<
>

'Super Bowl do inferno': como St. Louis se sente roubada pelos Patriots e traída pelos Rams

Los Angeles Rams e New England Patriots decidem o título da NFL no Super Bowl LIII deste domingo, às 21h, com transmissão da ESPN e do WatchESPN. O jogaço, que pode representar o sexto título de Tom Brady, ou a revanche da nova geração de LA, será assistido em todos os cantos do mundo. Ou quase todos.

Se existe uma cidade que não sabe para quem torcer, é St. Louis. De fato, a mídia local já chama a partida de “Super Bowl do Inferno” – e não é para menos.

A localidade de aproximadamente 2 milhões de habitantes em sua região metropolitana era a orgulhosa casa dos Rams desde 1995. E depois de um começo de glórias, no qual a franquia conquistou seu único título na história, foram 16 sofridos anos de seca, com a última aparição em playoff em 2004.

Apesar das derrotas, a torcida da cidade era fiel. Isso até 2015, quando a franquia empacotou seus pertences e abandonou St. Louis rumo a Los Angeles.

O que ficou foi a saudade e uma certa raiva da franquia – além de um estádio vazio, mantido com dinheiro público, com capacidade para quase 70 mil pessoas.

Hora de torcer para os Patriots, então? Seria uma boa, se não fosse pelo que aconteceu em 2001. O “Greatest Show On Turf”, principal time da história dos Rams, perdeu a chance do bicampeonato na derrota do Super Bowl XXXVI para Brady e Belichick.

E pior: com polêmica. O jornal Boston Herald divulgou uma denúncia de que os Patriots teriam espiado e gravado imagens dos treinos dos Rams antes da final, algo que o próprio veículo retirou e se retratou posteriormente. Mas para a torcida, o que ficou foi a sensação de que teriam sido roubados.

Mudança silenciosa

“Todo mundo está interessado em como St. Louis está lidando com o Super Bowl do inferno”, escreveu o experiente jornalista Ben Frederickson em sua coluna no St. Louis Post-Dispatch, principal jornal da cidade.

“É o time que nos deixou contra o time que já roubou no Super Bowl contra o time que nos deixou. Se o time que nos deixou tivesse ganhado aquele jogo, talvez tudo isso tivesse terminado diferente”, cutucou.

Para a imprensa local, a raiva contra os atuais Rams de Los Angeles vai além de simplesmente ter perdido a franquia. Tem a ver também com como tudo aconteceu.

“Isso é sobre um dono que mentiu, então mandou seus capangas mentirem, e então não só virou as costas para seu estado natal, como desprezou sua terra”, explicou Ben Frederickson.

O colunista se refere a Stan Kroenke, magnata dono do time. Nascido no Missouri, onde fica St. Louis, ele foi um dos principais atores na mudança dos Rams da Califórnia para seu estado natal em 1995. Anos depois, contudo, planejou silenciosamente o retorno e nunca deixou suas intenções claras para a torcida.

O Edward Jones Dome, estádio onde jogavam, era um dos piores da liga. Descobriu-se, então, que Kroenke havia comprado uma área suficiente para construir um estádio em Los Angeles – mas o próprio nunca confirmou nada até que a mudança virasse realidade.

Para piorar, Los Angeles não é um lugar exatamente apaixonado por futebol americano. Numa região com mais de 13 milhões de habitantes, muitos imigrantes e estrelas de cinema, boa parte das pessoas nem sabe quem são os Rams.

“Para que (a mudança)? Para voltar para uma cidade que não era a casa deles em primeiro lugar, uma cidade que parece nem perceber que seu time está no Super Bowl? Para que o LeBron James finja ser um amigo?”, questiona Frederickson.

“Acho que vou achar alguma outra coisa para fazer em vez de assistir futebol americano no domingo do Super Bowl”, finaliza.

Quem tem sorte é o fã do esporte que não nasceu em St. Louis e vai acompanhar o Super Bowl na ESPN e no WatchESPN, às 21h, com Abre o Jogo direto de Atlanta à partir das 19h30!