CBV pagou recepção da Federação Internacional de Vôlei na casa de Ary Graça

Lúcio de Castro, especial para o ESPN.com.br
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Abastecida por verbas estatais em fatia quase absoluta de suas receitas, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) foi generosa também no financiamento do relacionamento do então presidente da entidade, Ary Graça, com os membros do colégio eleitoral da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Eleito comandante da FIVB em setembro de 2012, três meses depois retribuiu a votação com o chapéu da CBV: ao custo de R$ 574.986,50 (quinhentos e setenta e quatro mil, novecentos e oitenta e seis reais e cinquenta centavos), recebeu os presidentes de confederações internacionais em Angra dos Reis para congresso, com três dias de reuniões, análise dos 100 dias de gestão no órgão mundial da modalidade e desfrute das maravilhas do paraíso tropical.
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O contrato de mais de meio milhão de reais, datado e em vigor a partir do dia quatro de dezembro daquele ano, com "término após a realização do evento" e "compreendendo planejamento, gerenciamento e execução do referido evento", foi pago pela CBV para a S4G Gestão de Negócios, que ficou responsável pela acolhida de 30 pessoas entre os dias 14, 15 e 16 de dezembro.

Como mostra o texto de divulgação no site da FIVB, a abertura do encontro foi realizada na própria mansão do presidente da FIVB, Ary Graça, no exclusivo condomínio Portobello. Ressaltando que era "um prazer receber todo mundo, na minha casa, com a minha família", o mandatário deu, em sua fala de abertura, o tom que iria marcar os três dias do encontro: a necessidade de honestidade e transparência.

"Nossa imagem é essencial. Temos de investir internamente. É preciso usar métodos de governança corporativa, a fim de trabalhar honestamente e com transparência", afirmou. Na sequência, deu conselhos sobre a construção da imagem de cada um. "Devemos permanentemente construir a nossa imagem da melhor maneira possível. Cuidadosa e continuamente trabalhar em nossa imagem, como uma flor, que, como uma coisa de beleza, precisa o melhor tratamento", disse Ary Graça.

Os conselhos do anfitrião foram adiante. Com larga experiência no tema, comandando no Brasil uma entidade que recebe a maioria absoluta de sua receita do governo, deu o caminho das pedras. "Os governos muitas vezes podem ser os nossos melhores parceiros. Eles podem entender tecnicamente os nossos projetos e investimentos".

Questionada pela reportagem sobre a legalidade estatutária do envolvimento da entidade em atos relacionados com a FIVB, a atual gestão da Confederação Brasileira de Vôlei declarou desconhecer tais fatos.

"A atual gestão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) desconhece, até este momento, qualquer envolvimento financeiro da entidade na campanha do ex-presidente Ary Graça. Reforça ainda que acredita que todos os recursos da CBV devem ser investidos no voleibol brasileiro".

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A S4G Gestão de Negócios, beneficiária de tal contrato para execução do congresso em Angra, foi apresentada aqui, na série de reportagens "Dossiê Vôlei". A empresa, que consta nos documentos obtidos no Cartório de Saquarema ser de Fábio André Dias Azevedo, foi levada para dentro da CBV por Ary Graça, com quem tem estreitos laços. A relação não ficou por aí. O dono da S4G é também "Diretor Geral" da FIVB, como consta no expediente da entidade, primeiro cargo abaixo de Ary Graça.

O "Dossiê Vôlei" revelou a existência de dois contratos de "prestação de serviços de representação e assessoria comercial" no valor total de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) pagos pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que beneficiam a "S4G Gestão de Negócios". Pelos acordos, a S4G Gestão de Negócios recebe comissão da CBV em cima de contrato de patrocínio negociado diretamente entre a entidade e o Banco do Brasil (BB), ganhando tal porcentagem posteriormente a venda já realizada de forma direta CBV e BB. Por terem sidos suspensos os contratos, o valor total previsto não chegou a ser pago.

Iniciados em 15 de abril de 2011, os contratos entre CBV e S4G Gestão de Negócios iriam até 30 de junho de 2017. Chamou atenção a data de abertura da S4G Gestão de Negócios. Registrada em 12 de abril de 2011 no Cartório do Ofício Único de Saquarema, três dias depois, em 15 de abril, já fechava com a CBV os dois contratos no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) cada um. Uma outra empresa foi revelada na reportagem, mostrando a duplicidade na cobrança de comissão por venda feita diretamente: a SMP, constando ser de Marcos Pina, que deixou o cargo de superintendente da CBV após as denúncias.

Fábio Azevedo abriu a "S4G Gestão de Eventos" em 10 de setembro de 2010. Poucos meses depois, no dia 12 de abril de 2011, o atual Diretor Geral da FIVB abriu mais dois braços da S4G: a "S4G Gestão de Negócios" e "S4G Planejamento e Marketing".

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