Independente, site Sk8 completa uma década no ar

Sidney Arakaki

Uriel nos X Games Brasil, em 2008
Foto: Pablo Vaz

Um dos sites de skate mais acessados do Brasil, o Sk8.com.br, está completando uma década. Ele surgiu numa época em que computadores e internet não eram populares. A conexão à internet era feita via linha telefônica, banda larga era inacessível e wi-fi, nem em sonho. No ano 2000, eram poucos os sites com conteúdo exclusivo de skate, e os skatistas amigos Uriel Baesso e Rangel Rodrigues uniram forças para criar a página.

O inseparável skate acompanhou Uriel até no
casamento
Foto: Arquivo pessoal



Uriel Baesso do Prado, o “Uriel Punk”, anda de skate desde 1982. Começou com uma tábua usando peças de patins como eixos e rolimãs no lugar de rodas. Até hoje ele lembra o primeiro contato, na época da Copa do Mundo da Espanha: “Um amigo jogou o skate em casa quando ia catar balão. Peguei, fui descer a ladeira e quebrei a costela. Desse dia em diante nunca mais parei de ver skate na minha vida.”

Dá uma resumida na história do Sk8.
O Sk8.com.br veio devido site na geocities. O Rangel (Rodrigues) tinha feito um site para colocar as notícias de skate, eu fazia as fotos e um dia, com um amigo de trabalho, o Daniel, grande designer na época, deu a idéia de fazer um portal de skate. Nesta época chegamos até a conversar com a CemporcentoSKATE para fazer uma parceria. Nesta época, site de notícias mesmo, era apenas o Brasil Skate, do Cesinha Chaves. Ele que nos deu gás, na época, para fazer o site. Sempre elogiava nosso trabalho. Com isto, encontramos o Pedro de Luna, que fazia o zine Shape A. Ele foi nosso editor por alguns anos. Essa época era demais, muita diversão e prêmios de Web, na época disputados com sites grandes, como o site do Flamengo. Chegamos ao top 10 do Ibest e terceiro lugar no Star Media. O grande lance do site acho que foi a estréia, em 2000. Na época, jornais garimpavam a web atrás de novidades, e como o Sk8 era um site diferente, muitos jornais publicaram matérias, como O Globo. Mais tarde, a Globo News pediu uma direção de um programa de skate de 30 minutos para o programa Almanaque. Na época, foi feito na rua e na pista da Billabong (Skate House). Numa premiação de skate o Flávio Ascânio questionou no palco o porque do Sk8.com.br estar ausente na lista de sites para premiação, foi maior confusão (risos). Sabiam que na época ganharia e não colocaram na competição. Eu mesmo não ligo para estas coisas, quero mesmo que o site mostre o skate como ele é. E estas coisas de ser melhor ou não, muda nada na cena do skate. Temos que fazer o melhor sempre. Acho que isso que faz do Sk8.com.br o que é hoje.

Como você mantém o site sem patrocínio há tanto tempo?
Manter o site no inicio da Internet é que foi o mais pesado. Chegamos a pagar quase dois mil reais para manter a banda usada na Locaweb na época. Hoje pagamos bem menos. Quem sempre manteve o site foi eu e o Rangel. Trabalhamos com Tecnologia da Informação, temos salário até que razoável e como amamos skate desde a década de 80, gostamos de manter eles sem anúncios. Mas percebemos que com isto estamos prejudicando quem trabalha com site também. Estamos modelando o site para poder cobrar destas empresas e manter algo mais profissional no ar.

Quais marcas já apoiaram o site?
Empresa mesmo ajudar e pagar, posso dizer que foi a Oi e a Switch Skate Shop. Pagamentos em dinheiro mesmo. O restante foi em mercadoria, e na verdade foi devido ao Frederico Naroga e a Christie Aleixo. Sempre que passam por marcas ajudam a gente com alguma coisa. Agora, teve um monte de marcas que prometeram e nunca pagaram. Fizemos nosso trabalho, eu não fui atrás da marca. Um dia eles vão pedir novamente.



Com a colaboradora do Sk8 Laine Nascimento
Foto: Fernando Arata


Além de você, quem mais faz o Sk8 acontecer?

