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NHL: veja quem são os favoritaços e a possíveis zebras dos playoffs

Uma breve apresentação aos playoffs da NHL

16 times, oito confrontos e rivalidades voltando à flor da pele. Após cada um dos 31 times disputarem 82 partidas durante a temporada regular da NHL, os playoffs finalmente chegaram e começam nesta semana, com transmissão dos canais ESPN. Antecipando a 1ª rodada, que promove diversos jogos todo dia, aproveito para destacar nove times que são favoritaços, prometem surpreender e tem potencial.

Se, por acaso, algum time que não está neste texto se classificar para a 2ª rodada, não se preocupe. Estes times serão devidamente abordados em um futuro texto. Agora, comecemos por aqueles que entram nos playoffs para levar tudo.

Favoritaços

Nashville Predators

Os vencedores do Troféu Presidente, que premia o time com melhor campanha da temporada regular, entra nos playoffs da temporada 2017-18 de maneira bem diferente do ano passado. Entrando como o 8º colocado da conferência oeste, Nashville surpreendeu a todos quando varreu os Blackhawks na 1ª rodada e chegou nas finais da Stanley Cup, sucumbindo aos Penguins em seis jogos.

As esperanças dos Predators diminuíram consideravelmente quando Ryan Johansen se machucou no meio da série contra Anaheim, nas finais do oeste. Consequentemente, o ataque de Pittsburgh foi muito superior, expondo ainda mais o ponto fraco da equipe dos Preds.

Reconhecendo que sua janela para vencer a Stanley continuava escancarada após tamanho sucesso, o general manager David Poille agiu de maneira impecável, reforçando o ataque da equipe de maneira muito significante. Nick Bonino, center da 3ª linha dos Penguins que venceram o bicampeonato, foi contratado na free agency. Logo no começo de novembro – o que equivale também ao começo da temporada -, Poille adquiriu Kyle Turris de Ottawa, o melhor center da equipe que levou os Penguins até o jogo sete das finais do leste nos playoffs passado. Na deadline, não satisfeito, adquiriu Ryan Hartman de Chicago, jogador que se encaixou como uma luva no modelo de jogo que Nashville precisava para sua 3ª linha: um jogador físico, ótimo nas bordas, e que faz um bom trabalho na zona suja do gelo.

Isso porque nem começamos a falar do ponto forte de Nashville: a defesa e o goleiro. Pekka Rinne teve uma temporada regular digna de Vezina, prêmio ao melhor goleiro da temporada regular. PK Subban terminou os playoffs do ano passado como o quarto defensor dos Preds, mas já se adaptou bem o suficiente e hoje Nashville tem dois legítimos defensores número um em Subban e Roman Josi.

Nashville não era favorito a chegar nas finais no ano passado, e chegou. Hoje, eles são favoritos a chegarem nas finais, tendo todas as peças necessárias para tal feito.

Tampa Bay Lightning

Até o meio da temporada, os Bolts pareciam imbatíveis. Steven Stamkos, depois de várias lesões que forçaram o center a pausar sua carreira, está de volta como um dos melhores centers da NHL. Nikita Kucherov se estabilizou como uma grande estrela em ascensão. Victor Hedman merece receber mais uma nomeação ao Norris, e não poderia se pedir mais de Andrei Vasilevskiy em seu primeiro ano como titular.

Diversas lesões frearam a temporada quase impecável que Tampa vinha fazendo até janeiro. Vasilevskiy confessou estar cansado após tantos jogos no gol, e os desempenhos dos Bolts não foram regularmente mantidos na segunda metade do ano.

No entanto, as adições de Ryan McDonagh e JT Miller deram um gás muito necessário à equipe. Miller se encaixou impecavelmente, e McDonagh tem tudo para fazer a diferença nos playoffs e solidificar de vez a defesa da equipe. Considerando as três primeiras linhas de ataque, poucos times conseguem se equiparar aos Bolts, principalmente ao considerarmos o estilo de jogo da equipe, que depende bastante dos seus atacantes para carregar o disco e fazer a transição para a zona ofensiva.

Pittsburgh Penguins

Duvidar dos Penguins no ano seguinte à conquista da Stanley Cup em 2015-16 foi normal. Após a conquista do bi em 2016-17, ficou muito difícil duvidar de Crosby e Malkin de novo.

