Caos na CBF: falhas irritam clubes e atrapalham campeonatos

Camila Mattoso, do ESPN.com.br
Reprodução
José Maria Marin em coletiva na sede da CBF
José Maria Marin em coletiva na sede da CBF

O departamento de registros da Confederação Brasileira de Futebol tem sido alvo de duras críticas por parte de dirigentes de clubes e advogados que atuam no meio. Recorrentes falhas têm atrapalhado os campeonatos e causado confusões que acabam sendo levadas para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva ou até mesmo para a Justiça Comum. 

Os erros têm incomodado também a atual diretoria, segundo apurou o ESPN.com.br. O principal problema tem a ver com o BID, o famoso Boletim Informativo Diário, que mostra os jogadores que estão registrados no banco da CBF e, portanto, aptos para participarem de todas as competições por ela organizadas. 

A última trapalhada mais significante aconteceu na Copa Verde e vai ser julgada na próxima segunda-feira. O que está em jogo é apenas (!) uma vaga na Copa Sul-Americana. Em campo, no dia 21 de abril, o Brasília ganhou do Paysandu e conquistou o título e o acesso para o campeonato organizado pela Conmebol. Acontece que alguns dias depois, o departamento jurídico do alviceleste apresentou uma denúncia de que quatro jogadores adversários entraram em campo de forma irregular. 

Entenda: a tese apresentada pelos advogados do time paraense é de que os atletas disputaram algumas partidas sem estar no BID. A entidade admite que de fato eles não estavam no sistema, mas alega que estavam regulares, e que o que houve foi um erro cometido por ela - como é possível ver no documento obtido pela reportagem, no final da matéria. 

No entendimento dos advogados do Paysandu, mais do que uma vaga na Sul-Americana, o STJD terá de decidir na próxima segunda se abrirá esse precedente para o resto dos clubes e outros campeonatos. O departamento de registros diz que percebeu a falha depois e registrou os nomes de forma retroativa. Uma frase bastante falada no meio do direito desportivo é a seguinte: se está no BID está no mundo. E vice-versa. 

Um outro caso do mesmo tipo, tão ou mais grave, está sendo resolvido na Justiça Comum. No ano passado, o Icasa, quinto colocado da Série B, encontrou uma irregularidade com um jogador do Figueirense, na segunda rodada do campeonato. O atleta estava de fato sem condições de participar da partida, mas um erro aconteceu, novamente por parte do departamento de registros, que o colocou no BID, mas depois o retirou sem avisar ninguém.

Apesar da denúncia do time cearense, a procuradoria-geral do STJD não encaminhou o problema, pois a reclamação foi feita apenas no final do ano, quando já havia prescrito o tempo para apresentar a questão - o Icasa poderia subir para a elite se o clube catarinense fosse punido e, por isso, pede uma indenização milionária em seu processo. Na época, o ESPN.com.br revelou um documento em que a entidade reconhecia a falha e, em entrevista coletiva, o vice da CBF Marco Polo Del Nero admitiu o problema.

"O erro humano acontece. Nós já conversamos com o departamento de registro e já entendemos que há falhas, como tirar um jogador do BID e não avisar o clube. Foi o que aconteceu no caso. Nos disseram que "é assim há 20 anos". Então há 20 anos estão errados. Tem que avisar o clube. Isso é uma coisa para resolver. Temos muita coisa para resolver, e vamos resolver", disse o braço-direito de José Maria Marin.

Também no ano passado, um problema parecido aconteceu com o Cruzeiro. O goleiro Elisson estava sem contrato em vigência com o clube mineiro, mas mesmo assim apareceu no BID, mas depois foi excluído sem nenhuma comunicação. O atleta entrou em campo e depois foi denunciado. O time, no entanto, foi absolvido já que conseguiu ganhar com a tese de que fora induzido ao erro pela própria CBF.

Além de dirigentes irritados com o tema, nos bastidores do STJD o assunto também tem sido muito falado. O principal comentário entre vários auditores é de que o setor em questão está desorganizado. Procurado pela reportagem, o diretor do departamento de registros não quis dar entrevista. Segundo Luiz Gustavo Vieira, como há casos ainda em andamento, a orientação é para que não se fale sobre o assunto. 

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Documento CBF
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