Desistência do Crac na Série C vira 'jogo de empurra' no interior de Goiás

Lucas Coelho, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Crac Guarani Copa do Brasil 2014
Prefeitura e diretoria do clube trocam acusações e clube, sem dinheiro, abandona a Série C

Na última terça-feira, o Crac anunciou que abandonaria a Série C do Campeonato Brasileiro por falta de condições financeiras para continuar na competição. Em situação delicada dentro e fora de campo, o time se vê no meio de uma briga política entre a prefeitura e a diretoria clube, que trocam acusações e deixam o futuro da equipe incerto.

Segundo o presidente do Crac, Elson Barboza ‘Caçula', que assumiu o clube no começo de 2014, os problemas são resultado da administração anterior à sua."A má gestão que eles tiveram criou esta situação. Fizeram R$ 2 milhões em dívidas. Desde que eu assumi em 15 de janeiro deste ano, não foi criada dívida nenhuma. Aliás, eu fui convidado por eles para assumir por causa do meu carinho pelo clube, eu era apenas um patrocinador até então."

De acordo com Caçula, a antiga diretoria seria, inclusive, ligada à prefeitura. "Depois das eleições de 2012, a gestão que era composta por políticos de outros partidos renunciou e vieram pessoas ligadas ao novo governo municipal. O vice-prefeito era o presidente de honra e o filho do prefeito era VP administrativo do clube. O resto, ocupava cargos de fachada."

Em situação delicada, o não repasse de uma quantia de 480 mil reais por parte da gestão do município foi o motivo da desistência da Série C. De acordo com Marcos Araken, secretário de comunicação da prefeitura, o Crac tem impedimentos jurídicos para receber o montante e, além disso, o Ministério do Trabalho teria determinado que R$ 100 mil fossem retidos para o pagamento de dívidas, além de 30% de qualquer outro repasse.

O presidente do clube contesta a informação. "Não existe nada disso de o Ministério do Trabalho impossibilitar nada. Na verdade, o que aconteceu foi um acordo para que 30% do que entrasse no clube fosse destinado para pagar dívidas trabalhistas."

As acusações de incompetência vêm dos dois lados. Araken chama a administração do time de amadora e diz que ela não geriu bem a quantia que foi repassada nos últimos 20 meses, algo em torno de 2 milhões de reais.

Barboza, porém, afirma que três quartos deste montante foram para a diretoria anterior, justamente quando o clube se afundou em dívidas. Em 2014, somente 500 mil chegaram aos cofres do clube e foram utilizados na disputa do Campeonato Goiano. "A falta de interesse em repassar o dinheiro é nítida. Eles poderiam fazer a aquisição de ingressos, como fazem diversas prefeituras de outros municípios, mas não querem ajudar."

O secretário cobra uma contrapartida acordada junto dos repasses, que diz respeito à utilização de 10% da verba nas categorias de base. Mas, segundo o atual mandatário do Crac, o fim da base se deu justamente por causa dos antigos dirigentes ligados à prefeitura.

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"Em 2012, o clube foi campeão da Taça Goiás, competição estadual sub-20. Foi no ano passado que a base foi extinta, em apenas dois meses de gestão. O dinheiro que eles receberam foi mal aplicado. Agora, realmente não tem como trabalhar com a base", afirmou Barboza.

Em um ponto, porém, ambos concordam: a dificuldade em se conseguir patrocínio numa situação dessas. "O Crac é fonte de orgulho da cidade, mas eles nunca trabalharam a marca, não tem nem uma lojinha para vender chaveiro", ironiza Araken. Ele contou que chegou a procurar ajuda no Palmeiras para a gestão anterior. "Eu contatei o pessoal do Brunoro para que o pessoal daqui fosse lá fazer um planejamento, mas eles não se preocuparam."

O atual presidente assegura que a questão está na pauta de planejamento clube, que nem site oficial tem ainda. "Estamos projetando uma loja do Crac, a criação do site e iremos implantar um programa de sócio torcedor até o final do ano", garantiu.

Enquanto as acusações seguem, a maior preocupação dos torcedores no momento, porém, diz respeito à possível punição que a CBF deve aplicar ao time de Catalão por abandonar o torneio. Uma suspensão de dois anos de qualquer competição profissional pode tanto significar uma tragédia, quanto uma oportunidade para o clube se reestruturar.

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