Palmeiras e Corinthians dizem que são reféns da violência; Gobbi propõe até controle de natalidade

Francisco De Laurentiis, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br

Corinthians e Palmeiras vêm sofrendo há muitos anos com a violência de torcidas organizadas. Brigas entre uniformizadas rivais (e até entre torcedores dos próprios clubes) tiraram vidas e mandos de campo dos dois times. Atletas fugiram para outras equipes após serem agredidos. Tudo culpa da brutalidade dos supostos torcedores..

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Para tentar amenizar o clima quente do clássico deste domingo, pela 8ª rodada do Campeonato Paulista, os adversários organizaram uma "coletiva pela paz" na última sexta-feira, que contou com membros das duas equipes. Durante o evento, os presidentes Mário Gobbi, do Corinthians, e Paulo Nobre, do Palmeiras, disseram que não veem um fim próximo para a violência entre torcidas e colocaram os clubes como vítimas dos confrontos.

Agência Corinthians
Mário Gobbi e Paulo Nobre
Mário Gobbi e Paulo Nobre: rivais sofrem com suas torcidas

Além disso, disseram que a responsabilidade de acabar com os conflitos é do Governo, e não dos times. Segundo os cartolas, o Estado é quem deve dar condições ao cidadão para que ele não pratique atitudes violentas.

"Estão querendo que os clubes cuidem do que o Estado não cuidou há 50 anos atrás. Daí eu, Paulo Nobre, Gilson Kleina, Mano Menezes, Juvenal [Juvêncio, presidente do São Paulo], Odílio [Rodrigues, presidente do Santos], Palmeiras, Corinthians, temos que cuidar da segurança pública, daquilo que é fruto do que a falta de assistência do Estado criou", bradou Gobbi, que chegou a propor controle da taxa de natalidade na população brasileira como uma solução para a criminalidade.

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"Temos que implantar um controle de natalidade. É uma violência enorme contra o ser humano, contra os meus princípios, contra tudo o que aprendi na minha vida, mas nosso país não dá conta da demanda de pessoas que temos. O Estado tem uma lacuna, e nós, times, estamos pagando caro por ela", completou o mandatário corintiano.

A sobrinha de Paulo Nobre
Odiado pelas organizadas por ter rompido relação após conflitos entre jogadores e torcedores, o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, contou uma história para exemplificar a violência entre as torcidas. Segundo o mandatário, o ódio irracional entre rivais vêm de longe e chegou a afetar até sua sobrinha de apenas 10 anos.

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"Eu tenho dois sobrinhos adolescentes e fiz um trabalho muito forte para eles serem palmeirenses. Um dia, minha sobrinha chegou e me perguntou: 'Tio, eu posso ter amizade com quem não torcer pro Palmeiras?'. Eu me assustei muito com isso... Na hora, respondi: 'Pelo amor de Deus, Eliza, é claro que sim. Você tem que ter amizade com todo mundo. Amar seu clube não significa odiar o adversário'", ressaltou Nobre.

Gazeta Press
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O dirigente também afirmou que, apesar da tentativa de Palmeiras e Corinthians em promoverem a paz por meio da coletiva, o fim da violência entre torcidas no futebol ainda está longe. O alviverde, contudo, considerou a tentativa como algo válido na luta para tentar acabar com as brigas no esporte.

"Na minha opinião, está longe (de acabar a violência)... Mas uma maratona de 42km também está longe no primeiro passo, e não é por isso que não vamos dar o primeiro passo e correr o primeiro quilômetro. É obrigação os dirigentes darem o exemplo, porque tem que vir de cima. Tudo o que a gente faz refleta na torcida de forma turbinada", salientou.

Gobbi, aliás, prometeu que outros rivais, como Santos e São Paulo, será incluídos posteriormente em outras atitudes que tentem brecar a violência entre organizadas.

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"Não teria o menor sentido se não tiver a presença dos outros clubes daqui pra frente. Isso é um ponto de partida, e vocês verão no decorrer do ano. Todos os clubes têm que entrar, pois todos formam o futebol. Eles são imprescindíveis. Isso é um start, e a sequência é trazer todos os outros", assegurou o corintiano.

Casos recentes de violência
No ano passado, os alviverdes viram a situação chegar ao ápice em Buenos Aires, após uma derrota para o Tigre, pela Libertadores. Na capital argentina, integrantes de uma organizada atiraram xícaras nos jogadores no aeroporto, e o goleiro Fernando Prass saiu ferido.

Após o episódio, o presidente Paulo Nobre cortou relações com os uniformizados, acabando com as facilidades de ingressos que eles possuiam.

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Há duas semanas, o Corinthians viveu situação semelhante. Furiosos com a fase ruim do time e com a goleada por 5 a 1 sofrida para o Santos, torcedores de várias facções invadiram o CT Joaquim Grava e protagonizaram cenas de terror com jogadoers e funcionários alvinegros, além de terem depredado o patrimônio da equipe.

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Depois disso, no entanto, o presidente Mário Gobbi decidiu que, apesar da violência, continuará mantendo diálogo com as organizadas.

A morte mais recente em brigas de torcidas organizadas aconteceu em março de 2012, quando André Alves, conhecido como "Lezo", foi baleado na cabeça durante confronto de uniformizadas de Palmeiras e Corinthians na Freguesia do Ó, em São Paulo. Segundo a PM, cerca de mil pessoas chegaram a participar do confronto, que ainda terminou com vários feridos.

Já em agosto de 2011, Douglas Karin Silva, foi perseguido por palmeirenses após sair da quadra de sua torcida organizada e foi estrangulado até a morte. Seu corpo foi encontrado no rio Tietê.

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