Opositor quer Belluzzo como vice e vê Nobre acomodado: 'falta atitude'

Diego Garcia, do ESPN.com.br
Djalma Vassão/Gazeta Press
Pescarmona quer ser presidente do Palmeiras e tem apoio de Belluzzo
Pescarmona quer ser presidente do Palmeiras e tem apoio de Belluzzo

Wlademir Pescarmona tem 63 anos e é sócio do Palmeiras desde que nasceu. Conselheiro e ex-diretor de futebol, pretende brigar pela cadeira de presidente do clube do coração agora em 2014. E para faturar o cargo que é hoje de Paulo Nobre, ele sonha em ter Luiz Gonzaga Belluzzo como vice, ídolos como César Maluco na chapa e em restaurar a grandeza do time alviverde, equacionando o futebol com o clube social. Pois, para o opositor, "falta atitude" à atual gestão, que se mostrou em alguns momentos em uma "zona de conforto".

"É isso que falta a essa administração: atitude", avisou Pescarmona, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br concedida em sua casa, no Bairro de Santa Cecília, zona oeste de São Paulo. Em mais de uma hora de conversa, o candidato da oposição falou sobre todos os assuntos, principalmente sobre como seria a sua gestão. E, logicamente, fez análises da atual. Sobre a falta de patrocínio, por exemplo. "Eu acho que faltou boa vontade. Ele estava em uma zona de conforto. Houve comodismo por parte dele", definiu.

Apoiado pelo ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, que é o nome forte da oposição do Palmeiras, o candidato sonha em convencer o economista a ser seu vice-presidente. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br feita há algumas semanas, entretanto, Belluzzo já havia dito que não pretendia mais entrar na política alviverde. "A minha intenção é que ele vestisse a camisa de vice-presidente. Daria um corpo e uma credibilidade maior", declarou Wlademir Pescarmona.

Uma das ideias da chapa da oposição é montar um "conselho de notáveis" - formado por nomes influentes politicamente e economicamente pelo Brasil - que ajudaria o Palmeiras no mercado financeiro, liderados pelo próprio Luiz Gonzaga Belluzzo. Existe, nos bastidores, a informação de que a WTorre poderia investir R$ 40 milhões com a ajuda desse grupo, fato que não foi negado pelo candidato a presidente.

"O Belluzzo está montando um 'conselho de notáveis', como o professor Nicolelis, o vice-presidente de operações do Banco do Brasil, enfim, quatro ou cinco nomes de palmeirenses que querem ajudar o clube abrindo portas no meio empresarial e mostrando credibilidade que esses nomes terão entre os empresários para investir no Palmeiras. Um grupo de cinco ou seis pessoas notáveis na sociedade com influência junto a empresários e um nível empresarial diferente do nosso, que é mais operacional", analisou.

Sérgio Basrzaghi / Gazeta Press
Oposição aposta em Pescarmona
Oposição aposta em Pescarmona

Outro ponto comentado por Pescarmona foi quanto ao empréstimo de mais de R$ 100 milhões feito por Paulo Nobre ao Palmeiras. "Muita gente diz que o Paulo Nobre salvou o Palmeiras, mas se ele tivesse arrumado patrocínio master, se tivesse tirado dinheiro da WTorre, se o marketing tivesse alavancado no centenário... A forma de pagamento acordada não é ruim para o Palmeiras. E para o Nobre é um grande negócio, pois é isento de imposto de renda. Ele não é nenhum mecenas", declarou.

Pescarmona se declarou "do povão", pretende ter relações de respeito com torcedores comuns e organizados - hoje rompidos com Nobre -, inclusive com a colocação de um diretor de relacionamento que já foi da própria torcida. O candidato da oposição ainda classificou como "ridícula" a atitude de Nobre de ignorar o São Paulo na festa do centenário e pretende retomar o contato com o time tricolor, além de buscar solucionar os problemas da conturbada política alviverde. "São ranços do passado italiano", ele diz.

O ESPN.com.br também quer marcar uma entrevista com o atual presidente Paulo Nobre, mas a assessoria de imprensa avisou que por enquanto ele não vai falar. Ainda nesta semana, a reportagem vai entrar em contato para agendar um bate-papo com Luiz Carlos Granieri, que também confirmou recentemente candidatura ao pleito. As eleições estão marcadas para novembro e contarão pela primeira vez com os votos dos associados.

Confira, abaixo, na íntegra, toda a entrevista com o candidato à presidência do Palmeiras, Wlademir Pescarmona:

Sérgio Basrzaghi / Gazeta Press
Eleições no Palmeiras acontecem em novembro
Eleições no Palmeiras acontecem em novembro e contarão com votos dos sócios

ESPN - Se for eleito, como espera encontrar o Palmeiras?
Wlademir Pescarmona - 
Bom, socialmente eu conheço bem, pois frequento todos os dias, e sei que o clube está bastante largado, com bastante necessidade. Então a aflição que o sócio sente eu sinto, pois frequento lá, almoço lá, vou no banheiro, faço esportes, faço academia. Então a dificuldade que o sócio está passando são muito grandes, e ele (Paulo Nobre) aumentou 60% a mensalidade e deu muito pouco em troca. Então se você aumenta a mensalidade do clube tem que sempre dar algo a mais. Sou a favor de aumentar com a inflação, o que é normal, mas se de repente tem um projeto diferenciado, que precisa arrecadar, aí vale a pena você aumentar, pois o clube tem que andar sozinho, com as suas próprias pernas.