O título do ano passado foi muito impressionante porque Pittsburgh o fez sem Kris Letang, melhor defensor da franquia. Dessa vez, Letang está não apenas saudável, como está jogando novamente em alto nível. Média de 25 minutos por jogo e marca de 50 pontos na temporada. Justin Schultz, Olli Maatta e Brian Dumoulin provaram conseguir carregar a defesa, mas Letang é um catalisador que consegue transicionar o disco como poucos.

Existe, pela primeira vez em muito tempo, algumas questões a serem feitas sobre o gol de Pittsburgh. Matt Murray passou boa parte da temporada machucado, permitindo que Tristan Jerry e Casey DeSmith entrassem em ação – e jogando muito bem, há de se notar. No entanto, Pittsburgh não tem mais a segurança que Marc-André Fleury trazia.

Crosby, Malkin e Kessel tiveram um dos anos mais produtivos de um trio nos últimos anos. Carentes de um center para a 3ª linha, os Penguins adquiriram Riley Sheahan de Detroit para ocupar a posição. Ainda não satisfeitos, trocaram por Derick Brassard na deadline. É surpreendente dizer isso, mas Pittsburgh parece entrar nos playoffs com mais força do que no ano passado.

Prometem surpreender

Winnipeg Jets

Eis o time que tem o maior potencial e ao mesmo tempo as maiores interrogações entrando nos playoffs.

No papel, o elenco dos Jets é impecável. Três linhas de ataque fortíssimas e muito bem balanceadas, lideradas pelo candidato a MVP, Blake Wheeler, e um dos melhores atiradores da liga em Patrick Laine. Paul Stastny provou ser bom o suficiente para jogar ao lado de Laine e Ehlers, permitindo que Scheifele nem sempre enfrente a melhor linha adversária. A defesa é tremenda, com Byfuglien, Myers e Trouba do lado direito, e com Morrissey, Enstrom e Kulikov na esquerda.

Porém, ao falarmos nestes nomes, o alerta de LESÃO começa a apitar. E bem alto. Winnipeg teve muitos problemas para manter o seu time saudável, com diversos jogadores perdendo mais de 20 jogos na temporada. Difícil lembrar de uma sequência longa em que os Jets estiveram 100% saudáveis. A situação não irá melhorar nos playoffs, com os times jogando de maneira mais física e propiciando maiores lesões.

Connor Hellebuyck foi uma revelação, agarrando a oportunidade de ser o goleiro titular quando Steve Mason sucumbiu a seguidas lesões. Ainda assim, é sua primeira temporada como titular, e nos playoffs tudo pode ser diferente – em ambos os lados, já que Matt Murray é um exemplo de sucesso de goleiros estreantes na liga.

Boston Bruins

Não seria exagero colocar os Jets e os Bruins entre os favoritaços, mas assim como os Jets, os Bruins também não tiveram uma temporada das mais saudáveis – o que não diminui em nada o incrível trabalho do técnico Bruce Cassidy e do general manager Don Sweeney.

Boston conseguiu se reconstruir de maneira extremamente veloz, mantendo os principais jogadores que venceram o título de 2010 (Bergeron, Marchand, Krejci, Chara) e adicionando muitos talentos jovens que estão atuando em altíssimo nível. David Patrnak e Charlie McAvoy são jogadores solidificados na 1ª linha e no 1º par de defesa do time, com 21 e 20 anos, respectivamente.

Os Bruins não apenas rejuvenesceram o elenco, como também o estilo de jogo. Hoje um time mais leve e menos físico, tem um sistema de forecheck que é muito eficiente na zona neutra e faz os times adversários pagarem por seus erros. Tuukka Rask é um goleiro com bastante experiência, mas que já não apresenta um nível de hockey que o coloque entre os cinco melhores do mundo. Se ele elevar seu jogo, já provou ser capaz de roubar séries sozinho.

Vegas Golden Knights

Se eu te dissesse no começo da temporada que William Karlsson, center que marcou seis gols na temporada passada por Columbus, marcaria mais de 40 neste ano, você acreditaria?

Vegas não apenas fez um draft de expansão magnífico, reconhecendo talentos que poderiam dar um salto em suas carreiras se ganhassem a devida oportunidade, mas também contratou um técnico que implementou sistemas de muito sucesso, capaz de maximizar o que seus jogadores têm de melhor e minimizar o que seus jogadores têm de pior. Vegas é um time muito agressivo, que toma riscos em todas as três zonas e quer o disco o mais longe possível do seu gol. Um sistema baseado na alta velocidade de seus jogadores, que pressiona, dá hits quando necessário e que cria um número alto de chances de gol por partida.

