Tetra alemão, disputa entre brasileiros e argentinos na arquibancada: Maracanã reencontra sua história

A. Linares, Felipe Lyra, Igor Resende, Lucas Borges, Pedro H. Torre e Tiago Leme
Getty
Maracanã durante a final da Copa do Mundo, entre Alemanha e Argentina
Maracanã durante a final da Copa do Mundo, entre Alemanha e Argentina

A exatos três dias do aniversário de 64 anos de sua primeira final de Copa do Mundo, o Maracanã reencontrou sua história. Havia também, um time de branco e um time de azul, como em 1950. Mas nada de Brasil e Uruguai. Alemanha e Argentina. Em pleno duelo no campo e na arquibancada. Fazendo o gigante pulsar. Com direito a grande intromissão dos brasileiros. Uma festa do Templo do futebol.

As camisas verde e amarelas não eram tão abundantes quanto em outros jogos no Maracanã. Mas faziam barulho. Gritavam "pentacampeão", "Mil gols só Pelé". Mais do que provocar os hermanos, era amor próprio. Ainda lambidas nas feridas causadas diante das humilhações impostas por Alemanha e Holanda. Mas, ao seu lado, as camisas albicelestes não se calavam. Pelo contrário.

Destacavam-se com facilidade no anel do Maracanã do novo século. Um estádio que se recusa a se portar como arena. E mandava o recado com provocações ao Brasil, deboche em relação à goleada de 7 a 1 sofrida pela própria Alemanha davam o tom do coro do estádio. Imponente, com o Cristo Redentor ao fundo de sua paisagem, o Maracanã se mostrava belo com o tremular de camisas argentinas e alemãs. Que festa.

A força dos hermanos na arquibancada só era silenciada com um lance alemão em campo. Por segundos. Em seguida, estavam a tornar o novo Maraca em uma das canchas portenhas, pulsante com sentimento que não pode parar. Quando Higuaín, ainda no primeiro tempo, perdeu chance na frente de Neuer, o estádio viu um burburinho tomar conta do ambiente. Houve focos de desentendimento entre brasileiros e argentinos. Provocações mútuas, mais fortes. Mas que não chegaram a estragar a festa. Irritados, alguns brasileiros chegaram a hostilizar a presidente Dilma Rouseff. 

Os alemães, mais tímidos, pouco davam o ar da graça. Pareciam nervosos com o jogo e, ao mesmo tempo, admiravam a briga particular de brasileiros e argentinos. Na prorrogação, tentaram incentivar Schweinsteiger e companhia, mas logo eram abafados pelo sentimento argentino. Parecia que a guerra na arquibancada estava perdida. Mas aí, enfim, o Maracanã se anunciou brasileiro.

Schürrle lançou Götze na área. O camisa 19 matou no peito e tocou no fundo....das almas no Maracanã. Golaço. Gol da Alemanha. Gol da torcida alemã. Os argentinos, em peso, desabaram. O mundo da bola tinha um novo tetracampeão. Os brasileiros, em peso, voltaram a ironizar os hermanos e fazer ode a Pelé. Mil gols. Um gol. Duas finais. Outro Maracanazo. Mas agora argentino. E, no fundo, o estádio suspirou. Foi, de novo, palco do mundo. 13 de julho de 2014. Quase 64 anos depois o Maracanã, enfim, reencontrou sua história.

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