Nacional-PAR revelou maior goleador do futebol argentino

Antônio Strini, do ESPN.com.br
Divulgação - Nacional
Arsenio Erico em ação pelo Nacional do Paraguai
Arsenio Erico em ação pelo Nacional do Paraguai contra o Vasco

Cerro Porteño e Olimpia são os clubes de maior sucesso do futebol paraguaio, somando 69 títulos do campeonato nacional. A nível internacional, o Olimpia era o único a chegar à final da Libertadores (sete decisões com três títulos). Mas em 2014 o Nacional, considerado o segundo clube de muitos torcedores do país, alcançou o mesmo patamar e decide o torneio continental diante do San Lorenzo, da Argentina.

E se não possui as mesmas conquistas de Cerro e Olimpia, o "mais querido" pode se gabar de ter produzido o maior jogador da história do Paraguai e um dos grandes nomes do futebol sul-americano em todos os tempos: Arsenio Erico.

Nascido em 1915, o centroavante canhoto estreou pelos profissionais do Nacional com apenas 15 anos. No entanto, deixou o Paraguai aos 19 por vias tortas: em 1932, com a Guerra do Chaco contra a Bolívia, o campeonato nacional foi paralisado, e Arsenio Erico recebeu autorização para fazer uma excursão com uma equipe da Cruz Vermelha a fim de arrecadar fundos. Na Argentina, ele impressionou vários clubes, principalmente River Plate e Independiente, com o último conseguindo contratá-lo.

Mas, para que isso foi possível, o jogador precisou de uma autorização especial para deixar seu país e não se alistar à guerra. E assim, a partir de 1934, ele fez história.

O lendário atacante é o recordista de gols histórico do Campeonato Argentino (293 ou 295 gols), onde fez história pelo Independiente em uma época pré-Libertadores.

Foram 13 anos na equipe de Avellaneda (de 1934 a 1946, com breve retorno ao Nacional em 1942), dois títulos nacionais além de três vezes artilheiro da competição com mais de 40 gols por temporada - 48 em 34 jogos em 1937, 43 em 30 partidas no ano seguinte e 41 em 32 confrontos em 1939.

Em 1938, ele protagonizou uma grande controvérsia: quando alcançou 43 gols, se recusou a ampliar tal marca nas duas últimas partidas do Argentino. A razão? Ganharia 2 mil pesos de prêmio da marca de cigarros Cigarrillos 43.

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Montagem com manchete de jornal no dia em que Erico marcou seis gols em um jogo
Montagem homenageia ídolo do Independiente

Não à toa, Arsenio Erico poderia ser chamado e reconhecido por até 13 apelidos: El Saltarín Rojo, El Paraguayo de Oro, El Hombre de Mimbre, El Hombre de Goma, El Semillero de Avellaneda, El Mago, El Aviador, El Duende Rojo, El Diablo Saltarin, El Rey Del Gol, Mistergol, El Hombre de Plástico, Virtuoso.

A categoria do jogador foi motivo de inspiração para Alfredo di Stéfano, morto em julho deste ano. "Erico é diferente de todos os que vi. Um jogador notável. Tudo o que engloba, sem exagerar, as cinco letras da palavra crack. Para mim, um malabarista de circo, um artista. Perdão, um grande artista", afirmou a "Flecha Loira".

Divulgação - Nacional
Arsenio Erico brilhou com a camisa do Independiente
Erico demorou, mas pagou dívida com Nacional

Arsenio Erico, porém, tinha uma dívida com o Nacional: deixara o clube muito cedo e sem títulos. Para corrigir a falha, retornou ao time tricolor em 1942 após uma briga com dirigentes do Independiente e se sagrou campeão paraguaio. Ainda voltou ao Independiente, passou pelo Huracán e encerrou sua carreira no time de coração.

O atacante, por sinal, poderia ter disputado a Copa do Mundo. Mas não pelo Paraguai, e sim com a Argentina, que em 1938 quis montar uma forte equipe e naturalizar os destaques de seu torneio local, como Erico. Mas ele recusou: "Não, sou paraguaio".

A atitude lhe rendeu elogios e aplausos nos estádios argentinos.

Ele morreu em 23 de julho de 1977, aos 62 anos. No dia seguinte, o Independiente atuou diante do River Plate - exatamente os dois times que brigaram por sua contratação. O time de Avellaneda ganhou de virada por 2 a 1, e os torcedores, visivelmente emocionados, cantaram: "Se siente, se siente, Erico está presente!"

A primeira partida final da Libertadores acontece nesta quarta-feira, em Assunção, no Defensores del Chaco. O segundo e decisivo jogo será na próxima semana, no Estádio Nuevo Gasômetro, em Buenos Aires, casa do San Lorenzo.

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