Come-Fogo já teve Sócrates de ressaca, Raí invicto e gandula preso; conheça causos

Francisco De Laurentiis, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Sócrates Botafogo-SP Corinthians Paulista 1974 12/10/1974
Sócrates foi o jogador mais decisivo da história do clássico Come-Fogo. Até mesmo de ressaca...

Neste sábado, os rivais Botafogo-SP e Comercial voltam a se encontrar em campo, naquele que é um dos maiores clássicos do futebol paulista: o Come-Fogo. A partida, válida pela 13ª rodada (a antepenúltima) do Campeonato Paulista, será no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto, e terá transmissão ao vivo da ESPN Radio a partir de 18h30 (horário de Brasília).

CONFIRA CLASSIFICAÇÃO E TABELA DO CAMPEONATO PAULISTA

Até hoje, o Come-Fogo já foi disputado em 164 ocasiões, com 60 vitórias botafoguenses, 48 triunfos comercialinos e 56 empates completando a estatística. A primeira vez em que os rivais se enfrentaram foi em 1920, há 94 anos. Na ocasião, o então Commercial, já uma equipe profissional, atropelou o semi-amador Botafogo por 8 a 0. O último clássico foi em 2012: empate por 1 a 1, pela Copa Paulista.

Além das estatísticas, porém, o clássico de Ribeirão Preto é cercado de histórias curiosas, os famosos "causos" do interior. Em sua história quase centenária, o Come-Fogo já viu o craque Sócrates decidindo um jogo mesmo de ressaca após baile de Carnaval. Em outros episódios pitorescos, já houve artilheiro batendo carro antes da partida, zagueiro do Comercial perdendo dentes e um gandula preso.

Conheça as melhores histórias do clássico do interior:

Se beber, vá para o jogo
Sócrates já decidiu um Come-Fogo de ressaca. Em 7 de março de 1976, após curtir a noite em um animado baile de Carnaval (ao lado de colegas do Botafogo e até de rivais do Comercial), o "Doutor" foi para o clássico na manhã seguinte em estado não muito apropriado para um jogador de Campeonato Paulista, mas acabou sendo decisivo mesmo assim. Ele mesmo conta.

"Veio o sábado, uma droga de jogo, um calor danado, ninguém conseguia nem andar. Pós-Carnaval, todo mundo num sono daqueles. Mas aos 45 do segundo tempo, o Gonçalves (zagueiro do Comercial) ficou atrasando a bola para o goleiro. Eu tava no meio de campo e o juiz estava olhando o relógio para acabar o jogo. Ia ser 0 a 0. O goleiro fazia uma onda e eu dava uns passinhos pra frente. E o zagueirão continuava devolvendo para o goleiro. No que jogou a terceira eu dei o bote e ele assustou, jogou a bola e ela passou do goleiro. Fui lá e fiz o gol. Nem voltei para o campo, foi a maior farra. O jogo acabou ali", relatou o craque, no livro Botafogo, uma história de amor e glórias.

Sócrates é até hoje o jogador mais decisivo da história do Come-Fogo: nos 19 clássicos que disputou, ele fez o gol da vitória em quatro ocasiões.

Raí, o invicto
Outro grande nome revelado pela base do Botafogo, o meia Raí nunca perdeu um Come-Fogo. Em sua passagem pela equipe de Ribeirão Preto, que durou de 1984 a 1986, ele disputou quatro clássicos e saiu sem derrota: foram três vitórias e um empate.

Nessas partidas, ele foi titular quatro vezes e anotou um gol. Foi em 4 de maio de 1986, dia em que Raí abriu o placar para a equipe tricolor cobrando pênalti. O duelo acabou 2 a 2.

Zagueiro sem dentes
O zagueiro Piter, do Comercial, foi considerado por Pelé como um de seus melhores marcadores na história. Mas o "Muralha Negra", como era conhecido o defensor, viveu um dia bastante triste em um Come-Fogo: após levar uma bolada do rival Carlucci (conhecido pelo chute fortíssimo) direto no rosto, Piter acabou ficando sem alguns dentes.

Goleiro agredido e gandula preso
O duelo de 04 de fevereiro de 2007, válido pela Série A2 do Paulistão, teve vitória do Comercial por 1 a 0, mas a partida foi manchada por uma terrível agressão. Um gandula, conhecido como Carlinhos, acertou o goleiro Marcão, do Botafogo, com uma barra de ferro e acabou preso.

O dia em que o árbitro atrasou
Em um Come-Fogo realizado em 21 de julho de 1985, o árbitro Roberto Nunes Morgado teve problemas com seu carro enquanto viajava para apitar o clássico e ficou parado na via Anhanguera, que liga São Paulo ao interior do Estado. As torcidas ficaram impacientes e começaram a brigar.

Quando Morgado chegou ao estádio Santa Cruz, com mais de uma hora de atraso, em um táxi com placa de Pirassununga, boa parte dos torcedores não estava na arquibancada, mas sim na enfermaria. Em campo, o Botafogo venceu por 2 a 0.

Rivais abandonam o jogo no meio
Mesmo durante a era amadora, a rivalidade já era intensa. Em um Come-Fogo realizado no dia 1° de março de 1931, os jogadores do Botafogo abandonaram o campo por não concordarem com uma marcação do árbitro. Por WO, o Comercial saiu com a vitória, apesar do placar estar marcando 1 a 1.

Reprodução
Geraldão (esq), do Botafogo-SP, tenta cabeçada durante partida contra o Comercial
Geraldão, o maior artilheiro da história dos Come-Fogos

Já em 1º de maio de 1977, o Botafogo, que tinha então o melhor time de sua história, vencia por 1 a 0 e ameaçava golear. Preocupado com seu emprego, o técnico Alfredo Sampaio ordenou que os jogadores do Comercial simulassem contusões. Sem o número mínimo de atletas em campo, não restou alternativa ao árbitro José Favilli Neto que encerrar a partida oito minutos antes do previsto.

Geraldão bate o carro, mas decide o jogo
O atacante Geraldão, maior artilheiro da história dos Come-Fogos e ídolo de Botafogo e Corinthians, viveu situação inusitada em dia de clássico em 1974. Enquanto ia para o estádio, sofreu um terrível acidente de carro, mas escapou ileso. Chegou ao estádio abalado, mas resolveu ir a campo mesmo assim. E, como sempre, acabou sendo decisivo: marcou um gol e a equipe tricolor venceu por 2 a 1.

Maiores goleadas
As maiores goleadas do clássico são ambas pelo mesmo resultado. Em 17 de maio de 1955, o Botafogo fez 5 a 0, gols de Neco (2), Américo, Dorival e Brotero.

O troco veio em 28 de agosto de 1966, quando o Comercial também venceu por 5 a 0. Os artilheiros do dia foram Peixinho (2), Luiz, Paulo Bin e Jair Bala.

Clássico no Cerrado
O único Come-Fogo realizado fora de Ribeirão Preto foi em Goiânia, no dia 21 de março de 1965, com placar de 1 a 1. Foi válido por um torneio amistoso que também contou com Atlético-GO e Campinas.

Comentários

Come-Fogo já teve Sócrates de ressaca, Raí invicto e gandula preso; conheça causos

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.