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As mecânicas da entrada de Seattle na NHL e o 'fico' dos Islanders em Long Island

A matemática não mente: 31 times em uma liga competitiva, a maior de hóquei no mundo, não é o número ideal em termos de equilíbrio e igualdade de chances de classificação para os playoffs. Na temporada 2017-18, 16 times compõem a Conferência Leste, enquanto 15 estão na Oeste. Oito se classificam para os playoffs em cada lado do mapa.

Mas calma aí, oito vagas para 15 de um lado, oito vagas para 16 do outro? Os times do Oeste têm menos competição para se classificar aos playoffs? Sim.

31 que logo devem se tornar 32. A NHL busca uma última expansão para consolidar o número de equipes na liga, se equiparando à NFL e estabelecendo o sistema de cada uma das quatro divisões: oito times em cada, 16 por Conferência e oito se classificando no sistema de Wild Card que vem dando muito certo desde o último realinhamento que a liga imprimiu.

Vegas foi a 31ª. Um sucesso absoluto até então, para a surpresa de muitos: melhor começo de temporada da história das equipes que entraram na NHL em expansão. A cidade abraçou o time, está lotando a T-Mobile Arena, e os jogadores estão respondendo no gelo. O draft de expansão não desfalcou os outros times de maneira muito severa, o que mantém as portas abertas para que o sistema seja utilizado novamente no futuro.

Seattle é o próximo alvo. A adição foi aprovada de maneira unânime pelos 31 general managers e donos de franquias. A fórmula está completa: a cidade aprovou a construção de uma arena que será apta a receber jogos de NHL e NBA, dois empresários que lideram a Oak View Group estão extremamente interessados na possibilidade de serem donos de um time de hóquei (David Bonderman, da TPG Capital, e Jerry Bruckheimer, produtor de cinema de muito sucesso) e o mercado consumidor de esportes existe, como já se provou na história recente com Seahawks e Sounders, da NFL e MLS, respectivamente.

Para comprovar que o público alvo está preparado para consumir a marca do time de Seattle da NHL, pacotes de ingressos – os famosos season tickets – serão vendidos a partir de janeiro de 2018. Como em Vegas, o alvo é atingir a metade da capacidade que a arena irá comportar – algo em torno de 10 mil vendas.

Se sucessível, o processo final será o pagamento à NHL: US$ 650 milhões pela criação da franquia. Caro, sim. Mas se o processo já chegou neste nível, essa prestação com certeza já está acordada e não será problema para Bonderman e Bruckheimer. Todo o dinheiro será dividido entre as franquias e a própria NHL.

O alvo para Seattle é 2020-21. Tempo suficiente para construir a multimilionária arena, vender seus produtos para os torcedores, incluir o time na Divisão do Pacífico e fazer o draft de expansão. Apenas uma tragédia tira a cidade de receber um time da NHL nos próximos anos.

A saga dos Islanders de Nova York

Apenas duas franquias venceram a Stanley Cup em quatro anos consecutivos: o Montreal Canadiens, de 1956 a 1960 e de 1976 a 1979, e o New York Islanders, de 1980 a 1983. Todos os títulos dos Islanders foram conquistados no Nassau Coliseum, casa do time em Long Island por mais de 40 anos. O time, no entanto, decidiu construir uma nova arena, mais moderna e compatível com as demandas da franquia, chamada Barclays Center, que é onde os Isles mandam partidas desde a temporada 2015-16.

Eis que surgem os problemas. Nova York é gigantesca. Os Rangers fazem seus jogos no Madison Square Garden, que fica no coração da cidade e da Ilha de Manhattan. Os Islanders, por todo esse tempo, se orgulharam de ser o time do subúrbio, criando um time menos popular, mas que ganhou tantos títulos quanto o seu “irmão bastardo” e que tem uma base de fãs devotos de Long Island.

O Barclays Center não fica em Long Island. Fica no Brooklyn. A distância não soa absurda quando colocamos em números: a distância entre o Nassau Coliseum e o Barclays Center é de 45 km. Agora, nos coloquemos na pele dos torcedores: por anos, assistiram aos Islanders no Nassau, mas agora têm que viajar por cerca de 1h, em meio ao trânsito habitual da cidade, para torcer por sua equipe. A situação dos jogadores é ainda pior. Os atletas não precisam viajar para Brooklyn apenas para jogar, mas também para treinar. O que seria 1h de ida, outra hora de volta para os que moram em Long Island, se tornam 2h de ida e 2h de volta nos dias com treino pela manhã e jogo pela noite.

Desde sua inauguração, o Barclays não mostrou ser o lar natural da organização. A insatisfação dos torcedores, jogadores e até donos veio a público, fazendo com o que o futuro da franquia em Nova York entrasse em cheque caso uma solução para tirar o time da Barclays não fosse alcançada. John Tavares, capitão e jogador mais importante da franquia, será um agente livre irrestrito ao final da temporada, e imagina-se que ele não renove com a equipe caso a situação continue dessa maneira.

Felizmente, uma resolução foi elaborada.

O grupo de donos da franquia entrou em um leilão pelo Belmont Park, uma antiga, enorme pista de corrida para cavalos. Sucesso para os Islanders. A franquia venceu a disputa e poderá utilizar o terreno para construir uma nova arena, que será localizada em Long Island e resolverá todos os problemas geográficos que o Barclays Center apresenta. Para efeitos de comparação, a distância entre o Nassau Coliseum e Belmont é de 24 km – quase metade da distância para o Barclays.

A construção, claro, demorará alguns anos. A mudança será o suficiente para manter Tavares com a franquia? Tudo aponta que sim, mas descobriremos, de fato, em julho.

Carolina

Falando em franquias, um pulo rápido em Carolina. Os Hurricanes foram vendidos, dando duas opções para os novos donos: manter o time em Carolina ou procurar uma outra cidade para realocação. Como funcionaria a realocação? Da mesma maneira que um time em expansão, a nova cidade-sede necessita ter uma arena que comporte jogos de hóquei e tenha uma capacidade de espectadores dentro dos padrões da NHL: mínimo de 18 mil pessoas. Se a liga aprovar as medidas legais da realocação - que incluem, principalmente, um motivo válido para a mudança, o pouco lucro obtido com a base de torcedores sendo um exemplo – e a cidade aprovar a chegada do time e todo o seu influxo de dinheiro, a mudança é possível.

Carolina fica. Já Arizona e Florida têm situações mais delicadas, principalmente por suas arenas estarem constantemente semivazias. A NHL, para os próximos anos, deu um voto de confiança e fará de tudo para manter as duas cidades no mapa do hóquei mundial.