'O Milagre de Berna': um mito faz 60 anos

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Jogadores da Alemanha se abraçam após o apito final: primeiro título mundial
Jogadores da Alemanha se abraçam após o apito final: primeiro título mundial

No dia 4 de julho, sexta-feira, o assim chamado "Milagre de Berna" faz 60 anos. Para muitos historiadores, o triunfo da seleção alemã na Copa do Mundo de 1954 representa de fato a fundação da República Federal Alemã, sem mais, nem menos.

A narração de Herbert Zimmermann ainda fascina os fãs do futebol: "Acabou! Acabou! Acabou! O jogo acabou! A Alemanha bate a Hungria por 3 a 2 na final em Berna!" É a descrição de uma testemunha ocular de um marco na história do futebol alemão e da própria Alemanha, recém-surgida das cinzas da 2ª Guerra Mundial.

Veja abaixo a histórica narração

A vitória sobre a Hungria na final, que era então considerada imbatível, se tornou um mito germânico bem a gosto do compositor alemão Richard Wagner. A partir do triunfo muitas histórias foram escritas, algumas verdadeiras, outras fantasiosas.

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Czibor (11) e Kocsis (8) celebram um dos gols da máquina húngara na final
Czibor (11) e Kocsis (8), peças da máquina húngara

Um dos heróis daquele jogo épico, Horst Eckel, vê toda essa agitação em torno do tema que nestes dias novamente vem à tona, com muita tranquilidade: "Tem ainda muitas coisas que não chegaram ao conhecimento do público, mas é até bom - devem ficar onde estão. Não interessam mais. Já se falou e se escreveu muito sobre isto."

Na verdade, será muito difícil descobrir novos segredos daquele jogo histórico, mesmo porque apenas dois jogadores daquele time, agora envolto em mitos, ainda estão vivos: o próprio Horst Eckel (82) e Hans Schäfer (86).

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Capitão Fritz Walter segura a Taça Jules Rimet pela conquista mundial de 1954
Capitão Fritz Walter segura a Taça Jules Rimet

Fato é que para muitos alemães que estiveram presentes no estádio ou ouviram a transmissão pelo rádio, aquele dia é como se fosse ontem. Horst Eckel conta que "...aquele dia está vivo na minha memória. Penso diariamente naqueles momentos de glória. Até hoje recebo cartas de torcedores a respeito. Mesmo se não quisesse, a toda hora alguém me lembra daquilo. Posso ir para onde quiser: o "Milagre de Berna" sempre me acompanha seja onde eu estiver, aqui na Alemanha ou no exterior."

A revisão da história trouxe também à tona alguns fatos que lançam sombras sobre aquela conquista. Houve suspeitas de que os jogadores alemães jogaram dopados por conta de alguns casos de hepatite que surgiram logo após a Copa. Outros atletas da seleção não suportaram todo "circo" montado em torno do triunfo. Alguns tentaram se suicidar, outros sucumbiram ao alcoolismo. O prêmio recebido pela conquista foi ínfimo: R$ 3.500,00 e um aparelho de TV (preto e branco).

Para os jogadores da Hungria, não terem conquistado o título foi devastador em suas vidas pessoais. Também foram acusados de doping. Alguns foram tratados pelo regime comunista como traidores da pátria: interrogados, presos e banidos do futebol. Familiares dos jogadores perderam o seu emprego. Grosics, o goleiro húngaro daquele time, recentemente falecido, declarou há alguns anos: "Até hoje sou perseguido nos meus pesadelos por aquele gol de Rahn que decretou nossa derrota."

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O famoso gol de Helmut Rahn: corte para o meio e chute de esquerda no canto
O famoso gol de Helmut Rahn: corte para o meio e chute de esquerda no canto de Grosics
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