Em primeira edição no Rio, UFC volta às origens; relembre lutas clássicas

Thiago Arantes, da redação do ESPN.com.br
No sábado, 14 mil pessoas lotarão a HSBC Arena, no Rio de Janeiro, para a primeira edição do UFC na cidade. A maior competição de MMA do mundo fará sua estreia em território carioca, mas a ligação do Rio com as competições do tipo é antiga – na verdade, se confunde com a história do vale-tudo..

Foi na capital fluminense que aconteceram algumas das maiores lutas de MMA de todos os tempos, por mais que o formato dos combates ainda fosse muito diferente do que se vê hoje em dia. E, no início, esses confrontos históricos tinham como atração os representantes da família Gracie, precursora do jiu-jitsu no Brasil.

Hélio Gracie, patriarca da família, começou, na década de 1930, a fazer desafios entre artes marciais. A ideia era provar que o jiu-jitsu permitiria a um homem franzino como ele vencer adversários maiores. Durante quase duas décadas, Hélio permaneceu invencível, derrotando praticantes de boxe, capoeira, judô, sumô e luta livre.

Gracie x Kimura - A popularidade de Hélio cresceu e, em 1951, o judoca Masahiko Kimura – uma lenda do esporte no Japão – veio ao Brasil enfrentar o mestre do jiu-jistu. O combate foi disputado em um tatame montado no Maracanã. Nove anos mais jovem e 40 quilos mais pesado que o brasileiro, Kimura afirmou que, se Hélio resistisse por mais de três minutos, poderia ser considerado o vencedor.

A luta, com público de 20 mil pessoas incluindo o presidente da república, durou 18 minutos. Só terminou quando Carlos Gracie, irmão de Hélio, jogou a toalha temendo uma fratura, ao ver o japonês encaixar uma chave de braço. Como homenagem, o golpe utilizado pelo japonês para vencer aquela luta ganhou o nome de Kimura no jiu-jitsu.




A resistência de Hélio Gracie no confronto com Kimura impressionou o japonês, que foi no dia seguinte à casa do oponente, convidá-lo para ir ao Japão. No país, Hélio daria aulas na academia imperial, a mais tradicional escola de artes marciais japonesa. O brasileiro agradeceu, mas preferiu ficar no Brasil.

A família x Waldemar - A segunda derrota da carreira de Hélio Gracie também aconteceu em uma luta histórica. Em 1955, o mestre enfrentou Waldemar Santana - um ex-aluno e sparring da academia Gracie. Depois de 3 horas e 45 minutos de combate, Hélio desistiu por exaustão fisica. O duelo é considerado até hoje o mais longo da história.

A revanche dos Gracie contra Waldemar Santana aconteceria em 8 de outubro de 1955, com o sobrinho de Hélio, Carlson. Na época, o vale-tudo estava proibido no Rio de Janeiro, o que transformou o primeiro combate entre ambos em um desafio de jiu-jitsu - a luta terminou empatada.

Em 21 de julho de 1956, os dois voltaram a medir forças, desta vez em um combate de vale-tudo sem kimono, com seis rounds de dez minutos cada. A partir do terceiro round, Waldemar começou a sair repetidamente do ringue, fugindo do confronto direto com Carlson. Aos 9 minutos do quarto round, os dois lutadores caíram no chão e apenas Carlson conseguiu se levantar, ficando com a vitória.

Os dois ainda se enfrentariam mais quatro vezes, com um novo empate e três vitórias de Carlson. A honra dos Gracie permanecia segura. Anos depois, Carlson rompeu com o tio Hélio e criou sua própria academia. Sobre a vitória sobre Waldemar Santana, costumava dizer: "Se não fosse eu, os Gracie estariam vendendo banana no Largo do Machado".




Rickson x Zulu - O vale-tudo já era um esporte conhecido no país, mas talvez faltasse uma luta grandiosa para chamar a atenção. Nos anos 80, Rickson Gracie e Casemiro Nascimento Morais - conhecido como Rei Zulu - fizeram não apenas um, mas dois combates históricos.

O primeiro foi em Brasília, em abril de 1980. Rickson, então com apenas 21 anos, venceu Zulu, encerrando uma série de vitórias lendária de seu oponente - os números variam entre 120 e 170 combates que o "Rei" alega ter vencido até aquela derrota. O golpe da vitória foi o rear naked choke, conhecido como mata-leão.

Em 1o de janeiro de 1984, os dois fizeram uma aguardada revanche no Rio de Janeiro. Rickson venceu mais uma vez, usando o mesmo golpe que havia utilizado para bater o adversário quatro anos antes.




As duas lutas de Rickson com Zulu recolocaram o vale-tudo em destaque na mídia. Uma década depois, Rorion Gracie - filho mais velho do mestre Hélio Gracie - fundou o Ultimate Fighting Championship, um desafio de artes marciais que tinha como finalidade colocar frente a frente lutadores das mais diferentes modalidades. Eram os primeiros passos do UFC.
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