ESPN - E quanto ao futebol?
Wlademir Pescarmona - 
Com relação ao futebol eu tenho uma preocupação muito grande, inclusive cobrei o presidente nas reuniões. Uma das alegações que ele faz é que pegou o clube da administração anterior ele pegou um montante de 25% dos montantes recebíveis do primeiro ano e 70% do segundo ano, que foi 2014, e por isso ele justifica o dinheiro que ele colocou lá dentro, os R$ 100 milhões. Coisa que não concordo, acho que o presidente não tem que colocar dinheiro no bolso no Palmeiras. É a mesma coisa o presidente de uma multinacional que não está bem das pernas ele vende todos os bens dele mesmo para por lá dentro. Isso é uma questão de administração, planejamento que você tem que fazer. Um dos questionamentos que fiz foi isso, quanto ele ia deixar de recebíveis. E a alegação dele é que o Paulista já estava absorvido pela administração anterior, então não teremos dinheiro do Paulista nos quatro primeiros meses, só a partir de maio. Ele alegou que os 10% de parcelamento da dívida dele não iria afetar o andamento do clube, mas ele não respondeu a pergunta. Essa vai uma preocupação grande então. O que acontece? Os R$ 103 milhões são até 30/06. Depois disso, temos mais cinco ou seis meses. A informação que temos é que o clube dá um furo de caixa de R$ 4 milhões por mês. Se somar, dá mais uns R$ 30, então ele vai ter que por mais R$ 30 milhões. Se a gente for eleito em novembro teremos mais 30 dias para passar o bastão. E é uma preocupação muito grande, pois vamos ter 13º, uma situação do Paulista começar do meio para o fim e não sabemos quanto vamos ter em caixa.

ESPN - E como você pretende alavancar recursos?
Wlademir Pescarmona - 
Temos hoje duas formas de conseguir. Primeiro é a história da CND (Certidão Negativa de Débitos), que saíram umas notícias que o Palmeiras está conseguindo resolver. Precisa ver de que forma só, pois tem prazo de vencimento, tem que pagar uma e não pode deixar as outras. Isso não ficou claro, não foi explicado e gostaria de saber. Infelizmente no Palmeiras as coisas são assim, não são claras e transparentes. Fazem as coisas, plantam e nunca ninguém vem a público. Um assessor de imprensa, nada. O Belluzzo tinha conseguido a CND para negociar com a WTorre, mas depois disso a administração seguinte foi atrasando, e etc. Mas vamos admitir que ele resolveu a CND depois de quase dois anos. Isso seria uma boa possibilidade, pois pode negociar patrocínios estatais, etc.

ESPN - E a segunda forma?
Wlademir Pescarmona - 
A segunda é que o presidente Belluzzo está montando um 'conselho de notáveis', como o professor Nicolelis, o vice-presidente de operações do Banco do Brasil,enfim, quatro ou cinco nomes de palmeirenses que querem ajudar o clube abrindo portas no meio empresarial e mostrando credibilidade que esses nomes terão entre os empresários para investir no Palmeiras. Um grupo de cinco ou seis pessoas notáveis na sociedade com influência junto a empresários e um nível empresarial diferente do nosso, que é mais operacional. E tem a terceira coisa.

ESPN - Qual é?
Wlademir Pescarmona - 
É a negociação que teremos com a WTorre daqui para a frente. Acho que o Palmeiras tem os seus direitos, que são inalienáveis e tem que respeitar, da mesma forma que eles investiram 500 milhões de reais no quintal da sua casa e querem retorno. Isso é business. Eu acho que existe uma possibilidade de sentarmos, conversarmos e chegarmos em um meio termo. Eles têm interesse que isso funcione da forma mais rápido possível, para que todo mundo ganhe. Foi noticiado em sites estrangeiros até. Foi feito para gerar recursos, é dinheiro novo para o Palmeiras, que daqui a pouco queima e não usufruímos. E mais uma coisa, se tem um time competitivo tem mais patrocínios, enche arena, consegue chegar na mídia em horários mais nobres, coisa que hoje o Palmeiras não possui, e por último dá ao marketing um produto bom para ser vendido. Basicamente é aí que vamos buscar. Existe uma preocupação grande, mas queremos fazer um investimento no futebol para alavancar tudo isso.

ESPN - É verdade a informação de que, se você for eleito, a WTorre vai investir R$ 40 milhões no time de futebol?
Wlademir Pescarmona - 
Na verdade eu até hoje não sentei com a WTorre. Isso que eu falo eu acho que podemos fazer. Sei que o Belluzzo tem bom relacionamento com eles, e de repente em função desse conselho de notáveis ele possa fazer algo. O que eu sei é que quando ele era presidente existia uma ideia. Vou dar um exemplo do prédio administrativo ali. Está há dois anos e meio e virou uma favela, um puxadinho danado ali embaixo, em um marasmo. Nós sabíamos que o Palmeiras talvez não teria a verba necessária para terminar o prédio, mas havia um acordo do Belluzzo com a WTorre que iam investir no prédio e depois seria descontado no futuro. Uma coisa que acho absurdo nessas administrações: quando o Belluzzo administrou, tinha uma comissão. Quando entrou o Tirone, montou outra comissão que nunca chamou a anterior para conversar. Tudo o que passou, acabou. Aí o Paulo Nobre ganhou, montou outra comissão que nunca conversou com as outras. Então não teve continuidade, houve um atraso enorme. E aí começa tudo de novo com brigas e discussões que acabaram gerando toda essa situação.