Exatamente por jogar um sistema de alto risco – alta recompensa, os Knights correm riscos na pós-temporada, quando enfrentarão times experientes, de jogadores que jogam juntos há anos e que terão tempo para se prepararem e analisarem cada buraco de Vegas. O que era novidade no começo do ano, pode já não ser tão novidade assim em abril.

Isso não diminui em nada a temporada incrível do já mencionado William Karlsson, as ressureições de David Perron e Reilly Smith e a imprevisível constante de Jonathan Marchessault. Marc-André Fleury, então, nem se fala. O ponto fraco é a defesa, que poderá ter problemas ao enfrentar jogadores ofensivos de elite dos times adversários.

Tem potencial, mas chegam como zebras

Toronto Maple Leafs

Brendan Shanahan e Lou Lamoriello vem fazendo um trabalho quase impecável com os Maple Leafs. A reconstrução do século XXI finalmente aconteceu em Toronto, e de maneira muito sucessível.

Os Leafs são um dos times mais divertidos de se assistir hoje em dia. Treinados pelo grande técnico e futuro Hall da Fama Mike Babcock, Auston Matthews e companhia jogam com muita velocidade e sempre em grupo, criando chances claras de gol com uma frequência acima do normal. A habilidade dos jovens Matthews, Nylander e Marner é inquestionável, todos jogando em suas segundas temporadas completas na liga e dando sequência à primeira que já foi espetacular para adolescentes de 19 e 20 anos.

Frederik Andersen, no entanto, foi o cara da franquia neste ano. Temporada digna de Vezina, Andersen foi o grande responsável pela maioria das vitórias dos Leafs, principalmente quando o time tinha os tiros majoritariamente contra o seu favor. Quando os Leafs não tinham Andersen, ainda contaram com ótimas atuações – esporádicas, sim – de Curtis McElhinney.

Andersen provou ser capaz de ser um dos melhores goleiros do mundo, capaz de jogar quatro partidas no mais alto nível e roubar uma série ou outra. Mesmo assim, terá que contar com uma grande ajuda de Matthews e os muito talentosos atacantes dos Leafs, que também precisarão suprir a clara deficiência defensiva que o time possui.

Los Angeles Kings

Os Kings parecem estar de volta. Mas terão que seguir a fórmula dos Kings que venceram as Stanleys em 2011-12 e 2013-14 para ter sucesso, isto é, jogarem como monstros nos playoffs.

Los Angeles entrou nos playoffs de 2011-12 como o 8º time do oeste, desbancando favorito atrás de favorito até vencer a tão sonhada Stanley.

Os jogadores chaves daqueles títulos continuam no time: Anze Kopitar, Drew Doughty e Jonathan Quick. Kopitar assinou sua extensão de $80 milhões de dólares há dois anos, não foi bem na temporada passada e voltou como um legítimo candidato a MVP neste ano. Kopitar voltou a forma de pontuar como em seu auge, ao mesmo tempo que manteve sua excelência defensiva que deve render mais uma indicação ao Selke neste ano.

Drew Doughty venceu seu primeiro Norris, troféu ao melhor defensor da temporada, há dois anos, e merece mais uma indicação neste ano. Pouquíssimos defensores conseguem atingir o nível de Doughty nos playoffs, em todos os sentidos: defensivo, ofensivo, físico e nos minutos defensivos. Quick está mais velho, mas tão ágil e flexível quanto antes. Jeff Carter voltou ao time no meio de fevereiro e não mostrou sinais de desacelerar sua produção. Em uma conferência oeste em que a divisão pacífica está mais aberta do que nunca, Los Angeles tem todas as peças necessárias para aprontar como já fez ainda nesta década.

Washington Capitals

Apesar do título da divisão Metropolitana, fazia tempo que Washington não chegava aos playoffs como favoritos.

Fracasso após fracasso após fracasso, os Capitals pareciam ter perdido sua janela ao final da temporada passada, quando o time foi novamente eliminado pelos Penguins na 2ª rodada. Perderam metade da sua defesa durante a intertemporada e, pela primeira vez em sua carreira, Braden Holtby teve um ano abaixo do seu alto padrão de desempenho.

No entanto, Ovechkin, Backstrom, Oshie e Carlsson continuam jogando muito hockey. O sucesso ainda não foi traduzido na pós-temporada, e talvez este seja o ano em que, com todos os olhos voltados a outros times, os Capitals consigam exorcizar os seus demônios e ao menos chegar nas finais da Stanley Cup.