Messi pode superar Zarra; conheça 9 histórias sobre o maior 9 espanhol

Thiago Arantes, de Barcelona, para o ESPN.com.br
Conheça Telmo Zarra, o mito que Messi pode superar neste final de semana

Pode ser no jogo deste sábado, no próximo ou no seguinte. Mas, em algum momento, acontecerá. Lionel Messi será, dentro em breve, o maior goleador da história do Campeonato Espanhol.

E deixará para trás o lendário Telmo Zarra, que fez 251 gols na Liga, todos pelo Athletic Bilbao. Zarra, que morreu em 2006, é o mais mítico dentre os atacantes espanhóis.

Maior que César Rodríguez, ídolo do Barcelona; mais representativo que Santillana e Raúl, estrelas do Real Madrid.

"Se Zarra fosse inglês, teriam estátuas dele em todas as cidades", disse, certa vez, o goleiro Bert Williams, que sofreu o gol mais famoso do atacante. Foi num Espanha 1 x 0 Inglaterra, na Copa do Mundo de 1950, no Maracanã. O gol levou os espanhóis à fase final do torneio, junto de Suécia, Brasil e Uruguai.

Em Bilbao, Zarra é um herói. Na Espanha, um atacante lendário. Foi dele, durante 60 anos, o gol mais importante do futebol espanhol; em 2010, Iniesta o superou ao marcar diante da Holanda, em Johanesburgo, fazendo da Fúria a campeã mundial.

No Brasil, palco de sua maior façanha, Zarra só é conhecido dos mais fanáticos. Por isso, o ESPN.com.br lista abaixo nove histórias incríveis do mais famoso camisa 9 da Espanha:

De olhos bem abertos
Na infância, e mesmo no início da carreira no futebol, Zarra cabeceava com os olhos fechados. Tinha medo de se machucar com a bola. Um dia, tentou abrir os olhos. Nunca mais fechou. "Meu segredo é que nunca cabeceava com os olhos fechados, e também tinha um grande senso de antecipação", dizia.

Em sua época, o atacante foi alvo de uma brincadeira que se tornou famosa. Na Suécia, o anúncio de uma partida entre a seleção nacional e a Espanha dizia: "Venham ver a melhor cabeça da Europa depois da de Winston Churchill".

A falha mais acertada
Zarra sempre foi um atacante físico, que ganhava a maior parte das disputas com os adversários. Mas nem por isso era desleal. Pelo contrário. Só foi expulso uma vez na carreira e, até seus últimos dias, reclamava da decisão do árbitro.

Seu maior exemplo de fair play foi em um duelo entre seu Athletic Bilbao e o Málaga. O goleiro do adversário se machucou durante uma disputa de bola, e Zarra, com o gol vazio à sua frente, não marcou.

O Athletic perdia aquela partida por 1 a 0. Depois do ato de Zarra, venceu por 3 a 1, com dois gols do camisa 9. "Nunca me arrependi de fazer aquilo. Mas ainda bem que ganhamos", divertia-se o atacante.

De ouvidos bem fechados
O jogo viril de brasileiros e uruguaios incomodou Zarra na Copa do Mundo de 1950. O atacante considerava os rivais vigorosos em excesso, desleais. Mas nada o incomodava mais do que os fogos de artifício que a torcida soltava para comemorar os gols.

A família de Zarra foi vítima da Guerra Civil Espanhola. Seu irmão Dominguín, também jogador, morreu durante os combates. A cidade em que Zarra nasceu, Erandio, era próxima a Guernica, onde houve o mais famoso bombardeio da Guerra, que virou quadro de Picasso.

O jovem Telmo ouviu o barulho das bombas. Os foguetes no Brasil o faziam lembrar daquele dia triste.

As mangas da camisa
Fosse no calor, no frio ou na neve, Zarra sempre jogava com camisas da mangas compridas, cobrindo as mãos. O hábito peculiar era uma mania daquelas para as quais que não havia muitas explicações.

Mas a imprensa brasileira, durante a Copa do Mundo, encontrou um suposto motivo para o estilo incomum do atacante: ele jogaria assim para poder tocar a bola com as mãos sem que os árbitros percebessem.

O assunto foi um dos principais nos dias anteriores ao confronto entre Brasil e Espanha, pela fase final da Copa. Mas o brasileiros venceram por 6 a 1. E as mangas de Zarra pouco puderam fazer.

Gol de cinema
O gol da vitória por 1 a 0 sobre a Inglaterra é o mais famoso da carreira de Zarra e provocou uma comoção sem precedentes na Espanha. E levou a uma situação que, hoje, parece surreal. O jornalista Toni Padilla, autor do livro "Brasil 50", diverte-se ao contá-la.

"O regime franquista usou o futebol para fazer propaganda e mandou uma equipe de rádio para transmitir ao vivo todos os jogos da Copa do Mundo no Brasil. O gol de Zarra foi narrado ao vivo. Depois, colocaram em todos os cinemas: as pessoas iam ao cinema ver um filme, um western de Hollywood por exemplo, e antes aparecia o gol de Zarra".

O gol, um dos mais fáceis da carreira de Zarra, acabou se tornando um gol de cinema. Literalmente.

O ferroviário
Pedro Zarra, pai do atacante, era um senhor sério, que trabalhava vendendo bilhetes na estação de trem da cidade de Mungia, e que não gostava de futebol.

O patriarca dos Zarra nunca se opôs, no entanto, que seus filhos praticassem o esporte. De seus 10 rebentos, os cinco homens tentaram carreira, todos eles com algum sucesso.

Quando seu filho mais famoso marcou o gol contra a Inglaterra, muita gente foi até a estação dar os parabéns a Pedro. Empolgados, narravam o gol para o pai do novo herói nacional.

"Ah, esse Telmo...", disse. E continuou vendendo seus bilhetes de trem.

No escurinho
Zarra sempre foi um apaixonado por cinema. Gostava de ir assistir aos filmes em Bilbao, principalmente depois que se casou com Carmen Beldarrain. Mas a fama, sobretudo após o gol contra a Inglaterra na Copa do Mundo, mudou a vida do atacante.

O assédio dos torcedores passou a ser tanto que, para manter o hábito, o atacante passou a usar um truque: ele continuou a ir ao cinema, mas sempre chegava depois do início dos filmes.

No escurinho, ele e a esposa entravam sem serem reconhecidos. Mas, no fim dos filmes, ele não escapava de dar seus autógrafos e tirar fotos.

Jogando de graça
Zarra marcou seus 251 gols na Liga Espanhola jogando pelo Athletic Bilbao. Há quem diga que a equipe foi a única da vida do atacante. Não foi.

Depois de pendurar as chuteiras pela equipe, o camisa 9 ainda defendeu duas equipes: o Indautxu e o Barakaldo, ambas de divisões inferiores do futebol espanhol.

Para quem perguntava o porquê, ele sempre tinha a resposta. "Alguns amigos me pediram, e eu queria jogar. Nunca cobrei um centavo".

Amigos para sempre
Zarra morreu em 2006, vítima de um infarto. No funeral, uma surpresa emocionou a família do artilheiro: Bert Williams, o goleiro inglês que sofreu o gol daquele jogo no Maracanã, foi até Bilbao.

Os dois mantiveram uma relação próxima desde a Copa do Mundo, sempre mantendo contato por cartas.

Em 1997, quando o Athletic fez uma homenagem a Zarra, Williams apareceu de surpresa. O atacante se emocionou com a presença do amigo.

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