Ex-taxista está por trás de 100% da Colômbia na Copa do Mundo

Marcus Alves, de Cuiabá (MT), para o ESPN.com.br
Getty
Pekerman esteve no Mundial de 2006 com a seleção argentina também
Pekerman esteve no Mundial de 2006 com a seleção argentina também

Um ex-taxista que dirigia um Renault 12 pelas ruas de Buenos Aires durante a ditadura argentina e tinha como principal passatempo trabalhar em possíveis projetos para o futebol é hoje o responsável pela seleção que encanta a todos, carrega uma das torcidas mais fanáticas desta Copa e fechou a fase de grupos com 100% de aproveitamento. Prazer, José Pekerman, o mentor do sucesso da Colômbia.

Ele não assume isso, claro.

Perguntado sobre o segredo dos cafeteros nesta terça-feira, após a goleada de 4 a 1 sobre o Japão na Arena Pantanal, em Cuiabá, e a confirmação do primeiro lugar na chave, recorre a uma explicação que surpreende pela simplicidade.

"Silêncio", afirma.

Pekerman fala baixo, pausadamente, reproduzindo em seu discurso a mesma trajetória humilde que teve do assento de seu carro até os gramados brasileiros.

No lugar de passageiros, hoje carrega do vestiário para o campo uma geração que tenta se desvincular dos fantasmas que perseguem qualquer atleta colombiano desde 1994 com nomes próprios como Valderrama, Asprilla e companhia. Um grupo que ao mesmo tempo em que ficou marcado pelo futebol técnico transmitia também a sensação de não estar totalmente compromissado com o resultado.

Não existe mais isso.

E ainda há mais por vir no futuro além dos James Rodríguez, Jackson Martínez e Cuadrado.

Depois das vitórias sobre Japão, Costa do Marfim e Grécia, esse é o legado que motiva Pekerman.

"Gosto de evitar comparações. Sempre disse que disfrutei daquela fase da Colômbia, ninguém esquece, foi uma maravilha. Estamos aqui mais uma vez no Mundial, mas com a nossa história, precisamos fazer bastante e seguir trabalhando. O importante é começar a ver que existe uma renovação, a possibilidade de se ampliar esse potencial por mais tempo. Essa, sim, é uma conclusão que se pode tirar de agora", analisou.

Ex-Argentinos Juniors, Vélez Sarsfield e seleção argentina, responsável pela formação de nomes como Riquelme, Cambiasso e Redondo e hoje pedido até mesmo como presidente - teve o seu nome incluído nas urnas por torcedores na última eleição presidencial -, Pekerman mostra que não está no banco de reservas por acidente.

Os projetos elaborados em seu Renault 12 não poderiam ser mais seguros.

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