Henrique já foi 4º reserva na Série C e leva 'caravanas' para torcer por ele

Francisco De Laurentiis, do ESPN.com.br, e Vladimir Bianchini, da Rádio ESPN
Miguel Schincariol/Getty Images
Henrique Comemora Gol Palmeiras Figueirense Campeonato Brasileiro 22/05/2014
Henrique, 'Ceifador': 13 gols e artilharia do Brasileirão pelo Palmeiras

Hoje artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 13 gols, o atacante Henrique, do Palmeiras, teve que suar muito a camisa e subir muitos degraus até chegar ao Palestra Itália. Em seu início de carreira, tropeçou pelos gramados das divisões inferiores de São Paulo, e chegou até a amargar o posto de 4º reserva de um time que disputava a Série C do Campeonato Brasileiro.

Isso aconteceu no Santo André, equipe pela qual Henrique jogou em 2011, após ter passado por Flamengo de Guarulhos, Lemense e União São João. Ele era a última opção de ataque do técnico Geime Rotta, e tinha pouquíssimas chances de entrar em campo. Seu único momento de brilho aconteceu na última rodada do torneio naquele ano, por obra do acaso.

Na ocasião, o clube do ABC foi ao Rio Grande do Sul jogar contra o Brasil, em um jogo que já não valia mais nada. Chegando a Pelotas, porém, a diretoria da equipe paulista notou que alguns atletas estavam com problemas de documentação, e acabou tirando vários da partida, para evitar perda de pontos no STJD. Ainda assim, Henrique começou no banco, mas entrou na 2ª etapa e fez o gol que garantiu o empate por 1 a 1. Foi a partir daí que sua carreira deslanchou.

Segundo o ex-goleiro Gustavo Ferreira, um de seus melhores amigos e colega de quarto nos tempos de Santo André, dava para saber desde cedo que o centroavante iria longe um dia.

"Eu já via muito potencial nele. Desde jovem, era alto, forte e finalizava muito bem. Às vezes, o pessoal cobra dele coisas que não são justas, mas é um cara que faz ótimas médias de gols, bate pênalti, cabeceia bem, finaliza de dentro e fora da área... Com certeza, era um cara que valia a pena prestar atenção desde o tempo de Santo André", disse Ferreira, em entrevista à Rádio ESPN e ao ESPN.com.br.

"O Henrique tem tudo o que o atacante moderno precisa. É bom profissional, bom caráter, bom marido, bom filho... Isso somado às habilidades dele, tem tudo pra ser um dos grandes centroavantes do Brasil. O pessoal às vezes critica, mas ele está provando que deu conta de substituir o Alan Kardec, que é um dos melhores atacantes do país, no Palmeiras", completou.

Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
Henrique Comemora Gol Palmeiras Botafogo Campeonato Brasileiro 08/10/2014
Henrique passou por 10 times antes do Palmeiras

Depois do Santo André, Henrique arrebentou em passagens por Cianorte (14 gols em 30 jogos) e Chapecoense (cinco gols em oito jogos). Foi para o Mogi Mirim, clube pelo qual fez muito sucesso no Paulistão de 2013, sendo contratado depois pelo Santos. Na Vila Belmiro, não vingou, e acabou emprestado à Portuguesa, clube no qual reencontrou seu futebol.

Ele chegou ao Palmeiras dias depois do atacante trocar o Palestra Itália pelo São Paulo. Logo em sua estreia, marcou contra o Flamengo, no Maracanã. Ao longo do Brasileirão, foi deixando seus gols e se popularizou ao fazer a comemoração na qual "degolava" os adversários - por isso, ficou conhecido como "Ceifador". Seu bom aproveitamento nas cobranças de pênalti também chama a atenção, mas Gustavo Ferreira ainda se assusta.

"Mandei uma mensagem pra ele outro dia: irmão, mete a bicuda pra dentro do gol. Desse jeito que você tá batendo, colocadinho, você mata seus amigos do coração", brincou.