ESPN - Qual é o imbróglio hoje do Palmeiras com a WTorre?
Wlademir Pescarmona - 
A história lá é a das cadeiras. Eu me lembro que na época o Palmeiras contratou o maior escritório de direito imobiliário, do Marcelo Terra, e a WTorre contratou um outro escritório de advocacia. E esse do Marcelo Terra o cara era especialista. Fizeram um contrato, todo mundo viu, todo mundo leu, ficou 20 dias à disposição para quem quisesse ver, o diretor jurídico do Tirone foi lá e fotografou, enfim, foi aprovado o projeto. E você sabe, quando se coloca advogado, uma vírgula que se coloca do lado errado altera o contexto da coisa. Então a confusão é assim, no contrato diz o seguinte: existem 10 mil cadeiras especiais, que são da WTorre, o anel superior, e eles fariam o que queriam dessas cadeiras. Só que o parágrafo seguinte não fala mais de cadeiras especiais, fala de cadeiras. Eu acho muito difícil alguém comercializar 40 mil cadeiras a 3, 4, 5 anos em um valor de 7, 8, 10 mil reais. Acho muito difícil e na prática não funciona. E se dividir 20 e 20 já vai ficar difícil e terá dificuldade em vender. Sei porque tínhamos as cativas e é difícil de acontecer. É pontual. O cara quer um processo longo, é difícil.

ESPN - E o que mais?
Wlademir Pescarmona - 
Existe outra teoria que digamos que se dê ganho de causa à WTorre. Eles ficam com as 40 mil cadeiras. Você tem um preço médio a ser estabelecido, então é outra negociação, e isso é nos últimos 12 meses de jogos na arena. Como não temos jogos lá ainda precisamos fazer um levantamento de preço médio. Digamos que seja R$ 30. Com 40 mil lugares, daria R$ 1,2 milhão. Existem alguns advogados que dizem que o Palmeiras tem que receber isso todo jogo. Contra o Bragantino, chuva, frio? Recebe R$ 1,2 milhão. Existe outra situação complicada que é, falando de jogo de futebol, a renda é do Palmeiras. Trouxemos o Paul McCartney, vai, em um show. Custou R$ 5 milhões, a WTorre aluga por isso, Palmeiras tem 20%. E eu, lá, dono de uma cativa. Quando você tem a cadeira cativa, paga o valor mínimo. Tem de R$ 100, R$ 300, R$ 1 milhão. Depende da localização, proximidade. Como funcionaria se de repente WTorre vendesse as 40 mil cadeiras e eu, produtor do evento, quero colocar cadeiras a R$ 1000? Pensando que paga o preço mínimo de R$ 100? Gera conflito enorme de interesses.

ESPN - Como você acha que resolve isso?
Wlademir Pescarmona - 
Acho que tem que sentar e tentar negociar isso de uma forma que atenda os dois lados. Então uma das grandes confusões foi porque o Paulo Nobre tentou investir muito no negócio do Avanti. Você tem o projeto do Avanti e não tem a cadeira para dar para o cara? Então ele é do Avanti só para pagar R$ 20, R$ 30 por mês? E como fica quando quer ir em um jogo do Palmeiras? Então tem que parar com criancices, parar com melindres, sentar de cara limpa e resolver isso de uma maneira igual para todo mundo sair ganhando.

ESPN - O Paulo Nobre leu o contrato na época?
Wlademir Pescarmona - 
Como eu te disse, o contrato ficou à disposição para todo mundo ler. Ninguém pode reclamar. Aprovou e agora vai reclamar? Então não leu direito.

ESPN - Qual o problema do Programa Avanti?
Wlademir Pescarmona - 
Ele quis investir demais no Avanti, ele achou que seria a salvação, mas o Avanti é complicado, pagamos 35% a uma prestadora de serviços. Hoje o Palmeiras tem entre dependentes e associados temos uma cobrança que faz isso e não cobra nada, é custo do Palmeiras. Não custava nada por o Avanti dentro do clube para esses funcionários gerirem e não teria 35%, e isso foi um erro. Por quê? Na imagem que ele projetou esses Avantis amanhã eventualmente votariam para a presidência, e aí ele teria uma vantagem. Mas é um tiro no pé. Pois se o time vai bem, há uma tendência de o Avanti crescer, e se vai mal o Avanti não vota no presidente que leva o time à segunda divisão. O que digo é que temos que restaurar a grandeza do Palmeiras, e ele disse que não ia ficar refém do centenário, você lembra disso? Mas hoje ele está refém do rebaixamento. E eu prefiro ser refém do nome do Palmeiras, da tradição do Palmeiras, e isso precisamos resgatar. E como faremos isso? Tentando fazer um time que dispute campeonato. Mais torcida, mais patrocinador, mais Avanti, mais WTorre, mais Allianz com arena lotada, etc.

ESPN - O preço dos ingressos é um dos motivos de reclamação da torcida atualmente. Já pensou como serão os preços de ingressos no estádio novo?
Wlademir Pescarmona - 
Andei conversando com alguns membros de torcida e o preço de R$ 60 está elevado para eles, quem não são de elite, são torcedores comuns. Eles acham que esse valor é elevado para que eles paguem isso todos os jogos. Precisamos achar uma forma para que os lugares onde as torcidas vão ficar tenham um preço diferenciado de 50%. Não sei se é possível, é uma coisa que a gente precisa sentar, ver com um advogado, chamar a WTorre. Pois se for ver não é um número muito grande, são três, quatro, cinco mil pessoas. Outra coisa que eles reclamam demais é a história das cadeiras que não são fixas, pois eles não ficam sentados, ficam em pé. Tem que ter cadeiras removíveis, como é na Alemanha, mas ouvi dizer que não teria na arena. Isso é uma reivindicação que eles têm que é um problema. Pois o dia a dia vai dizer. Se começa a quebrar cadeira é mais fácil tirar a cadeira do que quebrar. Então é difícil, é complicado, mas se tiver boa vontade chega em um acordo.