Hoje em dia, posso dizer que o Fernando Arata que faz o site não morrer, atualizando e fazendo fotos em eventos com o Alessandro McGregor. Eu ando mais atualizando, fazendo entrevistas, abastecendo os sites de comunidades e mantendo relação pública com as marcas, eventos e parceiros do meio do skate. O Rangel hoje colabora na coluna Opinião Profissional. Está em outros projetos de sua vida no momento. O Roger Tilskater ajuda nos campeonatos, com textos, fotos e vem fazendo um trabalho novo, como mostrar picos e vídeos feitos nas ruas. É bem legal, temos novos parceiros entrando para fortalecer o site, mas temos colaboradores em fotografia e textos bons. Mas como não temos sustento para eles, a colaboração sai quando dá. Seriam eles, Laine Nascimento (Fotógrafa), Leandro Pires (Fotógrafo) e a NOV3, que é a nossa nova equipe de programação do site. Aguardem o novo site.

Qual o primeiro site de skate que você acessou, e qual foi o impacto?
Cara, eu vivia nos grupos de e-mail e IRC de skateboarding. Via aqui no Brasil o do Cesinha, mas o primeiro site completo de skate foi o 50-50.com. Antes tinha o FruitBat Motel-Hawaii's Skateboarding Source. Tinha muito gif de manobras, os vídeos demoravam horas e horas pra baixar. Neste site tinha muita coisa que eu via nas fitas de skate. Isso que me empolgava ver o site. No do Cesinha, o legal era ver como montar as pistas e ver skatistas do Brasil. A primeira publicação de skate que eu vi na web foi do campeonato mundial de skate Tribo Skate World Cup. Isto em meados de 1998, quando inaugurou a net tupiniquim para o povão. Quando eu vi isso até me assustei. Como estava na web, havia sido uma publicação de algum skatista lá de fora falando sobre a revista Tribo Skate e o campeonato. Tinha até o nome do Bolota. Perdi estes e-mails, fiquei bravo na época, hoje seria história.

O que era IRC?
IRC é Internet Relay Chat, um protocolo de comunicação utilizado na Internet, seria uma espécie de chat. Com o tempo ele foi perdendo gosto das pessoas. Com o futuro da internet, surgiu ICQ, MSN, Skype, e hoje, as comunidades como Facebook. O legal do IRC era o ambiente igual do sistema Unix, que podia até manipular outras máquinas por comando, enviar arquivos. Era bem legal esta época. Para se ter uma idéia, o IRC nasceu em 1993 e se manteve, mais ou menos até 2003. Todas outras ferramentas são praticamente baseadas no conceito do IRC, uma conversa instantânea com vários recursos.

Teve algum site referência no início?
Putz, não tivemos nenhuma referência, trabalhamos com web deste esta época. E bolamos um site totalmente diferente de tudo que existia na web. Foi isto que fez o site bombar nos jornais. Por não ser igual a nada, era totalmente inovador, tinha cara de site, outros sites de web pareciam documentos do Word, entende?

Daqui um ano, como você imagina que será o Sk8?
Muita coisa vai mudar este ano. Todos vão ter surpresas, vamos inovar novamente, totalmente dinâmico com tudo que existe na web. E para daqui um ano estamos pensando seriamente em virar uma marca de skate. Isto porque recebemos um monte de e-mails, perguntando onde comprar camisa da Sk8, se temos rodas, quanto custa skate montado. Será esse o futuro? Estamos pensando. Até revista. Algumas pessoas e editoras chegaram a fazer reunião comigo. Hora que eu tiver coragem de largar meu trabalho, o Sk8 vira algo que dê lucro para todos skatistas. Falta coragem minha de fazer algo pelo Sk8, esse é meu ponto de vista real.


Backside air no desativado banks de São Caetano do Sul
Foto: Leonardo Oliveira

O que você acha essencial para o sucesso do Sk8?
O sucesso do Sk8 são os skatistas. Sem os skatistas, o site não seria nada. Os skatistas que fazem a cena do skate, sem eles não acontece. Veja, por exemplo, o que seria da DC Shoes sem os skatistas que compram a marca deles. Veja as marcas que aproveitaram o skate para crescer mais nas vendas, Nike, Adidas. Essas marcas não faziam tênis de skate, porque será que hoje fazem? Porque os skatistas compram tênis deles? O sucesso de qualquer coisa no meio do skate é o skatista.




Uriel, o padrinho
Foto: Fernando Arata

O que você acha essencial para o sucesso do Sk8?

