Título de 62 ou tragédia de 66? História tem dois lados para Brasil com craque machucado

André Linares, Igor Resende, Lucas Borges e Paulo Cobos, de Fortaleza (CE)
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Em 1962, lesão de Pelé acabou em título para o Brasil; quatro anos depois, acabou em tragédia
Em 1962, lesão de Pelé acabou em título para o Brasil; quatro anos depois, acabou em tragédia

Perder o grande astro da equipe, como perdeu Neymar nesta sexta, não é nenhuma novidade para o Brasil em Copas do Mundo. Pelo contrário. O país já passou duas vezes pela mesma situação e tem duas histórias diferentes para servir como exemplo. O problema é que, ao menos por enquanto, não parece possível apontar qual das duas se assemelha mais ao momento atual.

A primeira das lembranças é para lá de positiva. Depois de encantar o mundo e comandar o Brasil ao título mundial com apenas 17 anos, Pelé chegava para a Copa do Mundo de 1962 como a grande estrela do futebol e candidato absoluto a craque do torneio. O problema é que logo no segundo jogo, diante da Tchecoslováquia, o astro brasileiro sentiu um estiramento na coxa que o tiraria da competição.

A seleção, claro, entrou em choque. O que fazer para substituir o melhor jogador da história do futebol? A resposta, porém, estava muito mais perto do que todos esperavam. Amarildo saiu do banco de reservas, marcou os dois gols da decisiva vitória de virada contra a Espanha logo na partida seguinte e deu novos ânimos para a equipe.

Mas, mais do que Amarildo no banco de reservas, o Brasil descobriu que já tinha a solução para o seu problema dentro da equipe titular. Garrincha chamou a responsabilidade, se tornou o dono da equipe dentro das quatro linhas, marcou quatro dos 11 gols brasileiros na fase decisiva e conduziu o time ao bicampeonato.

Quatro anos depois, a história praticamente se repetiu. Mas desta vez com um final muito diferente. Pelé entrou em campo na estreia diante da Bulgária e até marcou um dos gols da vitória por 2 a 0, mas foi extremamente caçado em campo e acabou deixando a partida contundido. Aquela seria a última aparição dele ao lado de Garrincha, a dupla que ficou marcada por nunca perder nos 49 jogos que fez na seleção.

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Pelé foi caçado em 1966 e não conseguiu jogar
Pelé foi caçado em 1966 e não conseguiu jogar

Pelé não entrou em campo diante da Hungria no segundo jogo, e o Brasil foi derrotado por 3 a 1. Diante de Portugal, em uma situação de vida ou morte, o astro até foi para o campo, mas visivelmente não estava em condições, sem nem conseguir se movimentar direito. Para piorar, os portugueses não perdoaram e voltaram a caçar Pelé em campo. A seleção acabou derrotada por 3 a 1 novamente e foi eliminada ainda na primeira fase. Até hoje, é uma das piores participações do país em um Mundial.

Sem Neymar, o Brasil atual ainda não sabe direito com qual dos dois times históricos tem mais coincidências. Ao menos no momento, Willian surge como candidato a novo Amarildo, para sair do banco e assumir o posto deixado pelo astro. Dentro do time, porém, ainda é difícil ver quem poderia ser um novo Garrincha. Oscar é quem pode chamar a responsabilidade, mas, até agora, o time está marcado justamente por ter mais astros na defesa do que no ataque.

Nem mesmo Amarildo parece acreditar que hajam semelhanças com 1962. "Sinto muito em dizer que não (há outro Amarildo). Hoje, no momento, não temos um jogador como o Neymar. Poderia ter se tivesse convocado o Robinho, mas ele não foi chamado. Ele tem as mesmas características do Neymar, e, se entrasse, não teria que mudar nada no estilo de jogo da seleção", disse em entrevista à Rádio ESPN.

Mas as semelhanças com 1966 também são pequenas. O time na época enfrentou problemas de organização antes mesmo de o Mundial começar. Mas, mais do que isso, vivia uma entressafra entre o time campeão de 1962 e o time que seria campeão em 1970. Alguns já haviam passado do ponto, enquanto outros ainda não haviam chegado a esse ponto para defender a seleção em uma Copa.

Felipão terá pouco mais de três dias para solucionar o quebra-cabeça da seleção sem Neymar e usar a lesão do seu grande astro como motivação. A seu favor, pelo menos, fica o fim da pressão sobre o time. Se conseguir repetir o título de 1962, terá construído uma das histórias de superação mais bonitas da história de futebol. Mas se perder e for eliminado como em 66, ficará longe de ver a derrota ser taxada como uma tragédia.

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