De volta ao Ironman

José Inácio Werneck, colunista do ESPN.com.br. de Bristol, nos EUA
Vou confessar tudo. Há muitas razões para este ano eu comparecer de novo ao Ironman do Havaí, o mais famoso triathlon do mundo. Afinal, pela primeira vez teremos a presença de Lance Armstrong, hepta campeão do Tour de France. Nem todos sabem, mas Lance Armstrong começou sua carreira como triatleta e foi campeão americano do esporte em sua distância mais curta (o “sprint triathlon”) quando tinha 18 anos.

Outra razão para minha volta é que teremos este ano em Kona uma comemoração da famosa chegada feminina de 1982, quando Julie Moss se arrastava pelo asfalto, depois de completar os 3,9 quilômetros de natação, 180 quilômetros de bicicleta e uma maratona completa de 42.195m metros, quando foi ultrapassada, pertinho da fita, por Kathleen McCartney.

Nada de melhor poderia ter acontecido a Julie Moss, pois ela tornou-se muito mais famosa do que a vencedora e percorreu o mundo inteiro como convidada de diversos eventos. Esteve inclusive no Rio de Janeiro, para participar de um dos triathlons que eu então organizava, com largada em Guaratiba.

Este ano o Ironman do Havaí vai comemorar os 30 anos daquela ocasião épica. Julie Moss e Kathleen McCartney disputarão a prova e inclusive ganharam bicicletas novas da Cannondale para tanto.

Mas eu disse que preciso confessar tudo. Tenho fortes razões familiares para voltar à Big Island. Estive duas vezes no Ironman do Havaí, em 1983 e 1984, ambas porque minha mulher, que competia com o nome de Dawn Webb, havia ganho o Triathlon do Rio. Em 1984 ela foi, se não me falha a memória, a quarta colocada em sua faixa etária de 36 a 44 anos, no Ironman.

E aí se acumulam as razões familiares. Em 1989, quando Lance Armstrong se sagrou campeão ameridano de “sprint triathlon”, nossa filha Rebecca Werneck foi a latino americana mais bem colocada no Primeiro Campeonato Mundial de Triathlon, em Avignon, na França, na distância olímpica: 1.500 metros de natação, 40 quilômetros de ciclismo e 10 quilômetros de corrida. Em 1984, quando tinha 13 anos, Lance Armstrong ganhou o primeiro triathlon que disputou, no Texas. Neste mesmo ano, quando tinha 12 anos, nossa filha Rebecca Werneck ganhou o primeiro triathlon que disputou, em Araraquara, São Paulo.

De 1989 para cá, Rebecca teve que se dedicar aos estudos e família, com três filhos. Mas há duas semanas resolveu disputar o 70.3 Triathlon em St. Croix, nas Ilhas Virgens, que vem a ser uma prova classificatória paa o Ironman. Foi a campeã em sua faixa etária de 40 a 44 anos e ganhou a vaga para ir ao Havaí. Nesta mesma prova, Lance Armstrong foi o terceiro colocado geral entre os homens.

Deixei de organizar eventos esportivos e passei a me dedicar a entrar como competidor, modestamente, junto com minha mulher, que agora compete como Dawn Werneck e foi a campeã mundial de “sprint triathlon” no ano passado, em Pequim, enquanto Rebecca compete como Rebecca Stephenson.

Daqui a duas semanas, minha mulher e eu disputaremos o Triathlon de Cape Cod e já estamos classificados para ir de novo ao Campeonato Mundial, que agora será em Auckland, na Nova Zelândia, em fins de outubro. (Vou com uma bicileta Cannondale, embora talvez não tão moderna quanto as de Julie Moss e Kathleen McCartney, enquanto minha mulher vai com uma Cervélo P2.)

Peço então desculpas aos leitores por tratar de um assunto tão pessoal, mas acho que o relatado acima é motivo suficiente para, a caminho da Nova Zelândia, passarmos antes no Havaí e assistir de novo ao Ironman, que este ano acontecerá no dia 13 de outubro. Antes, em setembro, estaremos também no Rio de Janeiro, onde vai ser realizada a Adidas Marathon, com uma idéia diferente: a de basear o percurso no traçado da Maratona Olímpica de Londres, em três voltas.

(Assistam também a meus comentários em video aqui mesmo neste site da ESPN Brasil.)
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