ESPN - Como será a sua relação com as organizadas?
Wlademir Pescarmona - 
A minha relação, já tenho dito isso, acho em primeiro lugar tem que ter respeito. Respeito mútuo. O que a torcida quer? Ela quer assistir jogo. Quer ingresso. Ela pagando, e nós temos uma relação de respeito com ela... Quantas torcidas o Palmeiras tem hoje? Cinco, seis. A Mancha tem não sei quantos mil sócios, a Savoia tem um número X, então chega em um acordo. Coloca um diretor de relacionamento que já foi da torcida, conhece a linguagem deles, eu não vou fazer isso, tem que colocar uma pessoa e deixar as coisas bem claras. 'Olha, nós temos o respeito pela nossa torcida e vocês tem que ter pelo Palmeiras e pela diretoria do Palmeiras'. Se for assim, não tem problema nenhum, eles pagando o ingresso... Mesmo porque, quando a coisa engrossa, por exemplo: eu imagino aquele jogo na Vila Belmiro, temos 300 ingressos. Quem é que vai? Eu imagino você, sua filhinha, sua esposa, param o carro na curva da Vila Belmiro, descem com uniforme do Palmeiras, o que vai acontecer? Problema. Então tem que ser assim mesmo, tem que ser a torcida. Vai jogar Palmeiras x Flamengo no Rio de Janeiro, os caras são recebidos a bala na linha vermelha. E o que eles querem é isso na verdade. Eles querem 300 ingressos para a Mancha, 100 ingressos para a Porks... Pagou? Não vejo problema nenhum. Agora, se lá para a frente houver algum problema, aí podemos rever essa posição.

ESPN - Você pretende dar algum tipo de ajuda financeira às torcidas organizadas?
Wlademir Pescarmona - 
Não, de jeito nenhum. O Palmeiras é que está precisando de ajuda financeira (risos).

ESPN - Como será a sua relação com a base do Palmeiras, que não tem revelado muitos jogadores?
Wlademir Pescarmona - 
A gente sabe que as bases dos clubes são o ralo, pois as negociações são valores pequenos e que ninguém fica atento. Diferente do profissional que já sabe quanto leva o empresário. Precisamos dar atenção especial. Me parece que o rapaz da base que está lá faz um bom trabalho, inclusive o PVC elogiou outro dia, sabe o nome dele, não me lembro agora. Acho que tem bons jogadores na base. O que acontece e temos que presta atenção é na transição. O Palmeiras toda vez que pegou jogador da base para por no profissional estava no desespero. Tivemos um período com o Kleina no Paulista, sem desmérito, mas serve como laboratório, e ele não aproveitou nenhum da base. Aí quando dá dor de barriga, joga o cara da base lá. Essa situação de transição está errada. Aí tem um de 11 anos que arrebenta no Sub-11. Chega no Sub-17, vai um São Paulo, um Inter da vida e leva ele. A capacitação de valores no mercado, hoje, é mais importante do que fazer a própria base, pois esses meninos já podem assinar contrato. De repente vai em Pernambuco, no Sul, pega um jogador mais ou menos formado e te dá muito mais retorno do que começar dos 11 e te tomarem com 17.

ESPN - O pagamento ao Nobre pelo empréstimo vai prejudicar as finanças? Pois, dependendo de como for, pode demorar até 15 anos para ser pago...
Wlademir Pescarmona - 
Na época do Belluzzo era R$ 240 milhões o recebível, hoje é R$ 180 milhões. Então, se você conseguir fazer o Palmeiras deslanchar e arrecadar mais dinheiro, você paga mais para ele e diminui o faturamento, diminui juros, etc. Se não conseguir alavancar, a projeção é entre 10 e 12 anos nesse valor de R$ 180. Pode ser menor caso conquiste mais recursos.

ESPN - Vai prejudicar o Palmeiras em longo prazo?
Wlademir Pescarmona - 
Com certeza. Muita gente diz que o Paulo Nobre salvou o Palmeiras, mas se ele tivesse arrumado patrocínio master, se tivesse tirado dinheiro da WTorre, se o marketing tivesse alavancado no centenário... Se fala muito do centenário, mas o Palmeiras tem que ser grande todo dia, não só no centenário. O erro é tremendo, porque você está devendo esse dinheiro e vai ter que pagar. 'Ah, mas o negócio não é tão ruim, pois paga 12% ao ano, 1% ao mês'. Pois vá aos Estados Unidos investir para ver quanto custa, quando o banco te paga. E 1% é um grande negócio. Não é ruim para o Palmeiras, pois se for captar no mercado paga isso e mais 5%, 3%, depende do banco. E para ele é um grande negócio, pois é isento de imposto de renda. Ele não é nenhum mecenas.

ESPN - Resgatar o nome do Palmeiras implica em ter patrocínio. O Nobre não conseguiu arrumar patrocinador no ano do centenário. Por quê?
Wlademir Pescarmona - 
Em 2013 havia proposta de patrocínio de R$ 15 milhões, o Nobre achou pouco e não quis. Pode ter acontecido que em 2014 a Copa do Mundo atrapalhou o patrocínio. Mas eu acho que faltou boa vontade. Ele estava em uma zona de conforto. Ele tinha o dinheiro que colocava na hora que queria e não estava preocupado em ir atrás. Por exemplo: eu ia sentar que nem louco a bunda na cadeira e ir atrás, porque eu não tenho o que ele tem! Para mim ele se acomodou. Aí veio a história da Copa do Mundo. O marketing que ele mandou embora bateu muito na tecla de que ele (Nobre) não deu um produto bom para eles. Houve, eu acho, comodismo por parte dele. Uma zona de conforto.

ESPN - Como você pretende trazer os patrocinadores de volta?
Wlademir Pescarmona - 
Admitindo que teremos a CND na mão, vamos negociar. Com o Belluzzo à frente, que tem amizade no governo, abre as portas, ele tem relacionamento ótimo com todas essas pessoas de órgãos públicos, seria uma possibilidade de abertura de portas. A outra coisa é sobre montar um time de primeira linha nos primeiros meses. Não vai dar. Primeiro preciso ver em que condições financeiras que o Palmeiras vai estar. Aí pega a planilha de futebol e dizer: 'Quem vamos mandar embora? O Bernardo? O França? O Felipe Menezes? O Bruno César?' Não sei. A folha do Palmeiras é de R$ 10 milhões, que é de um time médio. Os grandes times de hoje têm R$ 12, R$ 13 milhões de folha. É uma dificuldade que vamos ter, saber quem vamos negociar, quanto isso vai enxugar a folha. Dou um exemplo: temos Felipe Menezes, Bruno César e Mendieta. Os três custam R$ 600 mil. Com esse dinheiro traz um baita cara de meio de campo. Que daria mais resultado do que ficar colocando um desses a cada jogo. Essa é minha posição por enquanto.

