VÍDEO: Do esquecimento ao sonho da medalha, Meligeni ganhou 'diploma de ídolo' em Atlanta

Thiago Arantes, para o ESPN.com.br
Fernando Meligeni viveu emoções de todos os tipos na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Aos 25 anos, ele ainda lutava para conquistar espaço no Brasil quando conseguiu uma vaga na chave olímpica. Foi meio na marra, meio de última hora. Mas, depois de uma disputa burocrática que o forçou a pagar a própria viagem para os Estados Unidos, o tenista chegou a Atlanta.

Quando viu a chave, Meligeni ficou assustado. Afinal, ele entrara na chave por causa da desistência de outros atletas com ranking melhor, e teria de enfrentar o consistente italiano Stefano Pescosolido na estreia.

“Ninguém ia me ver. Tinha o treinador, a Vanessa e a Mirian D’Agostini [tenistas] que ficavam lá assistindo. E mais ninguém na quadra. Não tinha imprensa, não tinha ninguém no primeiro jogo. Mas você vai ganhando um jogo, vai ganhando dois, daí a galera vai lembrando que você existe”, relembra.

Depois de passar por Pescosolido, Meligeni derrotou o espanhol Albert Costa, cabeça de chave número 6 do torneio olímpico. Na terceira rodada, o rival seria Mark Phillipousis, australiano conhecido pelo saque forte. “Ele sacava muito forte, atacava sempre. Venci com a ajuda da torcida, aí já tinha uma galera grande”, conta o ex-tenista, hoje comentarista dos canais ESPN.

Clique no player e assista

Clique no player e assista ao depoimento de Meligeni

Nas quartas de final, Meligeni derrotou o russo Andrei Olhovsky, garantindo uma vaga na semi. “Pouco antes do jogo, eu achava que, vencendo aquele jogo, já teria a medalha. Porque o tênis sempre havia sido assim, igual ao boxe e a outros esportes”. Naquela Olimpíada, contudo, a regra havia mudado. Ainda assim, Meligeni teria duas chances para conquistar uma medalha.

A primeira foi na semifinal, diante de Sergi Bruguera, espanhol bicampeão de Roland Garros. Em um jogo emocionante, o brasileiro chegou a sacar para o primeiro set. “Aí aconteceu aquele episódio patético, quando um torcedor gritou ‘vai errar’na hora do saque, fiz dupla falta e ele venceu no tie-break”, recorda-se Meligeni. Bruguera acabou vencendo a primeira parcial e, diante de um adversário mais nervoso, acabou ganhando por 2 sets a 0.

Na decisão do bronze, Meligeni venceu o primeiro set, mas levou a virada diante do indiano Leander Paes. “Eu ainda era meio jovem para esse tipo de situação. Tinha 25 anos, mas nenhum grande título, então aquilo acabou ficando um pouco grande para mim, acabei prendendo um pouco o braço na hora do vamos ver”, admite, 16 anos depois.

“Podia ter voltado com uma medalha, voltei com um diploma”, brinca Meligeni, referindo-se ao prêmio que ganhou pela quarta colocação. Depois de Atlanta, contudo, o tênis brasileiro e a carreira de Meligeni mudaram.

No ano seguinte, o furacão Gustavo Kuerten virou de cabeça para baixo o esporte no país: o Brasil passou a ter um tenista entre os melhores do mundo, e Meligeni também evoluiu seu jogo – foi semifinalista de Roland Garros, venceu mitos do esporte como Pete Sampras e Mats Wilander e encerrou a carreira em 2003 com uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, vencendo na decisão o chileno Marcelo Rios.

Uma história que teve parte importante de sua construção nos Jogos Olímpicos. Sem medalha, mas com um diploma e o reconhecimento de uma torcida que ainda aprendia a lidar com um brasileiro jogando entre os melhores do mundo.


 

Comentários

VÍDEO: Do esquecimento ao sonho da medalha, Meligeni ganhou 'diploma de ídolo' em Atlanta

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.