Bom Senso diz que 'tragédia' não transformará o futebol brasileiro e pede mudanças na CBF

ESPN.com.br com agência Gazeta Press
Gabriela Moreira/ESPN.com.br
Jogadores do Bom Senso FC reunidos em Brasília, onde se encontraram com Dilma Rousseff
Jogadores do Bom Senso FC reunidos em Brasília, onde se encontraram com Dilma Rousseff

O ‘Bom Senso FC', movimento de jogadores que pedem mudanças no futebol brasileiro, se pronunciou na manhã desta segunda-feira sobre o desempenho da seleção na Copa do Mundo. No site oficial do grupo, os jogadores pediram mudanças no estatuto da CBF.

Em artigo intitulado "Por que a tragédia da Copa não afetará a CBF", o Bom Senso, mais uma vez, questionou a democracia dentro da entidade que rege o futebol brasileiro, dizendo que "as eleições foram antecipadas, estrategicamente, para o mês de abril a fim de blindar a CBF contra qualquer mudança em caso de um eventual fracasso da seleção".

Na sequência, o movimento explica o funcionamento do estatuto da CBF, que determina que, para concorrer à presidência da entidade, um candidato deve contar com o apoio de pelo menos oito federações e cinco clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Na visão do Bom Senso, o mecanismo mantém "o futebol brasileiro nas mãos dos mesmos senhores que o trouxeram até aqui".

Os atletas encerram seu manifesto pedindo que, na próxima quarta-feira, na volta da Série A do Campeonato Brasileiro, os torcedores levem aos estádios faixas e cartazes pedindo ‘democracia na CBF'.

Leia, na íntegra, o texto divulgado pelo Bom Senso FC:

Dois meses antes do início da Copa do Mundo, Marco Polo Del Nero foi eleito o novo presidente da CBF. As eleições que ocorrem de 4 em 4 anos - inicialmente previstas para outubro deste ano - foram antecipadas, estrategicamente, para o mês de abril a fim de blindar a CBF contra qualquer mudança em caso de um eventual fracasso da Seleção Brasileira no Mundial.

Não bastasse a absurda antecipação, a disputa pela presidência da entidade é a prova incontestável de que os conceitos de eleições e democracia não pertencem necessariamente a mesma família.

O concorrido pleito foi vencido - pasmem! - pelo único homem que o disputou. E a pergunta é: por que apenas um candidato? Será que o cargo mais importante desse esporte no país, cuja entidade detém o monopólio sobre a exploração do nosso maior patrimônio cultural e arrecada R$350 milhões por ano, é algo tão indesejável assim?

Tudo se explica pelo estatuto social da CBF. É ele que determina a representação de apenas 47 homens: os presidentes das 27 federações estaduais e os presidentes dos 20 clubes da série A. São eles que decidem o futuro do futebol no país. Aliado a isso, políticos do futebol se escoram em outra proteção estatutária para jogar um jogo só deles. É a chamada cláusula de barreira, ou seja, para concorrer ao cargo de presidente da entidade, é necessário contar com o apoio de pelo menos 8 Federações e 5 clubes da Série A. Assim sendo, o futebol brasileiro - apesar do desfecho melancólico na Copa de 2014 - deve continuar nas mãos dos mesmos senhores que o trouxeram até aqui.

A falta de visão que desorienta o nosso futebol é resultado direto deste processo político arcaico, em que treinadores, jogadores, árbitros e executivos não têm quaisquer instrumentos para incidir nas decisões relevantes do futebol no país.

Se o futebol brasileiro quiser evoluir, a CBF precisa garantir uma representação equilibrada de todos os segmentos do esporte. É urgente que a assembleia geral da CBF seja composta não apenas por um corpo político-burocrático, mas principalmente pelo setor técnico do futebol.

Nada mudará se não democratizarmos o estatuto da CBF.

E você, torcedor brasileiro, que tem perguntado como ajudar, como participar da construção do nosso próprio legado da Copa, vá ao estádio nesta quarta-feira - quando recomeça o Brasileirão - e leve um cartaz ou uma faixa, pedindo:

Democracia na CBF, já!

Com o seu apoio viraremos esse jogo!

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