Minhas Copas: 1994

José Inácio Werneck, colunista do ESPN.com.br, de Bristol, nos EUA
Romário que me perdoe, mas ele não está no mesmo nível de Pelé e Maradona. Fica um pouco abaixo, junto com Cruyff, Ronaldo e Zinedine Zidane.

Digo isto porque li sua entrevista em que ele se considera um dos três melhores do mundo, em todos os tempos, abrindo a possibilidade de que Zidane também se junte ao grupo.

Tais classificacões são, é claro, arbitrárias, pois é muito difícil comparar jogadores de épocas diferentes. O que dizer de Di Stefano? Não o vi por mero acaso, pois uma contusão o impediu de participar da Copa de 1962, ele havia ido cedo para a Colômbia e, na época em que jogava no Real Madrid, as partidas não eram exibidas pela televisão.

Quanto a Messi, temos que esperar um pouco mais.

Romario foi eleito o melhor jogador da Copa de 1994 mas, como escrevi aqui em minhas memórias sobre a Copa de 1990, este teria sido seu melhor Mundial se não tivesse agravado uma contusão que lhe permitiu disputar apenas um jogo (mesmo assim, parte de um jogo, contra a Escócia) na Itália.

Quem vem acompanhando esta série sabe que eu me mudara para os Estados Unidos logo depois da Copa de 1990. Lá assisti ao sorteio dos grupos, em Las Vegas, para o Mundial de 1994, quando presenciei a mal sucedida tentativa do então Secretário-Geral da FIFA, Sepp Blatter, de ser mais engraçado do que o cômico americano Robin Williams.

Papel mais triste porém estava reservado ao presidente da entidade, João Havelange, que, para escândalo da imprensa americana, resolveu banir Pelé de todas as cerimônias. Uma atitude incompreensível num país cujo imenso mercado tinha sido aberto para o futebol mundial justamente por Pelé, na época do New York Cosmos.

No Brasil, um espetáculo igualmente ridículo acontecera em dezembro de 1992: Carlos Alberto Parreira resolveu afastar Romário da Seleção Brasileira, quando ele reclamou por ter ficado no banco em um jogo do Brasil contra a Alemanha, em Porto Alegre.

Romário só reapareceu na Seleção Brasileira, por exigência popular, na última partida das eliminatórias para a Copa, em setembro de 1993, quando precisávamos derrotar o Uruguai, no Maracanã. O Brasil ganhou por 2 a 0, dois gols de Romário. O Uruguai foi eliminado, classificaram-se, junto com o Brasil, a Colômbia e a Bolívia (que havia nos derrotado) e a Argentina entrou na repescagem.

Talvez tivesse sido melhor para a Argentina ficar de fora, o que a teria poupado de uma campanha ridícula e da célebre expulsão de Maradona da Copa, por doping.

O Brasil nunca chegou a empolgar. A Copa de 1994, disputada muitas vezes sob calor intenso, foi muito fraca, a exemplo do que já acontecera com a de 1990, levando a FIFA a tomar providências para tornar o futebol mais dinâmico.

Romário marcou cinco gols e deu o passe para Bebeto fazer o único da partida contra os Estados Unidos, quando o Brasil jogou todo o segundo tempo com um homem a menos, por causa da expulsão de Leonardo, depois de uma desnecessária cotovelada em Tab Ramos, numa disputa junto à lateral do gramado.

Desses cinco gols, dois foram contra a Suécia, em dois jogos diferentes. No primeiro jogo, empatamos. O segundo, na semi-final, foi o mais importante. Naquele dia, eu assistira a vitória da Itália, contra a Bulgária, no Giants Stadium, em Nova Jersey, e estava no avião, a caminho de Los Angeles, quando o comandante informou pelo rádio de bordo que o Brasil se classificara para a final.

Romário faria outro gol muito importante, na disputa de pênaltis da final, que perdíamos por 1 a 0 (Albertini, para a Itália), pois Márcio Santos desperdiçara o seu. A vitória e a Copa viriam pelos pés de Dunga, que estabeleceu o marcador em 3 a 2, para Roberto Baggio fracassar miseravelmente em sua cobrança.

(Assistam também a meus comentário em vídeo aqui mesmo neste site da ESPN Brasil.)
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