Incrível, fantástico... muito ordinário

José Inácio Werneck, colunista do ESPN.com.br, de Bristol, nos EUA
Há três semanas o Manchester United tinha oito pontos de vantagem na Premier League e cometi aqui a imprudência de acreditar que o título já era seu, até porque o Manchester City, com jogadores destemperados como Mário Balotelli, parecia tropeçar nas próprias confusões.

Mas agora o Manchester United está empatado em pontos com o Manchester City, porém oito gols atrás na diferença entre pró e contra. Este é o primeiro critério de desempate e se os dois times vencerem seus dois últimos jogos, dificilmente poderá ser anulado.

É verdade que o Mancheter City tem uma tarefa mais dura pela frente, já no próxima rodada, do que o United, pois vai enfrentar o Newcastle, que está brigando pela quarta colocação e o direito de ir à Champions League, no campo do adversário. Seu último jogo, contra o Queen’s Park Rangers, no Etihad Stadium, não é tão difícil assim, enquanto o Manchester United joga com o Swansea em casa e contra o Sunderland no campo do adversário.

Nesta segunda-feira, não há dúvida de que o Manchester City mereceu a vitória, sobretudo por causa da grande atuação de Yaya Touré, que tomou conta do meio-de-campo, defensiva e ofensivamente. É bom mesmo lembrar que este jogador, quando esteve na disputa da Copa das Nações Africanas, durante pouco mais de um mês, fez uma falta ao City que talvez só agora venha sendo devidamente analisada. Sua ausência foi ofuscada pela de Tevez (por outros motivos, é claro) mas talvez tenha sido tão ou mais importante.

O Manchester United nesta segunda-feira foi medroso na escalação e, senhores, ao longo dos 90 minutos da partida, não criou uma única verdadeira oportunidade de gol. Por que Sir Alex Ferguson só botou Valencia em campo quando faltavam 13 minutos para o fim da partida? O escocês eterno (o Manchester City de 1986 para cá passou por 14 técnicos enquanto Alex Ferguson permanece inabalável no United) só mostrou um pouco de seu lendário ardor ao acusar – talvez justamente – Roberto Mancini de colocar Nigel de Jong como substituto no meio do segundo tempo apenas para dar ponta-pés. Fora isto, limitou-se a ficar sentado, com as mãos no bolso, e um ar resignado.

Não é de estranhar que o Manchester United tenha tido uma presença tão apagada no cenário europeu nesta última temporada, pois o time se vê obrigado a depender de Ryan Giggs e Paul Scholes, com 37 e 38 anos. Na defesa, Chris Smalling foi um fracasso – e não apenas no gol de Vicent Kompany – e seu companheiro Phil Jones errou os passes mais simples.

Quando Valencia afinal entrou, foi para ser mal explorado, pois não lhe deram uma única bola para ir à linha de fundo. No primeiro tempo, Wayne Rooney ficou em esplêndida solidão e, no segundo, quando o United chegou um pouco mais à frente, nem assim conseguiu dar um chute em gol.

O City tem agora a oportunidade de ganhar apenas o terceiro título de sua hustória no Campeonato Inglês e o primeiro desde 1968. Mas… e se Roberto Mancini resolver escalar Balotelli de novo? Teremos, sem dúvida, emoções fortes pela frente.

(Assistam também a meus comentários em vídeo aqui mesmo neste site da ESPN Brasil.)
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