Bruninho desabafa em rede social e anuncia que deixa o RJ Vôlei por falta de salário

ESPN.com.br
Divulgação/FIVB
Levantador Bruninho está de mudança para a Itália
Levantador Bruninho está de mudança para a Itália
O RJ Vôlei acaba de perder seu capitão. O levantador Bruninho se pronunciou nesta sexta-feira através do Facebook se despedindo do atual campeão da Superliga para jogar na cidade de Modena, na Itália, onde irá defender a equipe local.

O momento vivido pelo time é bastante complicado. Após a saída da OGX, patrocinador master do RJ Vôlei, empresa de Eike Batista que passa por uma grave crise financeira,  o clube entrou em dificuldades e estaria devendo quatro meses de salários aos seus atletas. 

"A situação do RJ Vôlei, como é do conhecimento geral, não é das melhores. Recebi propostas anteriormente, mas acreditei que pudéssemos resolver o problema do clube e tinha a esperança que conseguiríamos outros parceiros para a manutenção de todo o elenco. Mas eu e alguns companheiros de elenco recebemos apenas um mês desde o início da temporada, situação que me levou a tomar a decisão mais difícil da minha carreira: a de deixar o Brasil por algum tempo", disse Bruninho em trecho de carta postada em rede social.

Antes do levantador, o central Maurício Souza já havia se mudado para o voleibol turco. Outros jogadores também reclamaram da situação do clube, como o meio de rede Lucão, que ao deixar o RJ Vôlei na temporada passada para se juntar ao Sesi alertou sobre uma possível debandada.

"Se não chegar um patrocínio nos próximos meses, acho que não tem o que fazer. Ninguém vai ficar um ano sem receber quando tem um clube que pode te contratar. Não sei há quanto tempo eles estão sem receber, mas acho que quando completar três meses, que dá quebra de contrato, não conseguirão segurá-los por muito tempo se não houver nada de concreto", avaliou o jogador da Seleção Brasileira no último mês de dezembro.

E prosseguiu denunciando o descaso de outras equipes nacionais. "Essa é realidade do vôlei brasileiro. A Seleção não demonstra o que é a Superliga. Hoje, se você pegar os times masculinos que disputam o campeonato, talvez existam apenas dois ou três de alto investimento. Tem gente com salário atrasado, jogando praticamente de favor. Então é algo muito complicado", completou.

O atacante Leandro Vissotto também já havia desabafado sobre as condições enfrentadas por ele e seus companheiros. Ele, Bruninho, Thiago Alves, Thiago Sens, Mário Jr., Riad e mais a comissão técnica também só receberam o primeiro mês e nada mais.

Com o terceiro lugar na competição e 28 pontos,o RJ enfrenta o Taubaté na próxima terça-feira, no Tijuca, pela terceira rodada do segundo turno.

Veja na íntegra a carta publicada por Bruninho:

"Bom dia pessoal, antes que a mídia noticie, estou aqui!

A situação do RJ Vôlei, como é do conhecimento geral, não é das melhores. Recebi propostas anteriormente, mas acreditei que pudéssemos resolver o problema do clube e tinha a esperança que conseguiríamos outros parceiros para a manutenção de todo o elenco.

Mas eu e alguns companheiros de elenco recebemos apenas um mês desde o início da temporada, situação que me levou a tomar a decisão mais difícil da minha carreira: a de deixar o Brasil por algum tempo.

Estou aceitando a proposta de jogar o restante da temporada em Modena, cidade da Itália onde já atuei em 2011 e pela qual tenho um grande carinho.

Jamais gostaria de deixar amigos, companheiros e uma torcida que nos apóia no meio de uma competição como a Superliga. Mas a situação se torna inevitável e, na nossa curta carreira de atletas, não podemos abrir mão dos nossos direitos como profissionais por praticamente uma temporada inteira.

É claro que continuo acreditando no vôlei do Brasil e jogar aqui sempre será minha primeira opção. Mas vejo que devemos nos preocupar com a situação geral do esporte em nosso País.

O problema do RJ Vôlei não é um fato isolado. Colegas de profissão estão em outras equipes passando por problemas semelhantes e muitas vezes até piores do que o nosso no Rio de Janeiro.

É preciso valorizar o esporte coletivo que mais medalhas olímpicas e mundiais conquistou para o nosso Brasil.

Se isso acontece em uma modalidade com tanta visibilidade, e considerada por muitos a segunda mais importante do País, imaginem o que se passa com as que não têm o mesmo espaço na mídia.

Sempre é bom lembrar que estamos a dois anos de uma Olimpíada, que além do mais será realizada aqui mesmo no Brasil, e no Rio de Janeiro.

Desculpem o desabafo, mas não poderia me calar diante dessa situação.

Espero que vocês entendam minha decisão e saibam que nesses últimos meses não faltou empenho para resolver o problema.

Desejo todo o sucesso aos meus companheiros e integrantes da comissão técnica. E agradeço o carinho que recebi da maravilhosa torcida do RJ Vôlei durante todo o tempo em que tive a honra de vestir a camisa 1 do clube.

Muito obrigado e conto com vocês sempre.

Bruninho #1"

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