ESPN - Pensa trazer algum grande parceiro, como existiram em outros tempos Traffic, Parmalat...?
Wlademir Pescarmona - 
Na verdade já temos alguém que sinaliza com essa possibilidade. É uma história complicada, a Parmalat é algo que nunca mais, quem viu, viu. Mas eu sou favorável, acho interessante. Desde que tenha bem delineado quais as participações de cada um. Por exemplo, no Fluminense me parece que quem manda é a Unimed. Eu gostaria de algo assim, mas com a participação do Palmeiras também. Negócio meio a meio, ou que a gente tivesse interferência nas escolhas. Vejo com bons olhos, é uma maneira de profissionalizar e ter o reconhecimento das empresas. Por incrível que pareça já conversaram, mas nada fechado. Mas tudo isso é muito lindo, só vê quando está sentado na cadeira. Vamos ter a mudança estatutária, será interessante. Vamos ter 30 dias para colocar a equipe de transição. Isso é importante para avaliar tudo o que falei. Quais os problemas jurídicos, como está o dinheiro, o que dá para levantar. Nesse período de transição vamos detectar muita coisa e projetar lá para a frente.

ESPN - Você tem citado muito o Belluzzo. A sua intenção é deixá-lo apenas à frente do conselho de notáveis ou a ideia é dar algum cargo para ele?
Wlademir Pescarmona - 
Na verdade, a minha intenção é que ele vestisse a camisa de vice-presidente. Daria um corpo e uma credibilidade maior. Mas ele já declarou que está comigo e tal. Então, se isso não for possível, pois ele tem a Faccamp, a família, tem problema de saúde, se enfia de cabeça nas coisas, então se não puder ser vice e ele ficar junto ao conselho já vai ser muito útil. Porque tenho certeza que eu ligando para ele, disser 'olha, estou com dor de barriga, me ajuda', aí ele vai atrás.

ESPN - O César Maluco não ia ser o vice?
Wlademir Pescarmona - 
Então, nós não fechamos a chapa ainda. Independente de ser ou não, qual era a ideia? Resgatar o ídolo. Aquele que é muito maltratado por essa administração. Para se ter uma ideia, na revista do centenário, o meu presidente, o Paulo Nobre, deixou de fora o maior jogador que o Palmeiras tem, que é o Ademir da Guia. Isso é uma vergonha. Ele coloca o Jorginho Putinatti, que é um jogador que assisti muito, inclusive tem uma foto dele com o meu filho aí. Mas não coloca o Ademir da Guia? Isso é o fim da picada. A ideia de trazer o César é que ele abra as portas lá fora. O Palmeiras precisa de um embaixador que vista a camisa de verdade. Não que o Marcos não faça isso. Não sei ainda se o César será meu vice, existe essa condição, estamos tentando fechar a chapa, escolher as pessoas certas, evitando o máximo de política que claro que sempre tem, mas vamos tentar evitar. Então vamos fazer uma coisa bem pés no chão.

ESPN - E o Marcos?
Wlademir Pescarmona - 
O Marcos é uma outra história, que quando eu sentar na cadeira lá eu vou ver qual que é. Hoje eu não sei qual é a função do Marcos. Ele é um ídolo, e como quero resgatar a imagens dos ídolos ele provavelmente vai estar nessa. Eu só pretendo saber em que condição ele está. A forma, quanto ganha, o que foi feito no contrato. Preciso analisar, mas, como te disse, não temos uma administração transparente e não temos acesso a essas coisas. A ideia é pegar jogadores do passado que têm uma identificação com a torcida e levar o nome do Palmeiras lá fora. Resgatar esses ídolos para que a torcida enxerga neles uma história que a gente não pode esquecer. O Palmeiras, além do espaço físico, tem a torcida e a nossa história como grande resgate que temos. E quando perde identificação nos ídolos perde o passado e não projeta o futuro.

ESPN - O fato de você conviver no clube será um diferencial contra o perfil do Paulo Nobre?
Wlademir Pescarmona - 
Pois, assim, na verdade o grande diferencial do Nobre, tirando a parte financeira que ele tem muito e eu não tenho, é que eu estou no clube e ouço as pessoas. Eu vou na sauna, o cara fala do clube e do futebol. É a sauna que está com problema, a luz queimada, o papel higiênico que falta. Você frequentando o clube sabe as angústias e necessidades. Mas vou te dar um exemplo. No ano passado encomendei uma pesquisa - no meu nome, não essa aí que está rolando agora - pois havia uma dúvida de que o próximo presidente seria eleito por times adversários. E vimos que 72% dos sócios são palmeirenses e 12% não tem preferência em futebol. E esses 72% acham que o Palmeiras futebol e o Palmeiras social têm que andar de mãos dadas. Pois todas as vezes que o Palmeiras esteve em uma fase esplendorosa no futebol o clube social bombava. Porque atraía. Isso nas três Academias, em 60, 70 e 90. Eu sou sócio desde que nasci e sei que todas as vezes que o futebol foi bem o clube social andava a mil. Dá para conviver com as duas coisas e você tem a vantagem de escutar o associado. Claro que muitas coisas têm dificuldades operacionais. Mas a grande vantagem é que eu estou lá. E vou dedicar um dia da semana para atender ao associado. Sento lá e vou ouvir o que o pessoal tem a dizer. As sugestões do futebol e do social. Mas eu isolado na Academia não tenho essas informações, só tenho as informações dos puxa-sacos. E no clube não, escuto coisas boas, ruins, brigam comigo por aquilo que deixei de fazer, mas vou tentar alterar o que está errado.