Você vem da caravana de onde?

Outra curiosidade revelada sobre Henrique por seu amigo é que o artilheiro do Brasileirão costuma levar uma caravana de parentes e amigos para suas partidas. Segundo Ferreira, ele faz isso desde sempre, o que já ocasionou situações engraçadas.

"O Henrique é um atleta que dificilmente será vaiado em campo, porque a família dele ocupa o estádio quase todo (risos). Quando a gente jogava no Lemense, saia um ônibus lá de Guarulhos pra ver os jogos dele. No Pacaembu, pode ter certeza que tem no mínimo uns 100 familiares dele todo jogo. Ele deve gastar metade do salário dele pra comprar ingresso", diverte-se o ex-goleiro.

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"Ele nunca deu problema pra ninguém. O único problema é que ele leva 450 pessoas pra torcer pra ele todo jogo, aí não pode vaiar o Henrique, senão apanha (risos). Já soube umas histórias da família dele ter ficado brava com determinadas críticas e feito o maior barraco em alguns jogos", completa.

Antigamente, Henrique também era completamente avesso a entrevistas pós-jogo, já que costumava se enrolar todo na presença de repórteres. Gustavo Ferreira está bastante surpreso em como o "Ceifador" tornou-se um porta-voz do Palmeiras atualmente, falando com a imprensa tanto nos momentos de crise como de alegria.

"Outro dia falei brincando que ele tava dando entrevista muito bem. Quando ele foi pro Palmeiras, tirei maior sarro: 'Você vai assassinar o português nas entrevitas, vai matar o professor Pasquale (Cipro Neto) do coração'. Muito pelo contrário, está indo muito bem. É uma grata surpresa!", zombou.

Não bebe, não fuma e não joga, mas perde alguns gols

Apesar de ser o maior anotador do Campeonato Brasileiro e ter uma média de 0,5 gol por jogo no Palestra Itália, boa parte da torcida palmeirense não "engole" Henrique como titular do ataque. Isso se deve ao fato do camisa 19 por vezes perder gols considerados fáceis, muitas vezes até sem goleiro.

O caso mais simbólico foi contra o São Paulo. O placar mostrava 1 a 1 e Henrique recebeu de frente para o gol, com Rogério Ceni já batido no lance. De maneira bisonha, o centroavante isolou na arquibancada. Em seguida, Alan Kardec marcou o gol da vitória tricolor, transformando a tarde alviverde em uma tragédia.

'Palmeiras sabe explorar características do Henrique', elogia Fernando Prass

"O que todo mundo tem que entender é que o Henrique está em um período de transição. Está vestindo a camisa de um dos maiores times do Brasil. Tem muita pressão, é normal oscilar. Ainda mais que chegou em um momento muito difícil pro Palmeiars, no qual não há tranquilidade nenhuma pra trabalhar. E ele ainda teve que ser o 'novo Kardec'! Acredito que isso o atrapalha às vezes, e por isso ele perde alguns gols", opina Ferreira.

Friedemann Vogel/Getty Images
Henrique Bate Pênalti Palmeiras Chapecoense Campeonato Brasileiro 02/10/2014
Henrique bate pênalti: ótimo aproveitamento

O ex-companheiro de concentração defende Henrique, a quem considera um atleta exemplar e que deveria ser mais valorizado.

"É um rapaz que casou novo, não bebe, não fuma, nunca teve problema com a noite. Minha família toda adora ele. É um menino 10, e as pessoas tem que dar mais valor para o tipo de atelta que ele é", dispara Gustavo.

"Eu vejo o futebol de hoje e só tem aventureiro em campo, pessoal completamente sem compromisso. Depois não sabem porque o Brasil leva de 7... Jogador que tem essa postura exemplar do Henrique nós temos que valorizar, porque é assim que o futebol brasileiro vai se reerguer", finaliza.

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