O sucesso do Sk8 são os skatistas. Sem os skatistas, o site não seria nada. Os skatistas que fazem a cena do skate, sem eles não acontece. Veja, por exemplo, o que seria da DC Shoes sem os skatistas que compram a marca deles. Veja as marcas que aproveitaram o skate para crescer mais nas vendas, Nike, Adidas. Essas marcas não faziam tênis de skate, porque será que hoje fazem? Porque os skatistas compram tênis deles? O sucesso de qualquer coisa no meio do skate é o skatista.

Qual o impacto que a internet causou no skate?
Como em toda mídia, TV, jornal, revista e rádios, a internet veio com todas estas funções juntas, a notícia instantânea. O skatista acabou de ganhar um campeonato, a noticia já está ali para todos ficarem sabendo. O skatista da Nigéria montou uma pista de skate já ta na web, com internet e websites isso se tornou mais fácil de noticiar em um único espaço. As vendas também ficaram mais fáceis de fazer, tanto para quem vende como quem compra skate. Divulgação de um skatista também ficou mais fácil, antes o cara tinha apenas campeonatos para mostrar suas habilidades, hoje ele pode postar em seu blog, Youtube, entre outros. Veja, tem até marcas que fazem campeonatos na internet para melhor vídeo promo. A internet já substituiu muitas destas coisas. Claro que sempre vai existir TV, rádios, revistas, sem se preocupar com internet. Vai de gosto, e gosto não se discute. Eu mesmo prefiro ver meus vídeos no Playstation e na TV gigante. Já vejo vídeos e passo o tempo em um game na hora da chuva.

Tem um artigo recente que você escreveu sobre a falta de respeito dos skatistas com os próprios skatistas. O que te motivou a escrever sobre o assunto?
Este foi um artigo que os dias de hoje merece ler e começar a se ligar em certos movimentos. Você acredita que um cara de uns 30 anos chegou a dar uma paulistinha na perna de uma criança de nove anos para ela sair da frente dele, para dar um ollie na pista? O cara deu um ollie, vai se ferrar! Cara, tem uns negos que andam de skate e não vivem na deles. Quer causar demais nos picos de skate e queima o filme de quem vive de skate. Falta noção na ação de alguns destes skatistas. As pessoas deviam pensar mais em fazer o bem para os outros e parar com essas coisas de atropelar crianças de nove anos em pista. Esses dias, um usuário de drogas veio me vender rodas de skate na pista. Falei pra ele que não queria, o cara olho torto, e eu falei, “você rouba roda do skatista e agora vem me vender?” Isso rola porque as pessoas compram.

Já te vi ajudando muitos skatistas. Seja doando peças, levando pras sessões, fazendo fotos ou publicando notícias deles. Você apadrinha a molecada.
Nossa isso eu faço deste 1986, quando andava pela minha vila. Eu trampava e comprava umas peças. Quando ficava um pouco gasta, dava para alguém que estava iniciando no skate. Vixe, adotei uns caras da Prestigie, ZN, das ruas, mesmo antes do Sk8. Teve uma época que eu trabalhei em marcas de skate. O que ia ser jogado fora eu levava para os caras nos picos. Cheguei a pagar campeonatos para alguns. Eu vejo um cara, já sinto logo que esse vai andar bem de skate, mesmo o cara dando apenas um ollie. Coisa de louco, mas real. Legal mesmo é fazer as fotos e ver a noticia sair até nas revistas. Não ligo se a foto ficou da hora. Eu não vou por no Sk8. Legal é ver o trabalho sendo feito pro cara sair onde for, depois faço para Sk8. Não me importo com estas coisas, saiu em local X, não vou por ele aqui. Skatista tem que ser valorizado, não importa o pico, momento, manobra. O cara tá andando de skate, para mim é skatista. Isso me motiva a apadrinhar o cara, pegar do zero e ver ele chegar no topo. Lembro de uma matéria que saiu na Vista com o Chou. Os caras falaram que ele não andava nada, na sequência saiu na CemporcentoSKATE. Os mesmos caras que falaram mal na época falaram, “vixe, esse chinês destrói”. Os caras julgam muito sem ver o talento real. Eu já nem julgo se for para ajudar. Vamos que vamos.



Uriel com alguns dos skatistas afilhados no Parque Villa Lobos
Foto: Todd Thomas


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