ESPN - Quem fez essa pesquisa aí que está rolando agora, afinal?
Wlademir Pescarmona - 
Não sei te dizer quem foi que fez. Mas acho que o simples fato de colocarem nomes dos vices-presidentes dele mostra claramente que foram eles, pois querem saber quem tem menos rejeição. Mostra que eles estão preocupados. Porque se o Paulo Nobre não quiser ser, colocam o Maurício, que frequenta mais o clube, foi diretor social, não sei se isso altera os dois últimos anos em que ele também não frequentou o clube. Só que essa é uma maneira melhor de ver qual nome tem mais aceitação que o outro. Então só pode ter sido eles. Eu com certeza não fui.

ESPN - O fato de ser a primeira eleição social é diferente de que forma?
Wlademir Pescarmona - 
É imprevisível. A gente fez uma segunda pesquisa no meio do ano em que percebemos que o sócio que frequentava o clube diariamente estava muito próximo do meu nome, por causa daquilo que te falei. Banheiro, limpeza, iluminação, jardim, piscina, chuveiro que não aquece, luz de emergência, e o cara sabendo que estou lá tenho esse conhecimento maior. E tem outro tipo de associado que não frequenta o clube que tem a carteirinha para dizer que é palmeirense. O negócio dele é o futebol. E esse grupo está mais próximo do Paulo Nobre. É sinal então que o futebol é um sinalizador. Se o time for mal, provavelmente esse grupo terá outra visão do Paulo Nobre. Mas você pergunta: 'Pescarmona, você está torcendo contra, então?'. De jeito nenhum, ao contrário. Pois acho que tudo que te falei até agora, se o Palmeiras cair, tem que rezar. Já era. Aí não tem mais o que fazer. É difícil pois é a primeira vez, não tem parâmetro para comparar, vai ser uma novidade. Acho que se eu passar pelo filtro do conselho vou dar um suadouro neles.

ESPN - Você já pensou em como será sua diretoria de futebol?
Wlademir Pescarmona - 
Bom, a primeira coisa que temos que fazer é contratar um profissional da área. O Brunoro, tenho boa amizade com ele, trabalhei com ele na época da Parmalat. É uma boa pessoa, tal, mas não entende nada de futebol. Não é do ramo. Na época da Parmalat não era ele que contratava, era o presidente. A melhor coisa seria por um profissional da área. Vou te dar dois exemplos, não vou dizer que pode ser os dois, um Rodrigo Caetano, ou um Eduardo Maluf. Será que é caro? Depende. Se der resultado, sai barato. O Brunoro custa barato pelo preço de mercado, apesar que ganha salário e mais não sei o que, mas é caro porque não produziu nada. Temos 36 jogadores, uma folha de pagamento de R$ 10 milhões e não temos jogadores com qualidade para ter esse valor. Primeira coisa é contratar um profissional da área. Segunda coisa é por dois diretores estatutários, que acompanhem o trabalho. Precisamos de marketing para esportes não profissionais e um trabalhando junto com futebol. Junto comigo vou ter diretoria de planejamento, diretoria financeira, diretoria jurídica e um ou dois vices mais ou menos envolvidos nessa área para tomarmos decisões. Nenhuma será tomada no desespero. Você vê aí o que aconteceu com Gareca, Gilson Kleina. Pede um lateral, fala um nome, a gente contrata um lateral. Quer um centroavante. O Cristaldo? Não sei se trago, mas trago um de qualidade. Uma mudança de filosofia para não acontecer o que aconteceu com Kleina e Gareca, traz um batalhão, aí eles foram embora e o batalhão ficou aí.

ESPN - Em um vídeo com torcedores que circula na internet você disse que Carlos Degon poderia ser seu diretor. Quem é ele?
Wlademir Pescarmona - 
Esse vídeo eram 4 horas da tarde de um sábado, eu estava em um churrasco, me filmaram. Mas o Degon é um conselheiro, segundo mandato, cara novo, 38 anos, e muito envolvido com futebol. É o famoso cara de arquibancada, não perde um jogo, sabe tudo. Tem um programa com todos os jogadores. E quero dar oportunidade a esses caras mais novos. Já tenho uma certa idade, e acho que se não ganhar dessa vez até posso aconselhar, mas você se desgasta muito na política do Palmeiras. O Belluzzo tem 72 anos. O Décio Perin, 74 anos de idade. Nomes expoentes que considero. Então temos que começar a renovar. E a renovação começa desses conselheiros mais jovens que hoje são arquibancada, que já sou um dia. Hoje me falam 'Pesca, hoje você não é arquibancada'. Mas eu falo 'você não estava nem no saco do seu pai e eu já era arquibancada'. Estou com 63. O Mustafá tem 70 anos. O Dellamonica está com 70 e pouco. Precisa de renovação, e a gente tem. Temos que ter gente jovem, pois daqui a 10 anos não vai pertencer a nós.

ESPN - O Nobre contratou 36 jogadores, quase nenhum vingou. Qual a sua opinião?
Wlademir Pescarmona - 
Se é que houve planejamento, houve um erro. Em 2013 ele navegou em águas mortas, poderia ter feito o planejamento desde lá, pois eu acho que não houve. Vamos começar do técnico: todo mundo sabia que o Gilson Kleina seria demitido depois de três jogos quando perdesse. Já tinha que ter no planejamento que ele ia subir da Série B e iam contratar um técnico que correspondesse às expectativas dali em diante. Gilson Kleina pode vir a ser um grande técnico, excelente pessoa pelo que eu soube, mas não era para ser o técnico na época. Aí, deu dor de barriga, contrataram o Gareca. E eu falei que ele era o técnico certo na hora errada. Fez um p... trabalho na Argentina, mas chega aqui, não conhecia o time, não conhecia o adversário, e para a surpresa geral dão 20 dias de férias ao cara, justamente na época da Copa do Mundo. É a mesma coisa se eu sou seu chefe na ESPN, te dou 20 dias para apresentar um projeto e aí você vai à praia. Portanto, falta de planejamento, foi o que eu falei para você.

