Morto há 76 anos, Lampião ainda 'vive' no futebol pernambucano

Rádio ESPN, com ESPN.com.br
Divulgação
Serra Talhada, o time de Lampião
Serra Talhada, o time de Lampião

Virgulino Ferreira da Silva jogava bola quando era jovem na fazenda do pai. Era começo do século XX, quando o futebol brasileiro ainda era incipiente e dava seus primeiros passos. Mas ele jamais se destacaria com a bola nos pés.

Ficaria famoso mesmo com uma arma nas mãos. E com um outro nome: Lampião.

Na última segunda-feira, completaram-se 76 anos da morte de uma das mais famosas figuras do sertão e da história brasileira. O mais curioso: Lampião ainda aparece diariamente em Pernambuco graças ao futebol.

Desde 2011, o cangaceiro é mascote do Serra Talhada, clube da cidade homônima e local de nascimento de Virgulino. A escolha de uma figura que não é unanimidade - ladrão para alguns, um Robin Hood para outros - não foi apenas uma homenagem.

"Nas discussões, resolvemos colocar ele como nosso mascote porque resistimos como ele resistiu na época do cangaço, algo para nos encorajar a manter viva nossas raízes e nossa tradição", explicou José Raimundo, presidente do Serra Talhada, em entrevista à Rádio ESPN.

A resistência está na história do futebol da cidade. Uma cisão política no Serrano, então equipe única na cidade, culminou na saída de Raimundo. Ao lado de outros colegas, decidiu fundar, então, o novo clube.

O projeto é ousado: chegar à Série B do Brasileiro em dois anos. Até aqui, campanhas modestas na primeira divisão do estadual: 9º entre 12 equipes em 2012; 11º entre 12 na segunda fase em 2013; 4º na primeira fase entre 9 times em 2014.

Após a disputa do Pernambucano, o jeito é se contentar com meses sem atividade. "São quatro, cinco meses trabalhando e oito sem competições. É situação de calamidade, você investe e não tem retorno. Os estaduais não tem rentabilidade", afirmou o dirigente.

Como Lampião, o Serra Talhada se vira para sobreviver no sertão do futebol brasileiro.

"Laranja Mecânica do Sertão" tem Neeskens, mas no gol

O time é conhecido como "Laranja Mecânica do Sertão" por causa das cores do uniforme, inspiradas na Holanda de 74. E uma incrível coincidência: Neeskens teve uma passagem pelo time, só que no gol.

O pai de Neeskens Amorim Silva Santos era um grande fã do craque holandês e resolveu fazer  uma homenagem batizando o filho com o nome do meio campista. Após atuar por 2 anos no Serra, o arqueiro se aposentou e agora  trabalha como preparador de goleiros da equipe sub-20 do Serra.

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