Das ruas da favela ao título mundial nos tatames: Rafaela Silva supera decepção olímpica e rebate críticos

Tiago Leme, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
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A brasileira Rafaela Silva ganhou a medalha de ouro no Mundial de judô, nesta quarta, no Rio
A brasileira Rafaela Silva ganhou a medalha de ouro no Mundial de judô, nesta quarta, no Rio
Da infância pobre nas ruas da favela de Cidade de Deus até o título mundial de judô, conquistado nesta quarta-feira, a brasileira Rafaela Silva superou adversidades, não desistiu de lutar e conseguiu a redenção dentro de casa, no Rio de Janeiro, diante das pessoas que mais contribuíram para a carreira vitoriosa. Depois de garantir a medalha de ouro nos tatames do Maracanãzinho, as lágrimas de alegria e as palavras de desabafo da campeã deixaram transparecer a ansiedade que ela tinha para dar a volta por cima após uma decepção olímpica.

Antes de conhecer o judô, Rafaela vivia nas ruas da comunidade de Cidade de Deus, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, e gostava de jogar bola, correr e solta pipa, mas também arrumava encrencas. Filha de um entregador de pizza e de uma dona de casa, a atleta de 21 anos mudou de vida ao entrar no esporte através do Instituto Reação, uma ONG do ex-judoca Flávio Canto.

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Rafaela Silva: Das ruas da Cidade de Deus ao título mundial de judô

Ano passado, Rafaela Silva chegou à Olimpíada de Londres como uma das favoritas, mas perdeu na segunda luta por desclassificação após um golpe ilegal na húngara Hedvig Karakas. A frustração foi grande com a derrota, e a forma como ela foi eliminada gerou críticas de que ele teria feito "jogo sujo". A brasileira chegou até a sofrer acusações racistas em redes sociais.

Nesta quarta-feira, no Mundial do Rio de Janeiro, Rafael Silva venceu cinco lutas até levar o ouro, incluindo uma vitória na semifinal sobre a francesa Automne Pavia, número um do mundo. Na final, ela ganhou de Marti Malloy, dos Estados Unidos, ao aplicar um ippon e entrou para a história ao ser a primeira mulher do Brasil campeã do mundo de judô."Quando perdi na Olimpíada, eu era a quarta do ranking mundial, muita gente me criticou, falou que o judô não era meu lugar, que eu tinha que caçar outra coisa para fazer. Hoje eu estou aqui, no meu primeiro ano de ciclo, dando a volta por cima, ganhando o Mundial dentro da minha casa", rebateu Rafaela.

"É muito bom mostrar para o pessoal que me criticou, dizendo que lugar de macaco não era no judô, e sim na jaula. E agora eu estou aqui, campeã mundial, mostrando para todos que me discriminaram que você não depende de cor, de raça, nem de dinheiro para ser campeão e conseguir sua medalha", disparou.

Depois do título, o primeiro treinador de Rafael no Instituto Reação, Geraldo Bernardes, não escondeu a emoção e destacou a história de superação de sua aluna.

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A brasileira venceu Pavia, líder do ranking, na semi
A brasileira venceu Pavia, líder do ranking, na semi

"Quando a Rafaela chegou à academia, era um moleque de rua. Jogava bola, era expulsa da escola. Foi o pai dela que a levou para aprender judô, junto com a irmã. Hoje ela quebrou uma escrita no judô feminino. A sensação de felicidade é imensa, é o sonho dela e o nosso que está se realizando. Fizemos com que ela quebrasse um tabu. Ao longo do tempo ela foi despontando, mostrando que realmente é um talento. Essa medalha estava engasgada desde Londres. Ela tinha condição de ter sido campeã ali. Foi retardado aquilo. Se tem algo de justo, foi esse título", disse Geraldo.

A conquista de Rafaela no Rio, na categoria peso leve (até 57kg) dá sequência a conquista anteriores no judô. Em 2008, ela foi campeã mundial sub-20, e depois ficou com a medalha de prata no Mundial de Paris-2011. Daqui a três anos, novamente dentro de casa, a meta é voltar ao topo do pódio nos Jogos Olímpicos de 2016.

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