ESPN - E os jogadores?
Wlademir Pescarmona - 
Pois agora, outro ponto, o Palmeiras não pensou em reestruturar a glória do passado. Os dois maiores atacantes do Brasil são Barcos e Alan Kardec. Estavam lá dentro. Não precisava contratar. Um foi vendido a um custo obscuro total, vendeu por 4 e comprou o Leandro por 8. Não é possível isso. Se você colocar uma criança de 15 anos lá ela vai te falar para não fazer isso. O Alan Kardec foi outra situação que o Palmeiras se apequenou. Pelo valor foi apresentado a nós e vocês da imprensa são valores medíocres perto do que gastam com três jogadores que falei há pouco. Não podemos esquecer da história do Henrique. E se você lembrar o Wesley por pouco não foi embora ano passado quando o seu Brunoro disse que ia economizar R$ 1,2 milhão e dar de graça ao Atlético-MG. Lembra dessa história?

ESPN - E agora ele está de saída para o São Paulo?
Wlademir Pescarmona - 
Agora ele vai embora pois faltou habilidade política para resolver o problema lá atrás. Se eu sou o presidente renovo com ele, nem que tenha que abrir um pouco as pernas, pois já sei que tomarei um chumbo de R$ 21 milhões. Se renovo e ele se dá bem, vende por R$ 10 milhões, melhor perder R$ 10 milhões do que R$ 21 milhões. Ou estoura, vende por R$ 20 milhões. Mas o que acontece agora, perder de graça, não pode acontecer. Mas isso estava premeditado. O Brunoro queria emprestar ao Atlético-MG e economizar R$ 1,2 milhão. O cara ficou nove meses no estaleiro e quando volta e se acerta com o time você vai lá e dispensa. E a torcida fez barulho, a imprensa, aí deixaram quieto. Mas ele já não estava nos planos, pois vai ser mandado embora.

ESPN - Faltou habilidade ao Nobre nas negociações? Teve Kardec, Ronaldinho, Wesley...
Wlademir Pescarmona - 
É a história de você pensar pequeno. Quando você vai trazer um jogador, já sabe a referência. Não adianta ficar 'regateando', nem vai atrás do jogador então. Ou se aproxima daquilo que ele quer, pois se ele quer aquilo é porque já tem outras pessoas ao redor que querem levar a outro lugar, ou então você não pode perder o Alan Kardec por causa d R$ 20 mil, desculpa, cara. O Ronaldinho é diferente, pois também tive uma experiência ruim com ele na época do Belluzzo.

ESPN - Como foi?
Wlademir Pescarmona - 
O negócio foi o seguinte: ele fechou com o Grêmio por R$ 900 mil. Eu fui no fim de semana ao Rio Grande do Sul e fechei com ele para o Palmeiras por R$ 1,2 milhão. Levei diretor de marketing, com um projeto em mãos, a gente pagaria R$ 400 mil e duas empresas pagariam o resto, aí eu fechei com o Assis. Aí na segunda ele me liga e fala que o Ronaldinho estava em Santa Catarina, que tinha chovido para c... e é verdade, e que ele não poderia ir, ia só na terça. Ele aproveitou então o fato para negociar com o Flamengo. Ele foi na Traffic, eles não tinham o dinheiro, nós tínhamos, mesmo assim negociaram. E o Assis falou para mim: 'Pescarmona, eu não quero levar meu irmão para o Rio de Janeiro, pois lá é uma p... do c.... Aqui não. Tem o Felipão, a imprensa pega no pé'. Mas não adiantou nada. Terça-feira saiu que ele fechou com o Flamengo. Então o Assis é difícil de negociar, é complicado. Quando começou essa negociação de agora eu mandei tomar cuidado, pois iam ter dor de cabeça.

ESPN - Pensa em trazer algum reforço de peso para ser a marca da sua gestão?
Wlademir Pescarmona - 
Na verdade a gente tem uma lista, mas não pode criar uma expectativa. Eu já estou criando uma expectativa dizendo que nós vamos sair desse limbo em que estamos atualmente. Mas falar em trazer nome top é problema, pois ele quer ganhar, quer saber o time que vai jogar... Será que o Ronaldinho não pipocou, pois achou que ia entrar em uma fria? Então você tem que criar em volta de você uma estrutura que dê confiança ao cara para ele vir. Falar qual é o time que vai jogar. 'Ah, o time está caindo para a segunda divisão, não vou me expôr, depois fica no meu currículo que caí para a segunda divisão'. É complicado, então. Temos vários nomes, mas esse planejamento depende de como vamos achar o caixa e como vamos achar os 36 jogadores que lá estão, quem vai sair, quem vai ficar...

ESPN - O Belluzzo disse que, na época dele, ele contratou Love, Muricy, etc, pois pensava grande, como um time campeão, mesmo que não tenha vencido. Você pensa dessa forma?
Wlademir Pescarmona - 
Exatamente nessa linha. Pois na época do Belluzzo a gente disputava títulos, e hoje a gente disputa para não cair - ou já caiu. O Tirone teve a grande chance da vida dele de ser um grande presidente. Ele conseguiu ser campeão da Copa do Brasil. O Belluzzo foi almoçar com ele e disse 'Tirone, esse time do jeito que está aí vai cair. Contrata três ou quatro jogadores, estoura, dane-se, pois você já foi campeão, ninguém vai te questionar. Invista, dá uma estátua para o Felipão'. Todo mundo sabia que o time vinha capengando no Brasileiro. Hoje o presidente seria o Tirone, não o Paulo Nobre.

