<
>

Drew Brees como espelho, longevidade de Tom Brady e Seahawks 'quase lá': as revelações de Russell Wilson no Brasil

play
NFL: Russell Wilson se empolga com possivel jogo no Brasil e reconhece paixão dos fãs: 'Eu adoraria' (0:39)

São Paulo apresentou três estádios para possivelmente receber uma partida da temporada regular (0:39)

Mesmo para um brasileiro, o Carnaval do Rio de Janeiro pode surpreender, fazendo uma equipe de reportagem ter que cruzar um mar de gente em um bloco na Rua Jardim Botânico para conseguir chegar ao lugar marcado para a entrevista. De uma janela, Russell Wilson apenas vê o agito e sentencia: “Isso é loucura”.

Campeão do Super Bowl XLVIII, o quarterback do Seattle Seahawks se impressionou e ficou contagiado com o clima festivo da Cidade Maravilhosa, local escolhido para ele e sua esposa, a cantora Ciara, unirem uma agenda profissional e merecidos dias de descanso.

Enquanto aguardava para conversar com a ESPN, Russell estava descontraído ao lado de Anderson Varejão, pivô do time de basquete do Flamengo. Só que não foi pela comparação com um jogador de 2,11m que o quarterback teve que conviver com a dúvida antes de entrar na NFL.

“Se ele tivesse 1,95m provavelmente seria a 1ª escolha do draft. O único problema de Russell Wilson é sua altura e esta deve ser a razão dele não ser escolhido nas duas primeiras rodadas”, afirmou Jon Gruden, então comentarista do Monday Night Football.

Ele estava certo, e o quarterback de 1,80m teve que esperar a terceira rodada para ser a 75ª escolha daquela classe, indo para Seattle e pouco depois tornando-se um motivo de desespero para outras franquias que deixaram passar a chance de recrutá-lo.

“Acho que eles enfatizam muito no tamanho, velocidade. Tom Brady diria que sua velocidade não é a melhor, enquanto eu sou veloz. Mas não sou o mais alto, e Brady é bem mais alto que eu, mas nós dois felizmente ganhamos muitos jogos”, disse.

“Acho que se você sabe jogar, você consegue jogar. É tudo sobre sua mente e sobre o seu coração. Se você tem isso, você tem uma chance”, completou.

ÍDOLO TAMBÉM TEM EM QUEM SE ESPELHAR

Ídolo com capacidade para causar um grande tumulto em um shopping da zona oeste do Rio de Janeiro, Wilson também tem jogadores que admira. Na hora de escolher um, ficou com alguém que também sofreu com a desconfiança por ser “baixinho”.

“Tinham muitos, mas acho que o Drew Brees. Eu assisti ele muitas vezes, é um bom amigo, conheço ele há alguns anos. Eu realmente estudo o jogo dele”, contou.

“E você também tem que estudar você mesmo. Ver o que você faz bem, o que precisa melhorar. Esta é a chave”, disse.

PLANOS DE LONGO PRAZO

Após sete temporadas na NFL, Russell já conseguiu chegar ao topo com a conquista do Super Bowl em fevereiro de 2014, batendo o Denver Broncos de Peyton Manning na decisão. No ano seguinte, contra o New England Patriots, a derrota veio de forma dolorosa, com a interceptação dentro da endzone.

Se Tom Brady foi algoz no Super Bowl XLIX, Russell parece querer seguir alguns passes do astro dos Patriots. Afinal, ele ainda planeja ficar em campo por mais uns quinze anos e já definiu a receita para conseguir isso.

“Eu quero jogar até os 45, esse é o objetivo. Acho que se eu me mantiver em forma, correr bastante, comer direito, me hidratar como um louco, tratar bem do corpo, fazer essas coisas. Não importa onde você vá no mundo, essa deve ser a prioridade, cuidar do seu corpo. Seu corpo é como um carro de Formula 1, você precisa cuidar dele todos os dias”, afirmou.

Porém, sentado em uma cadeira na varanda de um restaurante e já tendo se declarado como um apaixonado por rodizio e especialmente pela picanha, ele confessa que não é tão radical quando o camisa 12 quando o assunto é a alimentação.

“Não necessariamente. Só tento comer de forma mais saudável possível. Mas eu amo comida. Estamos sentados em um restaurante agora e eu já estou pensando no que vou comer depois. Mas acho que nós devemos tentar ser o mais inteligente possível’, disse.

SEATTLE QUASE LÁ?

Antes da bola voar na temporada 2018, os analistas tinham uma visão não muito otimista sobre o Seattle Seahawks, que via sua famosa defesa se desfazer e a franquia passar por aquela famosa 'reconstrução'. Mas, a história foi diferente.

“Acho que muita gente pensou que não seríamos tão bons. Muita gente pensou que iríamos ter campanha 2-14, 4-12. Eu tinha planos diferentes na minha cabeça. Sentíamos que poderíamos vencer muitos jogos e que chegaríamos aos playoffs”, disse Wilson, que também não se deu por satisfeito.

“Mas os playoffs não são o suficiente, queremos ganhar o Super Bowl. Esta é nossa mentalidade”.

Russell Wilson não conseguiu tirar o sorriso do rosto ao responder sobre a hipótese de ter Antonio Brown, já que o jogador pediu para deixar o Pittsburgh Steelers. Mas o quarterback não acha que seja isso que transformaria o time em uma equipe de Super Bowl. Para ele, esta realidade está mais próxima do que muitos podem imaginar.

“São detalhes. Tentar concluir os momentos, encerrar alguns quartos, jogos, continuar acreditando. Nós crescemos muito. Eu comparo esse time ao de 2012, quando éramos jovens, eu era calouro, e nós começamos e no ano seguinte ganhamos o Super Bowl. Então, se a história nos conta algo, espero conseguir encontrar um jeito de fazer aquilo de novo”, disse.

CONTRATO

Se Wilson estava extremamente disposto a falar sobre o futuro dos Seahawks dentro de campo, fora dele o tema é mais quente. O jogador deve começar as conversas sobre a renovação de seu contrato, mas não toca no assunto com a imprensa.

O técnico Pete Carroll, que ganhou muitos elogios de Wilson na conversa, deixou claro que esse tema será tratado durante esta intertemporada. A expectativa, até por algumas palavras de seus representantes, é de que o novo contrato envolva valores recordes, quem sabe sendo algo totalmente garantido.

O quarterback não fala das negociações, mas deixa claro que concorda com a importância de que os valores dos contratos de jogadores da liga não sejam tão atrelados ao rendimento.

“Falando como jogador, você coloca sua vida em risco em todos os jogos, então acho que isso é definitivamente importante para jogadores da NFL. Para os torcedores trata-se de entretenimento, mas para nós é trabalho. Então acho que é algo importante sim, com certeza”

VAI VOLTAR?

Churrasco, samba, surfe e até futebol americano na praia. A visita de Russell Wilson foi agitada e realmente conquistou o jogador. “É um dos meus lugares favoritos de todos que já fui”, afirmou.

Até por isso, ele já fala em voltar e se animou com a chance de poder fazer isso dentro de campo. Se o Brasil conseguir realizar o sonho de tantos torcedores e receber um jogo da NFL, só falta definir qual será o outro quarterback em campo.