Ex-lixador de móveis, 'ex-morto' e na ativa aos 43: goleiro Hiran quer entrar para o Guinness

Francisco De Laurentiis, do ESPN.com.br, com Rádio ESPN

Lembra do goleiro Hiran, aquele do Inter, Atlético-MG, Guarani e Ponte Preta, que ficou marcado por fazer dois gols de cabeça? Se você acha que ele morreu, como chegou a ser noticiado, ou aposentou, está muito enganado. O veterano está firme e forte, fazendo suas defesas aos 43 anos, e em busca de colocar seu nome no Guinness Book, o livro dos recordes.

Em entrevista à ESPN, Hiran, que está sem clube, após disputar a Série A-3 do Paulista pela Santacruzense, fez piada e refutou que esteja morto, mesmo com o minuto de silêncio feito por vários times em 2004, quando por muito pouco escapou de vestir o "pijama de madeira".

"Isso (boato da morte) foi por causa do acidente de carro que eu sofri, quando entrei debaixo de uma carreta. Estava indo pegar avião pra acertar contrato com o Brasiliense, mas estava chovendo muito, o caminhão rodou na pista e me pegou. Quebrei bacia, costela, braço, tirei o baço... Fiquei quase um mês e meio em coma no hospital! Por isso teve um monte de notícia que eu tinha morrido", explica.

Gazeta Press
Hiran Guarani Túlio Maravilha Corinthians Campeonato Paulista 1997 23/03/1997
Hiran, no Guarani, e Túlio Maravilha, do Corinthians, em 1997

Depois do susto, o goleiro, que havia deixado a Ponte Preta, ficou quase sete anos sem trabalhar, "encostado pelo INSS", como ele próprio descreveu. Em 2010, foi chamado para ser preparador de goleiros no Linhares, do Espírito Santo, time da cidade onde nasceu, e aceitou. Após um pedido especial, no entanto, resolveu vestir novamente as luvas e voltar a ser jogador.

"Foi meu filho, o Hiranzinho, que me fez voltar a jogar. Um dia, substitui um goleiro que estava machucado durante um treino e ele falou: 'pai, você agarra melhor que 'esses cara tudo' aí'. Falei: 'eu sei, filho'. Aí ele desafiou 'então, quero ver você voltar a agarrar'. E eu aceitei", contou.

"Treinei uns três meses pesado, sofrendo, mas valeu a pena. Em 2011, fui o goleiro menos vazado e o craque do Campeonato Capixaba pelo Linhares. Foi uma satisfação e um orgulho muito grande", completou o arqueiro, que também chegou a trabalhar como treinador no final de sua passagem pela Santacruzense, neste ano, nas rodadas derradeiras da A-3.

Os gols de cabeça
Hiran ganhou fama nacional no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, ao marcar dois gols de cabeça - feito que seria repetido anos mais tarde por Lauro. O primeiro saiu em 1997, pelo Guarani. Na ocasião, ele fez o tento de empate do 3 a 3 com o Palmeiras, no Brinco de Ouro, após testar para as redes de Velloso, aos 48 do segundo tempo.

"Eu também batia falta nesse tempo. Era 47, estava 3 a 2, bati uma falta no bico da área e o Velloso fez milagre e mandou pra escanteio. Pensei: 'já é 47, vou ficar aqui na área mesmo'. Aí veio o escanteio, subi por trás do Luizão e do Clebão e fiz o gol de cabeça. Veio certinho para mim, só tive que empurrar", recorda.

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Já seu segundo gol misturou alegria e tristeza. Em 1999, ele estava atuando pelo Santo André quando foi para o ataque e anotou sobre o Juventus, pelo Campeonato Paulista. Na euforia, foi comemorar com a comissão técnica, e acabou castigado.

"Fui pra área aos 45 e fiz o gol. Aí fui abraçar o (técnico) Tata, que hoje é auxiliar do Muricy Ramalho hoje. No que fui pro abraço, gritei pro pessoal: 'Fica na bola, fica na bola'. Mas, quando vi, já era tarde. O Adil, aquele que jogou no Corinthians, bateu de canhota do meio campo, me encobriu e fez o gol. Nem tinha chegado na área direito ainda", relata, aos risos.

"No vestiário, dei um p... esporro nos caras: C..., além de fazer gol, querem que eu dê um chute na bola e suma com ela? Vou lá, faço um gol, ajudo vocês e não posso nem comemorar?".

Ex-lixador de móveis quer o Guinness
Antes de iniciar a carreira como goleiro, em 1993, Hiran fez de tudo um pouco: "Vendi tomate, salgadinho, lixei móvel... O tal de lixar móvel é f..., porque entra muita farpa na mão! Eu queria ser goleiro, aí resolvi parar, porque não dava pra ser goleiro sem dedo (risos)", lembra.

Muitos anos depois, porém, tudo o que ele quer é ver seu nome no Guinness Book, pelos feitos na carreira. A enorme burocracia do livro dos recordes, porém, está atrapalhando seus planos, já que a publicação pede uma série de documentos, testemunhas e vídeos para colocar alguém em seus registros anuais. "Eu tentei já, mas é uma papelada chata...", diz.

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Hiran pleiteia duas marcas: primeiro goleiro na história a fazer dois gols de cabeça e goleiro mais velho em atividade - essa marca pertence a Manga, ídolo do Inter, que jogou até os 46.

"Tem esse recorde de 46 do Manga, mas não sei se aguento... Vou tentar... Estou com 43, ainda dá pra aguentar os jogos numa boa. O que mata são os treinos, porque tem que cair, condicionar, ter contato com a bola todo dia", ressalta, antes de encerrar, aos risos.

"Chega uma hora que enche o saco!".

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