"Uma rua completa acomoda todos os tipos de usuários", diz Janette Sadik-Khan, a "Secretária das Bicicletas" que mudou Nova York | Bike é Legal

Willian Cruz, do Vá de Bike
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É possível melhorar a mobilidade de uma grande cidade sem gastar muito dinheiro, bastando ter coragem de fazer as mudanças necessárias. Essa é a grande lição deixada por Janette Sadik-Khan, Secretária de Transportes de Nova York, que participou nessa quarta-feira, 25 de setembro, do seminário "A Bicicleta em São Paulo: Políticas Públicas para Transformar a Cidade", promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Mobilidade Humana, na Câmara Municipal de São Paulo.
Silvia Ballan
Câmara Municipal de São Paulo
Câmara Municipal de São Paulo e as bikes estacionadas.
A "Secretária das Bicicletas", como ficou conhecida a mulher que mudou a cara da cidade americana, explicou que para melhorar a mobilidade e tornar a cidade um lugar melhor é preciso oferecer um equilíbrio nas ruas, focando na realocação do espaço e na legitimação de todos os atores do tráfego. "As ruas [de Nova York] hoje estão mais seguras do que já foram nos últimos 100 anos", garante.

"Não é preciso esperar gerações para fazer essas mudancas", afirmou, tampouco esperar ajuda federal e resultados de estudos, que podem demorar anos. "Você pode pintar faixas de ônibus, de bicicletas e sinalizacao de pedestres, sem gastar muito", exemplificou Sadik-Khan. "Uma rua completa acomoda todos os tipos de usuários".

Ciclistas
Para incentivar o uso da bicicleta e tornar os deslocamentos seguros, é preciso haver redes interconectadas na malha cicloviária, afirmou Janette. "Nova York tinha ciclovias mas elas não se conectavam, no final de uma ciclovia os ciclistas tinham que se juntar ao tráfego [de automóveis]", contou, mostrando fotos de ruas e avenidas que cederam espaço dos carros para faixas exclusivas de ciclistas e contando que, ao todo, 26 acres de pistas de carros em toda cidade foram retiradas nos últimos anos, dando espaço para outros modais, áreas para pedestres e até mesmo praças.

As estratégias funcionaram bem e, com mais ciclistas, as ruas se tornaram mais seguras. Parte dessa segurança foi conseguida também com a redução dos limites de velocidade: uma campanha mostrava ser de 70% a chance de morrer em um atropelamento a 40 mph (64 km/h), enquanto a 30 mph (48 km/h) a chance de sobreviver era de 80%. Nos bairros, a velocidade foi diminuída ainda mais, para 20 mph (32 km/h).

"As organizações de ciclistas fizeram um bom trabalho nos anos anteriores [às mudanças], para fazer o lobby e criar a oportunidade para o uso da bicicleta ser uma opção importante - não alternativa, mas principal", contou a americana. "Eles vinham contribuir com sua voz em reuniões de comissões para apoiar os projetos e isso foi muito importante no programa", relata, reforçando a importância da participação do cidadão nos processos da cidade.

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