cintura e um óculos igual ao do Chuck Norris [ator de filmes de ação]. Ele sacou a arma pro alto e começou a gritar que nem um louco: 'Quero ver quem é que vai brigar agora!'", recordou o brasileiro, que achou que tudo era piada.

Reprodução
Chuck Norris
Os famosos óculos do ator Chuck Norris

"Eu comecei a rir. Sabe como é brasileiro, né? Achei que era piada. Os caras ficaram p... comigo!".

Depois dessa, Dias achou melhor voltar ao futebol brasileiro, e acertou com o CSA, de Alagoas. Após boas atuações, foi contratado pelo América-RN, clube pelo qual disputou a última Série B.

Sem repetir o mesmo sucesso dos tempos de Campinense, clube pelo qual foi campeão da Copa do Nordeste, acabou rebaixado para a Série C com o clube alvirrubro, disputando 17 partidas na campanha.

Enquanto ainda define seu destino para o ano que vem, ele segue contanto histórias.

Escapando da concentração

Roberto Dias tem como um dos grandes parceiros na bola o volante Baraka, ex-Ponte Preta e atualmente no Coritiba. Certa vez, quando atuavam juntos no Flamengo de Guarulhos, resolveram arriscar uma fuga da concentração.

"A gente era moleque, e olha as coisas que moleque faz...", diz o defensor, preparando o terreno.

"A gente morava debaixo da arquibancada, e nossos carros ficavam em frente à guarita do Pedrão, o porteiro, que deve trabalhar lá até hoje. Um dia, conseguimos o molho de chaves do clube, fomos no chaveiro e copiamos todas. Uma noite de terça, falei pro Baraka: 'Vamos aproveitar!' (risos)", lembrou.

A dupla saiu pé ante pé, de maneira silenciosa, para não chamar a atenção. No início, ficaram preocupados, até perceberem que o porteiro dormia pesado na guarita.

"Desengatamos o carro, abrimos o portão e empurramos mais de 500 metros até ligar. Mas nem precisava, porque depois fomos olhar e o Pedrão tava até babando durante o sono. Podia cair uma bomba que ele não acordava (risos)", sorriu.

Mas nem sempre as escapadas da concentração davam certo.

"Uma vez, umas meninas estava esperando a gente pra sair. Fizemos o mesmo esquema, mas, quando abrimos o portão, o treinador estava chegando! Tivemos que pular em uma moita que tinha ali perto e ficar esperand pra voltar pro quarto. Ficamos imundos, deu tudo errado", divertiu-se Roberto Dias, que garante ter mudado.

"Hoje não faço mais isso, não!".

Comentários

Na terra do Drácula, brasileiro viu até 'Chuck Norris' armado no vestiário. E deu risada...

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.