Em 13 anos, torcida do Corinthians troca agressões a campeões mundiais por pedido de 'fica, Tite'

Lucas Borges, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br
Lucas Borges/ESPN.com.br
Tite desembarcou escoltado por seguranças em Cumbica
Tite desembarcou escoltado por seguranças em Cumbica nessa seguda-feira
Dezenas de pessoas esperavam na manhã dessa segunda-feira pela volta do Corinthians um dia depois de o atual campeão mundial ter sofrido a sua maior goleada nos últimos oito anos, 4 a 0, para a Portuguesa. Eram jornalistas, curiosos, fãs rivais, seguranças do clube. Apenas um dos presentes no saguão do Aeroporto de Cumbica vestia uma camisa alvinegra.

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Preocupados com o risco de uma agressão, os responsáveis pela proteção da equipe a princípio afastaram o torcedor solitário. Mas a guarda baixou assim que eles perceberam do que se tratava. O fã só queria mandar uma mensagem ao técnico corintiano: ‘Tite, fica, por favor.' O comportamento da torcida após uma das maiores humilhações da história recente do Corinthians é totalmente oposto a atitudes tomadas em outros momentos de crise do clube.

"O futebol mudou muito, se profissionalizou. Hoje, a diretoria do clube não é totalmente amadora como era antes. A diretoria cobra mais da imagem, da segurança, houve um aprendizado. O que aconteceu pra gente serve de exemplo", diz ao ESPN.com.br o atacante Edilson, 13 anos depois de quase ser agredido dentro do Parque o São Jorge.

Em 2000, o elenco responsável pelo primeiro título mundial do Corinthians também passou por uma turbulência. Diferentemente desta vez, a equipe não acumulava oito partidas sem vencer, não tinha feito apenas um gol em oito jogos e tampouco havia sofrido uma goleada. O que tirou a paciência da arquibancada foi a segunda eliminação seguida nos pênaltis e para o Palmeiras no mata-mata da Copa Libertadores, conquista até então inédita para o time.

Reprodução
Torcida do Corinthians também já protestou por uma diretoria mais 'diguina'
Em 2007, ano da queda, torcida protestou contra diretoria 

Torcedores ignoraram o fato de o treinador Oswaldo de Oliveira e as estrelas Vampeta, Marcelinho, Ricardinho e Edilson terem ganhado seis meses antes o Mundial em cima do Vasco, no Maracanã e ‘pediram a cabeça' de todos.

Oswaldo foi prontamente dispensado pela diretoria. Ricardinho e Vampeta foram xingados por torcedores, e Marcelinho Carioca foi recebido com ovadas no carro e com gritos de ‘pipoqueiro' na reapresentação do time depois da queda na Libertadores. Naquele mesmo dia, cerca de cem integrantes da organizada Gaviões da Fiel invadiram o Parque São Jorge durante a apresentação do novo técnico, Oswaldo Alvarez, o Vadão e estiveram a ponto de agredir Edilson, que decidiu abandonar o clube.

"Não pretendo mais vestir a camisa do Corinthians. Tomei a decisão devido à lamentável atitude da torcida com atletas que só têm dado alegria ao clube. Os dirigentes deveriam ter previsto isso. Só não fui agredido porque seguranças e policiais que estavam no local conseguiram impedir a tempo. Não posso sofrer ameaças de agressão dentro do meu local de trabalho", desabafou na época o ‘Capetinha', bicampeão brasileiro pelo Corinthians em 1998 e 1999 e responsável pelo lance mais épico do Mundial de 2000, a ‘caneta' seguida de gol contra o Real Madrid do zagueiro Karembeu.

Gazeta Press
Torcida do Corinthians protestou no Parque São Jorge assim que 'acobou' o jogo contra a Portuguesa
Indignação após derrota para Lusa foi transmitida em pichação

Em 2013, é verdade, parte da torcida já se virou contra o herói do título da Libertadores de 2012, Emerson Sheik, alvo de comentários homofóbicos por ter publicado uma foto beijando um amigo depois de vitória sobre o Flamengo, dia 1° de setembro, pelo Campeonato Brasileiro. O máximo que se viu até aqui, porém, foram pichações contra o atacante na sede do Parque São Jorge.

Nessa segunda-feira, além de fazer a segurança dos jogadores no Aeroporto de Cumbica, a diretoria do Corinthians, que já havia sofrido com depredações no Centro de Treinamento Joaquim Grava após a eliminação na pré-Libertadores-2011, para o Tolima, tratou de proteger o CT. Quatro viaturas e sete motos da polícia militar estiverem presentes no local antes da atividade do técnico Tite. Ninguém apareceu para se manifestar.

Cogitou-se que um protesto poderia ser organizado nesta terça-feira pela Gaviões da Fiel antes do treino do time. No entanto, a atividade do dia foi transferida para Mogi Mirim, cidade do Interior de São Paulo a 160km da Capital, onde na quarta o Corinthians enfrentará o Bahia, pelo Brasileirão.

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