Filósofo e engajado, ídolo do Al Ahly fala sobre Sócrates e relembra tragédia no Egito

Lucas Borges, de Toyota, Japão, para o ESPN.com.br
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Aboutrika, atacante do Al Ahly, mostra camiseta em apoio à população da Faixa de Gaza
Aboutrika, atacante do Al Ahly, mostra camiseta em apoio à população da Faixa de Gaza


Bicampeão da Copa Africana de Nações com o Egito, eleito o segundo melhor jogador do continente em 2008, à frente de estrelas como Michael Essien, o experiente atacante Mohamed Aboutrika é o grande nome do Al Ahly, adversário do Corinthians na semifinais do Mundial de clubes.

O ídolo local não precisou deixar o seu país para fazer sucesso. Revelado em 1997 pelo Tersana, ele está desde 2004 no Ahly. Conta-se que ao assinar o primeiro contrato da carreira Aboutrika se recusou a receber mais que o amigo zagueiro que assim como ele começava no futebol. Foi feita uma média e os dois passaram a ganhar o mesmo salário.

A história reforça a aura formada em cima de Aboutrika. Formado em filosofia, o atacante é engajado em causas sociais e já manifestou suas preferências políticas em campo, como quando comemorou um gol em 2008 mostrando uma camisa em protesto ao bloqueio de Israel à população palestina na Faixa de Gaza: ‘Simpatize com Gaza’, dizia a mensagem.

Mais recentemente, em fevereiro deste ano, o jogador ameaçou deixar o futebol depois da triste tragédia que matou mais de 70 pessoas durante uma partida do Campeonato Egípcio entre Al Ahly e Al-Masry, na cidade de Port Said. Como parte da torcida do Al-Ahly participou dos protestos que acabaram resultando na saída do presidente Hosni Mubarak, suspeita-se que a tragédia foi orquestrada por policiais e apoiadores do político.
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Jogadores do Al Ahly fogem do campo na tragédia de Port Said
Jogadores do Al Ahly fogem do campo na tragédia de  Said

“Nunca disse que me aposentaria. Ainda tenho ambições no futebol e minha última meta é visitá-los na Copa do Mundo do Brasil em 2014”, explica um simpático Aboutrika em entrevista ao ESPN.com.br.

Apesar de não falar muito bem inglês e de estar diante de conterrâneos do rival Corinthians, o atacante não deixa de responder as perguntas. Nem mesmo sobre o massacre de Port Said. “A tragédia - É uma motivação muito grande. As pessoas morreram nas nossas mãos quando estavam torcendo por nós. Ganhamos a Champions League da África por eles e queremos ir bem no Mundial por suas almas.”

Aboutrika não gosta de fazer comentários sobre sua faceta política. Foge do assunto com sorrisos tímidos. Perguntado sobre um ídolo corintiano que também usava o prestígio no futebol para expressar seus ideais, o egípcio se esquiva. “Lembro muito bem de Sócrates, claro. Era um grande jogador. Jogava com muito estilo. O Brasil é famoso por atletas de alto nível como Sócrates e Zico. Jamais nos esqueceremos deles.”

Aboutrika não seria titular na partida da próxima quarta-feira, contra o Corinthians, mas quis o destino que outro veterano do Ah Ahly, o capitão e meia campista Ghaly, se machucasse ainda no primeiro tempo do confronto das quartas de final do Mundial, contra o Sanfrecce Hiroshima. Iluminado, Aboutrika entrou no jogo e fez o gol da vitória por 2 a 1.

O discurso do atacante sobre o duelo com os brasileiros é, como de costume, modesto. “Não temos a pretensão de ganhar do Corinthians, apenas de entreter o público”. Mas convém não descuidar de Aboutrika.

Reuters
Aboutrika, atacante do Al Ahly, reza após gol no Mundial de clubes
Aboutrika reza após gol no Mundial de clubes
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