Valcke recebe título de cidadão paulistano por Blatter sob protestos

Lucas Borges, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br
Lucas Borges/ESPN.com.br
Valcke segura placa de título concedido a Blatter; ao lado de dele, o presidente da CBF, José Maria Marin, sorri
Valcke segura placa de título concedido a Blatter; ao lado dele, o presidente da CBF, José Maria Marin, sorri
Nesta segunda-feira, na Câmara Municipal de São Paulo, durante cerimônia na qual o presidente da Fifa, Joseph Blatter, recebeu o título de cidadão paulistano, foi pedido que os representantes da entidade que comanda o futebol mundial fossem recepcionados com hospitalidade. Mas não teve jeito.

Jéromê Valcke, secretário-geral da Fifa e enviado à capital paulista em nome de Blatter, entrou no Salão Nobre sob vaias de parte do público presente e teve que ouvir protestos contra a Copa do Mundo de 2014.

Quatro pessoas tomaram a palavra para criticar as consequências das obras do Mundial na cidade durante a audiência pública diante dos olhos de Valcke.

"Em virtude da Copa e da Olimpíada - de 2016, no Rio de Janeiro - mais de 200 mil pessoas estão ameaçadas de remoção de moradia nesse país. Muitas já foram removidas. Os governos estadual, municipal e federal até agora não abriram diálogo, não propuseram alternativas habitacionais digna para as pessoas de baixa renda. A 800m da arena do Corinthians existem mais de duas mil famílias ameaçadas de remoção. Até hoje o governo se recusa a apresentar qualquer projeto", declarou Juliana Machado, membro do Comitê Popular da Copa.

Lucas Borges/ESPN.com.br
Manifestantes protestaram, vaiaram e erguera cartazes 'Fora Marin'
Manifestantes protestaram e ergueram cartazes 'Fora Marin'

"A gente nem consegue saber da prefeitura quantas famílias vão ser removidas e aonde vão ser as obras. Para quem é o futebol nessa cidade, para quem é a Copa? É um bilhão e meio para estádio, mas para futebol amador, por exemplo, o investimento é menor do que zero", reclamou o professor de geografia Danilo Cajazeira.

Maria Elza Martins, representante do Fórum dos Trabalhadores Ambulantes de São Paulo, disse: "A ditadura não terminou. Quem tem dez fica, quem tem zero tem que sair. Nós somos dignos de respeito. Quando chegar a Copa vou me oferecer para ser guia turística para mostrar aonde estão escondidos os favelados que foram jogados no lixo e os trabalhadores. Quero saber da saúde também. Para quem é a Copa? Quero respostas."

Valcke respondeu. "Vi que me acolheram com ruídos simpáticos. Sei que sou o cara mau da Fifa, aquele que diz o que tem que ser dito. Mas acho que a Copa traz muito trabalho para o Brasil. A Fifa não pode resolver todos os problemas do Brasil, a Copa não vai fazer isso. A Copa é organizada pelo Brasil, não pela Fifa."

Perguntado sobre problemas estruturais do país, como a situação dos hospitais, o secretário-geral da Fifa respondeu: "Eu fiquei doente aqui e gostei dos hospitais do Brasil."

Fora, Marin

Também esteve presente na Câmara de São Paulo nesta segunda o presidente da CBF, José Maria Marin. O dirigente também foi recebido com vaias e com gritos de 'Herzog, Herzog', em referência ao assassinato do jornalista Vladimir Herzog durante a ditadura militar no Brasil.

Marin, deputado estadual na época da ditadura, foi convidado a depor na Comissão da Verdade sobre possível envolvimento no assassinato do jornalista. Pedaços de papel com a frase 'Fora, Marin' foram levantados por um grupo de cinco manifestantes.

Marin parabenizou Blatter, Valcke e a Fifa pela organização da Copa do Mundo e pediu que o país se una em prol do Mundial.

Segundo o vereador Paulo Reis (PT), idealizador do projeto que nomeou Joseph Blatter cidadão paulistano, o título é uma forma de homenagear a Fifa pelos benefícios trazidos à cidade.

 

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