Para usar boné de banco, Senna bateu o pé e pediu mudança de contrato com a Lotus

Thiago Arantes, do ESPN.com.br

 

Getty
Senna teve de 'brigar' com a equipe Lotus para usar boné de patrocinador em 1987
Senna teve de 'brigar' com a equipe Lotus para usar boné de patrocinador em 1987


Ayrton Senna bateu o pé e chegou a pedir uma mudança de contrato para poder usar seu tradicional boné do banco Nacional enquanto corria na Fórmula 1, em 1987. A manobra do brasileiro incluiu até a inclusão, em contrato, de entrevistas exclusivas à TV Globo, antes e depois de corridas.

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Tudo para que Senna tivesse a chance de mostrar a marca do patrocinador pessoal. E, claro, de faturar um pouco além do salário de US$ 1,5 milhão, mais bônus de US$ 4 mil por ponto conquistado. Na época, o Nacional pagava - e caro - para ligar sua marca à do ídolo. Um apoio que fez Senna usar o boné do banco até o fim de sua carreira, com acordos desfavoráveis financeiramente nos últimos anos.

É o que mostra uma carta enviada pela empresa do tricampeão à Lotus, em janeiro de 1987, durante as negociações para a renovação do contrato do piloto, que na época ainda buscava seu primeiro título.

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A carta da empresa de Senna dizendo que o piloto aceitou o contrato, mas pediu a exceção
A carta da empresa de Senna dizendo que o piloto aceitou o contrato, mas pediu a exceção 

 

O documento é parte da Legacy Tobacco Documents Library, um compêndio da biblioteca da Universidade da Califórnia que reúne contratos, memorandos e até reportagens relacionadas a empresas tabagistas - uma delas, a RJ Reynolds, que patrocinava a escuderia inglesa.

A carta é datada de 30 de janeiro de 1987 e assinada pelo advogado de Senna, em nome da Ayrton Senna Promotions, empresa localizada nas Bahamas e que tratava dos contratos do piloto. No mesmo dia, a Lotus havia fechado com Senna um contrato de dois anos, com possibilidade de rescisão após uma temporada - cláusula exercida pelo brasileiro, que foi para a McLaren.

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Trecho do contrato com a Lotus que proibia Senna de usar o boné do banco Nacional
Trecho do contrato com a Lotus que proibia Senna de usar o boné do banco Nacional

 

No contrato original, a Lotus vetada o uso de qualquer boné com patrocinadores pessoais de Senna. Era uma forma de fazer o brasileiro deixar de usar o boné do Banco Nacional, trocando por outras marcas - notadamente a Elf, por contrato com a equipe, e a Goodyear, que deveria ser a marca exposta na cabeça do brasileiro nos pódios, devido a compromisso com a FIA. E foi, durante todo aquele ano.

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Senna: boné do Nacional só em entrevistas à Globo
Senna: boné do Nacional só em entrevistas à Globo

Na carta, contudo, a empresa de Senna cita uma exceção ao contrato original, a qual foi aceita pela equipe: o piloto poderia usar bonés com a marca de seus patrocinadores - entre eles o famoso azul do banco Nacional - desde que em entrevistas exclusivas para a TV Globo, com duração inferior a 3 minutos, feitas pouco antes ou pouco depois da corrida, fora da área de paddock dos circuitos.

Depois do acerto da cláusula de exceção, outra carta mostra a empresa de advocacia responsável pelo contrato formalizando o acordo. E uma recomendação curiosa, que denota que as negociações não foram tão fáceis quanto poderia parecer.

"Espero que vocês tenham conseguido dormir um pouco na noite passada e gostaria de registrar meu apreço pessoal pela indulgência e paciência nos dois últimos dias, fundamentais para que chegássemos à conclusão desta transação", escreveu o remetente, que direciona a carta à RJ Reynols, à AS Promotions, ao piloto e a Peter Warr, da Lotus

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Em carta, advogado agradece a Senna e à Lotus pelo entendimento após dois dias de negociações
Em carta, advogado agradece a Senna e à Lotus pelo entendimento após dois dias de negociações

 

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