Único nocaute sofrido por Anderson Silva é envolto em mistérios e polêmica 14 anos depois

Thiago Arantes, da redação do ESPN.com.br
Está no BoxRec, o maior site de registros de lutas de boxe do mundo, uma espécie de bíblia dos admiradores e praticantes da nobre arte. No dia 22 de maio de 1998, Anderson da Silva perdeu para Osmar Luiz Teixeira. O resultado é anotado como TKO – nocaute técnico – no segundo round. 

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Mas aquele combate continua obscuro a ponto de ainda ser um tabu para quem estava no Ginásio Isael Pastuch, na cidade paranaense de União da Vitória. Quem não viu, sabe pouco sobre ele; quem viu, prefere não falar muito a respeito.

Fato é que a luta aconteceu. E, 14 anos depois, Anderson Silva nunca mais perdeu por nocaute. Na época um jovem franzino, de pouco mais de 70 kg, ele transformou-se no maior lutador de MMA do mundo, campeão dos pesos médios do UFC, considerado imbatível e ‘inocauteável’.

Arquivo pessoal
Animal em foto das lutas mais recentes da carreira
Animal em foto das lutas mais recentes da carreira
“Aconteceu, sim! Os caras falam que foi uma apresentação, os caras alegam isso. Eles querem limpar essa luta. Ele perdeu pra um João Ninguém, digamos assim. Mas pô... eram outros tempos, cara. Hoje ele está gigante e troglodita e eu tô normal, ratinho, meu braço tem 35 centímetros”, lembra Osmar Animal, o vencedor daquele combate que até hoje causa polêmica. 

A luta não está nos registros da Federação de Boxe do Paraná. De acordo com os organizadores do evento, não há vídeo do combate. As fotos, 14 anos depois, ainda não apareceram. “Não sou muito de fotos”, afirma Animal.

Na biografia de Anderson Silva, publicada neste ano, o combate em União da Vitória não é mencionado. Durante os depoimentos ao jornalista Eduardo Ohata, o campeão do UFC não citou a derrota para Osmar Animal uma única vez. Anderson disse apenas, brevemente, que chegou a lutar boxe antes de começar no MMA. 

Ex-boxeador e atualmente presidente da Federação Paranaense de Boxe, Macaris do Livramento estava no Ginásio Isael Pastuch no dia daquela luta. Um dos grandes pugilistas da história do Paraná, ele faria o evento principal daquela noite e diz que estava nos vestiários quando soube que aconteceria a luta entre Animal e Anderson.

“A luta existiu, mas não foi uma luta programada. O Animal estava na cidade, o Anderson, também, e combinaram ali na hora. Foi meio que uma exibição, foi como um jogo-treino no futebol”, disse Macaris ao ESPN.com.br

Para o ex-boxeador, a luta não teve um caráter profissional e, por isso, não deveria constar no BoxRec. Atualmente, o site só aceita o registro de lutas que tenham sido filmadas. “Hoje em dia, qualquer lutador paga alguém para filmar as lutas e mandar para o BoxRec. É algo que não acontecia antigamente”, explicou Macaris.

Arquivo pessoal
Osmar Teixeira, o Animal, que venceu Anderson em 2011
Osmar Teixeira, o Animal, que venceu Anderson em 1998
Reecontro – Depois daquela luta, em 1998, Anderson Silva e Osmar Animal encontraram-se mais uma vez. Foi em 2005, quando o atual campeão do UFC já era um consagrado lutador de MMA do Pride.

“Um amigo meu, que também é amigo dele, chamou pra fazer ‘uma luvinha’ com ele. Daí fui lá fazer uma luvinha com ele... Ele colocou a bunda pra trás e ficou com a cintura pra baixo pra esconder o fígado. Daí eu pensei ‘o que esse cara tá fazendo?’, porque a gente vai fazer luva com os outros, mas sem rivalidade”, contou Animal ao ESPN.com.br.

Segundo o vencedor daquele combate em 1998, Anderson queria dar o troco da derrota sofrida anos anos. “Aí eu vi que ele ficou assim, me minando, de repente ele me meteu na parede e me deu uns 500 golpes na cabeça. Mas eu não caí, eu não caio fácil. Aí terminou o segundo round e eu falei pra ele ‘vamos deixar pra próxima, porque eu tô meio fora de forma’, daí terminamos e ele disse ‘é, você não cai fácil’. E eu falei assim ‘não é qualquer um que me derruba, não’. Daí ficou nisso. Foi o último contato que tive com ele”, lembrou.

Nos registros oficiais e nas palavras de Osmar Animal, a luta acabou antes do início do segundo round, depois de uma série de golpes na linha de cintura. Anderson não voltou para o combate, o que caracterizou o nocaute técnico. 

Desde então, o Spider nunca mais perdeu desta forma. O que torna aquele dia em União da Vitória histórico. Mas, nem por isso, menos nebuloso e polêmico.
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