A força queniana

José Inácio Werneck, colunista do ESPN.com.br, de Bristol, nos EUA
Outro dia falei aqui, em vídeo, sobre a conveniência do Brasil selecionar seus representantes na Maratona Olímpica através de provas específicas, em vez de ter nossos atletas espalhados a se esfalfar pelo mundo afora, ao longo de muitos lugares e muitos meses.

Agora, a propósito, vejam que a Federação da Etiópia usou uma única prova na Holanda, em Hengelo, para selecionar seus representantes nos 10.000 metros em Londres. Para muitos, o fracasso de Haile Gebrselassie foi uma surpresa, mas não para mim, que venho há algum tempo dizendo que, aos 39 anos, Gebrselassie vem blefando em eventos, como fez na Maratona de Nova York em 2010.

Está bem, ele tem muitas glórias, é hora de convertê-las em papel moeda, mas registro o fato, assim mesmo. Os classificados pela Etiópia foram Tariku Bekele e Leleisa Benti. Há um terceiro, o recordista mundial Kenenisa Bekele, irmão de Tariku, que não pôde competir em Hengelo por estar machucado, mas que tem seu lugar garantido exatamente por ser o recordista. Há ainda contudo a questão de saber se Kenenisa conseguirá se recuperar.

Isto se passou neste último domingo na Holanda. Agora, vejam o que acontecerá no próximo fim de semana, em Oregon, nos Estados Unidos. Todos os candidatos a representar Quênia nos 10.000 metros em Londres estarão no Diamond League, da IAAF (Federacão Internacional de Atletismo).

Serão 14 fundistas do Quênia. E quando estamos falando em corredores do Quênia, há a fortíssima possibilidade de que os três primeiros colocados neste fim de semana no Oregon serão medalha de ouro, prata e bronze em Londres. Isto apesar da presença dos também excelentes etíopes.

Por que Quênia resolveu realizar seu “Olympic Trial” para os 10.000 metros em Oregon e não em Nairobi, capital do país?

Por uma razão muito simples: a prova em Oregon será ao nível do mar, nas mesmas condições que os atletas encontrarão em Londres. Nairobi está nas montanhas e a Federacão de Quênia quer, com muita razão, ser representada pelos três melhores atletas nas condições que serão encontradas em Londres.

Depois de serem selecionados, os representantes olímpicos de Quênia em provas de fundo voltarão, é claro, a treinar na altitude. É nela que eles poderão desenvolver ao máximo uma capacidade aeróbica extra para triunfar ao nível do mar.

Entre os 14 atletas de Quênia estarão Titus Mbshei, antigo medalha de prata em cross-country juvenil, Micah Kogo, medalha de bonze em Pequim em 2008, Moses Masai e seu irmão Dennis Masai, além do campeão africano Wilson Kiprop. Moses Masai é um dos favoritos para o ouro em Londres.

A maioria dos 14 corredores de Quênia tem tempos na casa dos 26 minutos para os 10.000 metros. O recorde mundial da distância é de 26:17:53, do etíope Kenenisa Bekele. Como os quenianos confiam em ganhar ouro, prata e bronze em Londres, devem estar certos de que quebrarão o recorde de Kenenisa. Ou estão seguros de que Kenenisa não poderá mesmo correr.

(Assistam também a meus comentários em vídeo aqui mesmo neste site da ESPN Brasil.)
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