Sem laboratório credenciado no Brasil, antidoping do judô é feito no Canadá; especialista vê atraso

Tiago Leme, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br

Sem um laboratório credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping) no Brasil, os exames antidoping do Mundial de judô do Rio de Janeiro estão sendo realizados no Canadá. A decisão tinha sido tomada por diversos motivos antes mesmo de o Ladetec (laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro) ter a licença revogada, em decisão que foi anunciada nesta terça-feira.

Coordenador do departamento antidoping do Mundial de judô, Alexandre Nunes, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, admitiu que o Brasil está atrasado em relação ao controle de doping em competições internacionais.

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"Meu ponto de vista é que o Brasil precisa fazer os investimentos necessários e, em algumas áreas, estamos atrasados, inclusive no que diz respeito ao controle de doping. A agência brasileira precisaria atuar mais fortemente nisso e pelo jeito até agora não fez", afirmou Alexandre Nunes, em conversa com os jornalistas no Maracanãzinho.

Tiago Leme/ESPN
Antidoping do Mundial de judô é realizado no Canadá
Antidoping do Mundial de judô é realizado no Canadá

O descredenciamento do Ladetec, único laboratório antidoping do Brasil, por não cumprir os padrões de qualidade mínimos exigidos pela Wada, ocorre a menos de um ano da realização da Copa do Mundo e a três dos Jogos Olímpicos de 2016 no país. O Ladetec já estava suspenso desde 8 de agosto quando passou a ser impedido de realizar exames para quaisquer autoridades antidoping, e o laboratório carioca tem três semanas para recorrer da decisão à Corte Arbitral do Esporte, entidade máxima do direito desportivo.

"Nossa escolha foi feita antes de o Ladetec ter sido suspenso. Mas o laboratório já havia recebido uma suspensão esse ano. Já havia ficado um período fora. Tínhamos essa preocupação. A CBJ (Confederação Brasileira de Judô) busca a melhor qualidade, por isso, trabalhamos com o laboratório que consideramos o melhor do mundo. Não foi o descredenciamento do Ladetec que nos fez trocar de local", explicou Nunes, que garantiu que o envio do material para análise no Canadá não prejudica o processo.

Atualmente, apenas dois países do hemisfério Sul contam com laboratórios antidoping credenciados pela Wada: África do Sul e Austrália. No entanto, Alexandre Nunes mostra confiança que o Brasil conseguirá em breve se adequar às exigências para poder voltar a realizar os testes em campeonatos.

"Tenho certeza que o Ladetec vai resolver a situação. Se isso aconteceu, não foi por falta de vontade e de qualidade técnica, e sim por falta de condições. O projeto que eles tinham para 2016 não recebeu as verbas necessárias para as adequações. O Ladetec, em poucos meses ou semanas, vai recuperar a certificação, porque os investimentos estão sendo feitos. Espero que voltem a atuar brevemente", disse o especialista brasileiro.

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