ESPN - Você teme assumir o Palmeiras na segunda divisão?
Wlademir Pescarmona - 
Rezo todos os dias para que isso não aconteça, pois se a gente pegar o time na segunda divisão será um desastre. Tanto moral quanto financeiro... Espero que a gente respire. Temos quatro ou cinco times piores que o nosso. Não jogou mal contra São Paulo, contra o Internacional, contra o Fluminense, teve um pênalti duvidoso também, uma bola que passou no meio das pernas do Victorino, coisa que só acontece quando o time está cagado, é inacreditável. Enfim, espero que consiga levantar e sair dessa situação, senão tudo isso que te falei, não sei mais o que te dizer.

ESPN - O que achou de o Nobre ter rompido relações com o São Paulo?
Wlademir Pescarmona - 
Tem um negócio histórico com o São Paulo. Mas eu disse no dia também que a culpa não foi do São Paulo. Se o Palmeiras tivesse agido de forma rápida antes, o São Paulo não tinha pegado ninguém. O São Paulo só atravessou pois percebeu que havia espaço. Se eu quero o jogador, é ídolo nosso, se adaptou, porque vou perdê-lo por causa de R$ 10 mil, R$ 15 mil? O São Paulo tem essa fama de atravessar, inclusive na base, tudo bem. Tirando isso, faltou atitude ao Paulo Nobre no momento certo. E é isso que falta a essa administração: atitude.

ESPN - O Nobre chamou Corinthians e Santos, mas não chamou o São Paulo à festa do centenário. O que achou?
Wlademir Pescarmona - 
Rídiculo.

ESPN - Você pretende retomar a relação com o São Paulo?
Wlademir Pescarmona - 
Não tenho a menor dúvida. Acho até que os clubes de São Paulo, se fizerem um movimento para haver outra situação no Clube dos 13, que infelizmente foi o Andrés que detonou, pois eu acho que a diferença entre Corinthians e Flamengo para Palmeiras e São Paulo logo abaixo é muito grande e é prejudicial ao futebol. Isso não pode acontecer, você tem que se unir. Santos, São Paulo... Tem que diferenciar a rivalidade dentro de campo da rivalidade fora de campo. Política é outra história. Lá dentro ganha, perde, tira o sarro e acabou. A minha posição é essa e a gente tem que reavaliar, e muito.

ESPN - Dizem que a política é a praga do Palmeiras. Como pretende administrar essa situação?
Wlademir Pescarmona - 
Eu gostaria por demais que houvesse um movimento para que os ex-presidentes se reunissem e passassem informações, conhecimentos, coisas boas e ruins. Se pudesse unir os ex-presidentes em uma crise política como essa e pegar as informações seria maravilhoso. A gente pode ter ideias diferentes, mas o ideal é um só, ver o Palmeiras bem.

ESPN - E por que isso nunca aconteceu, então?
Wlademir Pescarmona - 
Por causa do ranço do passado. O ranço do passado italiano tem essas coisas de vendeta, e isso é ruim. 'Po, vou falar com esse cara, mas ele me f... lá atrás, não dá'. Enquanto a gente não mudar essa mentalidade de que vamos se unir não para falar da pessoa, do passado, de que um gastou X, outro Y... Pois besteira todo mundo faz. Pegando desde a época do Nelson Duque, que foi quando entrei na política, vê quantos caras ele contratou que não vingaram. Você pega o Facchini, que trouxe os Vitor Hugo da vida. O Mustafá teve os Boiadeiros, Carlos Castro. Então todo mundo fez besteira. E a gente tinha que sentar em uma mesa e acertar isso, apagar isso. Ver o que pode fazer para melhorar daqui para a frente. É meio história do John Lennon no Imagine, é meio utopia (risos).

ESPN - O Belluzzo disse que você como presidente seria "sair mais do mesmo". Por quê?
Wlademir Pescarmona - 
Talvez pela minha maneira de ser, diferente de todos esses que eu falei. Tenho espontaneidade, ouço demais as pessoas, não sou rancoroso, quero esquecer o passado e pensar no futuro. Então não reviver o passado de ódio, tenho esse diferencial. Sou muito aberto, às vezes até demais, dizem que se for presidente essa ou aquela postura seria ruim pelo fato de frequentar o clube. Pois você sabe, na hora da descontração você fala m... E de repente alguém está do lado, ouve, e pensa 'olha o presidente do Palmeiras...'. Mas eu sou assim. Gosto de jogar tênis, de ir na sauna, sou mais Zé Povão, não sou intelectual como o Belluzzo e nem me acho top como o Paulo Nobre, que se acha por ter condição financeira privilegiada. Eu sou mais Zé Terra, do Povão, e isso é um diferencial.

ESPN - Para finalizar, o que o torcedor do Palmeiras pode esperar se você for eleito?
Wlademir Pescarmona - 
A ideia é a gente restaurar a grandeza do Palmeiras, não ficar refém de centenário e nem de rebaixamento e sim mostrar que dá sim para equacionar futebol e clube social. Quem frequenta o clube social sabe que eu frequento e vou dar atenção especial, pois é a minha vida. É meu dia a dia. Que nem te disse, todas as vezes que o Palmeiras teve grandes times de futebol, bombava. Quem é torcedor vai ter a dedicação ao futebol, e essa dedicação vou levar ao clube social.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Pescarmona pretende retomar relações com São Paulo e torcida organizada
Pescarmona pretende retomar relações com São Paulo e torcida organizada
Comentários

Opositor quer Belluzzo como vice e vê Nobre acomodado: 'falta atitude'

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.